O presidente dos Estados Unidos subiu a parada na quinta-feira ao ordenar que a Marinha ataque qualquer embarcação suspeita de minar o estreito de Ormuz, enquanto chegou à região um terceiro porta-aviões, George H.W. Bush, com 5500 homens e 75 aeronaves. E no Oceano Índico foi abordado um navio que transportava petróleo iraniano. De Teerão fez-se saber que terá recebido os primeiros rendimentos pela portagem aplicada aos navios que por ali transitam e de na véspera ter apresado dois porta-contentores graças à sua “frota mosquito”. Depois de várias mensagens que apontavam para um Donald Trump agastado com o impasse que criou, escreveu na sua rede social ter “todo o tempo do mundo”, algo que já disse e contradisse nos últimos dias. “Sou possivelmente a pessoa menos pressionada a ocupar esta posição. Tenho todo o tempo do mundo, mas o Irão não — o relógio está a contar!”, publicou no Truth Social. Horas antes, disse ter ordenado às suas forças para “disparar a matar” para qualquer embarcação que esteja a minar o estreito de Ormuz. Disse também que o trabalho de desminagem está a decorrer e quer que o ritmo seja triplicado. Mas também tinha afirmado na sexta-feira passada que o Irão tinha retirado ou estava a tirar as minas, com a ajuda dos EUA. .32Milhões de pessoas no mundo vão cair na pobreza devido aos efeitos da guerra, mesmo que esta acabe agora, disse o diretor do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Alexander De Croo..Na véspera, foi tornado público que a desminagem pode durar até seis meses, segundo estimativas do Pentágono. Em Londres, os ministros da Defesa do Reino Unido e de França reuniram-se para dar impulso a um plano militar para garantir a liberdade de navegação no estreito, uma vez acordado o fim das hostilidades..159Navios da Marinha do Irão e dos Guardas da Revolução foram destruídos, diz Trump. Mas estes últimos terão ainda entre centenas e 1500 lanchas rápidas que compõe a “frota mosquito”, assim chamada por atacar em enxame..O presidente dos EUA lembrou que o Irão enfrenta um problema de liderança desde que o guia supremo Ali Khamenei foi morto no primeiro dia de guerra. “O Irão está a ter muitas dificuldades em perceber quem é o seu líder! Eles simplesmente não sabem! A luta interna é entre os da ‘linha dura’, que têm estado a perder terrivelmente no campo de batalha, e os ‘moderados’, que na verdade não são nada moderados (mas estão a ganhar respeito!), é uma loucura!”, publicou Trump na rede Truth Social, um dia depois de mostrar otimismo quanto à hipótese de as negociações entre os dois países recomeçarem em breve. Mas foi o próprio chefe da delegação iraniana em Islamabad Bagher Ghalibaf — tido pelos EUA como o líder dos moderados — quem na véspera denunciou o bloqueio dos EUA como um fator impeditivo para a reabertura do estreito de Ormuz e das condições de confiança necessárias para o restabelecimento do diálogo. Na quarta-feira, a porta-voz da Casa Branca Karoline Leavitt disse que a administração acredita saber quem assinaria um acordo para acabar com a guerra. Khamenei rodeado de médicosEssa pessoa não será decerto o sucessor de Ali Khamenei, o filho Mojtaba, que ficou gravemente ferido no mesmo bombardeamento. Segundo o New York Times, que cita várias fontes iranianas, o novo líder ficou com o rosto e lábios com queimaduras graves, o que torna a fala difícil. Além disso, foi submetido a três intervenções cirúrgicas numa perna e aguarda uma prótese. Também foi operado a uma mão e está a recuperar o seu uso desta. Está, ainda assim, “vivo de espírito e ativo”, mas confirma-se que delegou os seus poderes de decisão aos generais dos Guardas da Revolução. Segundo ainda o jornal norte-americano, Khamenei está num local secreto, rodeado de uma equipa médica que inclui o presidente Massoud Pezeshkian, que é cirurgião, assim como o ministro da Saúde Mohammad-Reza Zafarghandi.O local pode ser secreto, mas Israel diz estar a postos para o matar. O ministro da Defesa Israel Katz afirmou numa mensagem em vídeo que o seu país está pronto e aguarda apenas instruções dos EUA para retomar a guerra. “Em primeiro lugar, para completar a eliminação da dinastia Khamenei, na origem do projeto de aniquilamento contra Israel, bem como dos potenciais sucessores da liderança do regime terrorista iraniano.” Há duas semanas, a declaração de Trump de que poderia “aniquilar uma civilização inteira” chocou meio mundo. Agora, o ministro da Defesa israelita diz que o seu país pode levar o Irão para a “idade da Pedra, atingindo as suas principais instalações energéticas e elétricas e destruindo as suas infraestruturas económicas nacionais”.Jornalista morta por IsraelA segunda ronda de negociações entre Israel e o Líbano aconteceu em Washington durante um cessar-fogo de dez dias com muitas violações de parte a parte. A reunião foi ensombrada pelo funeral da jornalista Amal Khalil, morta na véspera por um bombardeamento das forças israelitas na vila de Tayri, no sul do Líbano. Khalil, que trabalhava para o jornal Al Akhbar, alinhado com o Hezbollah, estava em reportagem com a repórter fotográfica Zeinab Faraj, a qual sobreviveu aos ferimentos. Segundo o Comité para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), Khalil pediu socorro ao exército libanês depois de ter ficado ferida, portanto as forças israelitas teriam sabido do ocorrido, mas a Cruz Vermelha esteve sete horas impedida de socorrer as duas mulheres. No início do mês, Israel matara outros três jornalistas libanesas. O CPJ atribui a Israel o assassínio de dois em três jornalistas em 2025. “Constituem crimes de guerra o alvejamento de jornalistas e a obstrução do acesso a eles das equipas de resgate, e depois o renovado alvejamento dessas equipas após a sua chegada”, criticou o primeiro-ministro libanês Nawaf Salam. E já a horas da reunião soube-se de mais um ataque aéreo israelita que matou três pessoas e feriu duas no sul do Líbano. Mas do lado israelita este acontecimento foi menorizado, tendo preferido referir não ter “desacordos sérios” com Beirute e apelado para “trabalhar em conjunto” contra o Hezbollah.