Donald Trump já tinha votado através de 'absentee ballot' (voto ausente) nas eleições intercalares de 2018
Donald Trump já tinha votado através de 'absentee ballot' (voto ausente) nas eleições intercalares de 2018FOTO: US.gov

Trump vota por correspondência na Florida, método que classifica como fraude

O presidente dos EUA recorreu ao voto postal em eleição especial, na Florida, ao mesmo tempo que intensifica a retórica contra este método, que classifica como "trapaça".
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Donald Trump votou por correspondência na eleição do condado de Palm Beach, realizada esta terça-feira, 24 de março, para selecionar um senador estadual e um representante estadual. A notícia, avançada pela Reuters, é facilmente confirmada pela consulta aos registos públicos do condado.

A votação presidencial causou estranheza uma vez que ainda na última segunda-feira, o presidente dos EUA demonstrou ser contrário a este tipo de escrutínio. Durante uma mesa-redonda sobre criminalidade, em Memphis, Tennessee, Trump reiterou alegações, sem provas fundamentadas, de que o voto por correspondência é propício à fraude.

"Voto por correspondência significa trapaça por correspondência. É assim que lhe chamo, e temos de fazer algo em relação a isso. É uma questão de Segurança Interna", afirmou o chefe de Estado.

Pressão legislativa e exigências políticas

A utilização do voto postal por parte de Trump ocorre num momento em que está em curso um autêntico braço-de-ferro político no Congresso. O presidente instou os Republicanos a não aprovarem o financiamento do Departamento de Segurança Interna até que os democratas aceitem o SAVE America Act — uma proposta de lei que exige que os cidadãos apresentem prova de cidadania norte-americana no ato do registo eleitoral.

Além da questão do voto, Donald Trump procura incluir na legislação outras prioridades da sua agenda política e social. O presidente defende a proibição de mulheres transgénero em competições desportivas femininas e a interdição do que denomina como "mutilação transgénero de crianças". Adicionalmente, a proposta visa uma restrição severa do voto por correspondência, que passaria a ser permitido apenas em casos excecionais de doença, incapacidade, serviço militar ou deslocações inevitáveis.

Embora resida oficialmente na Casa Branca, Trump é residente registado em Palm Beach e participa regularmente nas eleições da Florida. Em resposta às críticas sobre a aparente contradição, a porta-voz da Casa Branca, Olivia Wales, esclareceu a posição da Administração por e-mail.

"Como o Presidente Trump tem afirmado, o SAVE America Act prevê exceções de senso comum para que os americanos utilizem boletins de voto por correspondência em situações de doença, incapacidade, militares ou viagens – mas o voto postal universal não deve ser permitido porque é altamente suscetível a fraude", afirmou Wales.

Baixo Risco de Fraude

Apesar da retórica presidencial, especialistas eleitorais e dados históricos indicam que a fraude no voto por correspondência é extremamente rara nos Estados Unidos.

Os métodos de verificação de rotina e a natureza descentralizada do sistema eleitoral norte-americano tornam a interferência em larga escala nos boletins enviados pelo correio uma tarefa quase impossível.

Esta não é a primeira vez que Donald Trump recorre a este método. O presidente já tinha votado através de absentee ballot (voto ausente) nas eleições intercalares de 2018. Em 2020, chegou a solicitar o boletim, mas acabou por optar por votar presencialmente.

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