O presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, surgiram este domingo lado a lado em Mar-a-Lago, em conferência de imprensa conjunta demonstrando sintonia sobre o plano de paz para a Ucrânia que o líder ucraniano levou à discussão à residência de verão do atual inquilino da Casa Branca. Após uma reunião de aproximadamente três horas e meia, ambos os líderes afirmaram que a conclusão das negociações está agora mais próxima do que nunca.Donald Trump, que foi o primeiro a falar aos jornalistas no final do encontro, e após uma videochamada com líderes europeus -- que incluíram a presidente da comissão europeia, Ursula von der Leyen, e o secretário-geral da NATO, Mark Rutte -- descreveu o diálogo como uma "excelente conversa" com "líderes excelentes". O presidente norte-americano, que já tinha conversado por telefone com Vladimir Putin horas antes de receber a delegação ucraniana, sublinhou a força da sua equipa de negociação. "Tivemos uma discussão sobre todos os aspetos. Temos uma delegação de pessoas muito fortes", afirmou, acrescentando que acredita existir uma "boa hipótese de atingir os objetivos" estabelecidos."Consenso militar absoluto"Também Volodymyr Zelensky apresentou-se visivelmente otimista, revelando que os dois países estão agora "praticamente a 100% de acordo" nos pontos fundamentais do plano de paz de 20 pontos. O líder ucraniano foi ainda mais específico quanto à vertente de segurança: "Na dimensão militar, estamos a 100% de acordo", garantiu, referindo-se provavelmente às garantias de segurança e à manutenção de uma força militar robusta.Zelensky fez questão de dirigir um agradecimento especial a figuras-chave do círculo de Trump, nomeadamente Jared Kushner e Steve Witkoff, pelo papel desempenhado na facilitação do diálogo. "Tivemos uma grande discussão sobre todos os tópicos", afirmou, reiterando que "a Ucrânia está preparada para a paz", mas enfatizando que esta deve ser uma "paz duradoura" -- dizendo mesmo que esta ideia é partilhada pelos EUA.Próximos passos e a rota europeiaApesar do otimismo, o acordo ainda não está selado. Trump indicou que as conversações continuarão intensamente, afirmando: "Vamos falar nas próximas semanas". Por sua vez, Zelensky sublinhou que os detalhes e a implementação do plano serão agora levados aos aliados deste lado do Atlântico. "Vai ser discutido nas próximas semanas com os líderes europeus", acrescentou o presidente ucraniano, salvaguardando a necessidade de um apoio continental unido para validar os termos da paz.O grupo de trabalho "depois irá trabalhar com a Rússia", acrescentou Trump.O trabalho pela frente é complexo. "É ainda possível que o acordo não se consiga", salvaguardou Trump. "Mas acredito que vai acontecer".O mundo aguarda agora os desenvolvimentos de janeiro, com a expectativa de que o corredor diplomático entre Washington, Kiev e Moscovo possa finalmente silenciar as armas.Otimismo à entrada.Logo à entrada para a reunião, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, demonstrou confiança e otimismo momentos antes de se reunir com o seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, na residência de Mar-a-Lago. O encontro, focado num plano de paz de 20 pontos, visa encontrar uma saída célere para a guerra, com Trump a sublinhar, em conferência de imprensa improvisada ao lado do seu homólogo, que "ambos querem resolver isto rapidamente".À entrada da reunião, que viria a demorar três horas e meia, Trump destacou o impacto positivo que um acordo poderá ter no futuro do país europeu. "Há grandes benefícios económicos para a Ucrânia, também. Poderemos trazer grandes benefícios económicos para a Ucrânia", afirmou aos jornalistas. Sobre o progresso militar, o presidente norte-americano, quando questionado sobre os ataques russos dos últimos dias, fez questão de referir que também as forças de Kiev agem militarmente sobre a Rússia. Mas logo clarificou: "Não estou a dizer isto de forma negativa".Zelensky, por seu lado, reforçou que o plano de 20 passos que irá ser discutido este domingo é fruto de um trabalho conjunto entre as equipas de ambos os países e que este encontro representa "mais um passo para as negociações que podem trazer a paz o mais rapidamente possível". O líder ucraniano salientou a importância de uma estratégia faseada para garantir a "prosperidade e a segurança a longo prazo".Segurança e a Zona DesmilitarizadaNo centro das conversações está a definição de uma arquitetura de segurança que garanta a estabilidade da região. O plano prevê a criação de uma zona desmilitarizada no leste do país, que passaria a funcionar como uma "zona económica livre" sob supervisão internacional, condicionada à retirada mútua de tropas. Além disso, as negociações contemplam a manutenção de um exército ucraniano de 800 mil efetivos e garantias de segurança robustas -- descritas por alguns interlocutores como semelhantes ao Artigo 5.º da NATO..Em Mar-a-Lago vão discutir-se 20 pontos que poderão mudar o rumo da guerra.Reconstrução e monitorizaçãoA vertente económica e logística também assume um papel preponderante, com propostas para um investimento macivo na reconstrução das infraestruturas de gás e minerais da Ucrânia, envolvendo diretamente empresas norte-americanas. O rascunho dos 20 pontos inclui ainda um mecanismo de monitorização por satélite para o cessar-fogo e a criação de um "Conselho de Paz" que integraria representantes de Washington, da Europa e da Rússia. Está igualmente em cima da mesa a realização de um referendo nacional sobre os pontos mais sensíveis do acordo, que poderá ser precedido por uma trégua temporária de 60 dias para permitir a votação.A urgência da paz e os ativos russosUm dos pontos de maior pressão abordados por Trump foi a gestão dos ativos russos congelados, uma questão que espera ver solucionada sem demoras. O líder norte-americano, à porta da residência de Mar-a-Lago, alertou para a gravidade da situação humanitária caso o impasse persista: "Espero que isso se vá resolver rapidamente, se não muitos milhares, milhões de pessoas vão morrer. E ninguém quer isso"..Trump diz que teve conversa "produtiva" com Putin antes de receber Zelensky