Após mais de 12 horas de silêncio na Truth Social, durante as quais o Irão disse ter suspendido as negociações com os EUA por causa das ameaças de Israel contra o Líbano, o presidente norte-americano anunciou que tinha falado com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e com o Hezbollah. De acordo com Donald Trump, o primeiro comprometeu-se a não enviar tropas para Beirute, enquanto os segundos aceitaram parar os ataques. “Concordaram que todos os disparos cessariam - que Israel não os atacaria e que eles não atacariam Israel”. .A dúvida era se isso ia acontecer na realidade e qual a reação de Teerão, com Trump a dizer numa segunda mensagem que “as negociações com a República Islâmica do Irão prosseguem a um ritmo acelerado”. Mais cedo, questionado pela NBC sobre o anúncio do Irão da suspensão das negociações, Trump tinha dito que não recebera qualquer comunicação oficial nesse sentido, lembrando que Teerão por vezes diz uma coisa publicamente, mas em privado a conversa é outra. “Acho que o silêncio seria muito bom”, acrescentou, A televisão estatal iraniana tinha revelado que Teerão tinha suspendido as negociações indiretas com os EUA por causa de novos ataques norte-americanos durante o fim de semana e a ameaça de Netanyahu de voltar a bombardear alvos do Hezbollah em Dahiyeh, nos arredores de Beirute - nunca houve a ameaça de as tropas israelitas entrarem na cidade ou que elas iam a caminho. Teerão avisou ainda que iria retaliar contra o norte de Israel caso estes ataques contra a capital libanesa avançassem. Enquanto isso, Trump mantinha o silêncio na sua redes social, depois de, durante a madrugada, voltar a escrever que o Irão “quer realmente fechar um acordo”. E acusar os críticos, quer democratas quer republicanos, de estarem a dificultar a situação ao exigir que ponha rapidamente fim à guerra ou que retome os ataques. “Relaxem, tudo vai correr bem no final - corre sempre!”, escreveu. .O cessar-fogo parecia por um fio por causa da situação no Líbano, onde Israel tem reforçado as suas operações militares terrestres e Netanyahu ameaçou voltar a atacar Beirute - no passado já tinha recuado diante da pressão de Trump. “Não haverá nenhuma situação em que o Hezbollah ataque as nossas cidades e os nossos cidadãos, e o seu quartel-general terrorista em Beirute, em Dahiyeh, continuará fora de alcance”, afirmou o líder israelita, desencadeando uma fuga da população. .Libaneses em fuga de Beirute: "Já não há muitos sítios para onde ir".Não é claro se o objetivo de Netanyahu não era mesmo pôr em risco o cessar-fogo entre os EUA e o Irão, que é o principal aliado do Hezbollah. O primeiro-ministro está sob pressão dos aliados e da oposição, para garantir que a guerra não foi em vão e que o grupo xiita libanês deixará de representar uma ameaça para Israel. Isto em ano de eleições legislativas onde joga o seu futuro.Após a mensagem de Trump, o líder da oposição, Yair Lapid, limitou-se a escrever no X: “Estado de protetorado pleno”, sugerindo que Israel não faz nada sem o aval dos EUA. Outro opositor, Avigdor Lieberman, disse ser “inaceitável” que o norte de Israel continue a ser atacado enquanto Netanyahu “aguarda aprovação de Trump” para atacar Dahiyeh. “Não somos uma república das bananas. Devemos arrasar Dahiyeh agora e não parar até deitarmos abaixo o último edifício.”Entretanto, segundo o site norte-americano Axios, o líder do parlamento libanês, o xiita Nabih Berri, teria dito à Administração de Trump que o Hezbollah estava preparado para um verdadeiro cessar-fogo e prometeu garantir a sua implementação. Há contudo dúvidas sobre se Berri conseguirá garantir o cumprimento da trégua com o grupo xiita libanês, sendo que em Israel soaram sirenes de mais um ataque do Hezbollah momentos antes da mensagem de Trump. As ameaças a Beirute estavam a criar problemas com o Irão. O chefe da diplomacia iraniano, Abbas Araghchi, tinha escrito no X: “O cessar-fogo entre o Irão e os EUA é inequivocamente um cessar-fogo em todas as frentes, incluindo no Líbano. A sua violação numa frente é uma violação do cessar-fogo em todas as frentes. Os EUA e Israel são responsáveis pelas consequências de qualquer violação”, escreveu..Também o líder do Parlamento e principal negociador com Washington, Mohammad Bagher Ghalibaf, usou a mesma rede social para avisar que “o bloqueio naval e a escalada dos crimes de guerra” israelitas no Líbano “são provas claras do incumprimento do cessar-fogo por parte dos EUA”. E deixar o aviso: “Todas as escolhas têm um preço e a conta está a chegar. Tudo se encaixará.”Também durante a manhã, o Comando Central dos EUA (CENTCOM, responsável pela operação no Irão) tinha anunciado ter intercetado dois mísseis balísticos iranianos que tinham como alvo as forças norte-americanas no Koweit. Os disparos surgiram depois de mais “ataques de autodefesa” dos EUA contra “radares iranianos e centros de comando e controlo de drones em Goruk e na Ilha de Qeshm” durante o fim de semana, em mais um teste ao cessar-fogo depois de episódios semelhantes na semana passada.“Os ataques calculados e deliberados ocorreram no sábado e no domingo em resposta às ações agressivas do Irão, que incluíram o abate de um drone MQ-1 dos EUA que operava sobre águas internacionais”, disse o CENTCOM em comunicado. “Os caças americanos responderam prontamente, eliminando as defesas aéreas iranianas, uma estação de controlo terrestre e dois drones de ataque unidirecional que representavam ameaças claras para os navios que transitavam pelas águas regionais.”