Donald Trump votou por correspondência na eleição do condado de Palm Beach, realizada esta terça-feira, 24 de março, para selecionar um senador estadual e um representante estadual. A notícia, avançada pela Reuters, é facilmente confirmada pela consulta aos registos públicos do condado.A votação presidencial causou estranheza uma vez que ainda na última segunda-feira, o presidente dos EUA demonstrou ser contrário a este tipo de escrutínio. Durante uma mesa-redonda sobre criminalidade, em Memphis, Tennessee, Trump reiterou alegações, sem provas fundamentadas, de que o voto por correspondência é propício à fraude."Voto por correspondência significa trapaça por correspondência. É assim que lhe chamo, e temos de fazer algo em relação a isso. É uma questão de Segurança Interna", afirmou o chefe de Estado.Pressão legislativa e exigências políticasA utilização do voto postal por parte de Trump ocorre num momento em que está em curso um autêntico braço-de-ferro político no Congresso. O presidente instou os Republicanos a não aprovarem o financiamento do Departamento de Segurança Interna até que os democratas aceitem o SAVE America Act — uma proposta de lei que exige que os cidadãos apresentem prova de cidadania norte-americana no ato do registo eleitoral.Além da questão do voto, Donald Trump procura incluir na legislação outras prioridades da sua agenda política e social. O presidente defende a proibição de mulheres transgénero em competições desportivas femininas e a interdição do que denomina como "mutilação transgénero de crianças". Adicionalmente, a proposta visa uma restrição severa do voto por correspondência, que passaria a ser permitido apenas em casos excecionais de doença, incapacidade, serviço militar ou deslocações inevitáveis.Embora resida oficialmente na Casa Branca, Trump é residente registado em Palm Beach e participa regularmente nas eleições da Florida. Em resposta às críticas sobre a aparente contradição, a porta-voz da Casa Branca, Olivia Wales, esclareceu a posição da Administração por e-mail."Como o Presidente Trump tem afirmado, o SAVE America Act prevê exceções de senso comum para que os americanos utilizem boletins de voto por correspondência em situações de doença, incapacidade, militares ou viagens – mas o voto postal universal não deve ser permitido porque é altamente suscetível a fraude", afirmou Wales.Baixo Risco de FraudeApesar da retórica presidencial, especialistas eleitorais e dados históricos indicam que a fraude no voto por correspondência é extremamente rara nos Estados Unidos.Os métodos de verificação de rotina e a natureza descentralizada do sistema eleitoral norte-americano tornam a interferência em larga escala nos boletins enviados pelo correio uma tarefa quase impossível.Esta não é a primeira vez que Donald Trump recorre a este método. O presidente já tinha votado através de absentee ballot (voto ausente) nas eleições intercalares de 2018. Em 2020, chegou a solicitar o boletim, mas acabou por optar por votar presencialmente.