Enquanto Donald Trump diz ainda não ter analisado a formulação exata de uma nova proposta de paz apresentada pelo Irão, mas adiantando que é improvável que a aceite porque os iranianos ainda não pagaram “um preço suficientemente elevado”, os EUA parecem estar a abrir uma nova frente de batalha, desta vez (ou mais uma vez) com os aliados da NATO, ao anunciar que vão retirar 5000 militares da Alemanha nos próximos seis a 12 meses.O anúncio desta redução de tropas na Alemanha, onde fica a maior base dos EUA na Europa, foi feito na sexta-feira pelo Pentágono, com o presidente norte-americano a revelar no dia seguinte que “vamos reduzir drasticamente, e vamos cortar muito mais do que 5000”. Decisão que surge numa altura em que a guerra no Irão tem vindo a causar altos níveis de pressão na relação entre Europa e Estados Unidos, com Donald Trump a acusar os líderes europeus (a maioria deles de países da NATO) de falta de apoio no conflito contra Teerão. A vontade de Trump de reduzir o efetivo norte-americano na Alemanha já vem do seu primeiro mandato, mas ganhou novas proporções depois de na última segunda-feira o chanceler alemão, Friedrich Merz, ter questionado se os EUA têm “uma estratégia verdadeiramente convincente” para as negociações com o Irão, quando há uma aparente estagnação nas conversações para a paz. Reagindo ao anúncio dos Estados Unidos, o ministro da Defesa alemão afirmou que a retirada parcial dos soldados norte-americanos era previsível, mas que o anúncio do Pentágono deixa claro que a Europa deve assumir mais responsabilidade para garantir a própria segurança.“É claro: no seio da Organização do Tratado do Atlântico Norte temos de nos tornar mais europeus para podermos continuar a ser transatlânticos. Por outras palavras: nós, europeus, temos de assumir uma maior responsabilidade pela nossa própria segurança”, assinalou Boris Pistorius em comunicado, assegurando que, em todas as tarefas futuras, Berlim vai coordenar estreitamente com os seus aliados, especialmente no âmbito do Grupo dos Cinco, ou seja, com o Reino Unido, França, Polónia e Itália.Mesmo assim, Pistorius recordou que “a presença de soldados norte-americanos na Europa, e especialmente na Alemanha, é do interesse tanto da Alemanha como dos EUA”, considerando que retirar cerca de 5000 soldados é número limitado em comparação com os “quase 40.000 que estão estacionados na Alemanha”.Neste sentido, o ministro alemão referiu que EUA e Alemanha estão a trabalhar em estreita colaboração na base aérea de Ramstein, no sudoeste, em Grafenwöhr, no sudeste, em Frankfurt, no oeste, e noutros locais “pela paz e segurança na Europa, pela Ucrânia e pela dissuasão conjunta”. E que, ao mesmo tempo, para Washington, as suas bases na Alemanha são igualmente importantes, uma vez que “ali se concentram outras funções militares, por exemplo, para os seus interesses de política de segurança em África e no Médio Oriente”.Mas as ameaças de Donald Trump sobre a retirada de tropas da Europa não se ficaram por aqui, prometendo fazer o mesmo em Itália e Espanha. “Porque não o faria? A Itália não nos tem ajudado em nada, e Espanha tem sido horrível, absolutamente horrível”, afirmou o presidente dos EUA no final da semana. “Quando precisámos deles, não estavam lá. Temos de nos lembrar disso”.Na semana passada, um memorando interno do Pentágono, citado pelos media internacionais, sugeria ainda que Washington estava a considerar suspender a Espanha da NATO devido à sua posição sobre a guerra contra o Irão. De recordar que a Espanha alberga o terceiro maior número de tropas norte-americanas na União Europeia (cerca de 3200), a seguir à Alemanha (cerca de 40.000) e à Itália (aproximadamente 12.000).Face a estas ameaças, a NATO revelou este fim de semana que está “a colaborar com os Estados Unidos para compreender melhor os detalhes da sua decisão relativa ao dispositivo militar na Alemanha”. “Este ajustamento reforça a necessidade de a Europa continuar a investir mais em defesa e a assumir uma maior parte da responsabilidade pela nossa segurança comum”, afirmou no X a porta-voz da NATO, Allison Hart, sublinhando que os aliados da NATO fizeram progressos desde que concordaram, no ano passado, em investir 5% do PIB em defesa para fazer face à crescente ameaça da Rússia. Membros republicanos do Congresso dos Estados Unidos também se mostraram “muito preocupados” face a esta mais recente jogada de Donald Trump contra os aliados europeus, com o senador Roger Wicker e o congressista Mike Rogers, presidentes das comissões de Serviços Armados do Senado e da Câmara dos Representantes, respetivamente, a afirmarem num comunicado conjunto que as tropas não deveriam ser retiradas da Europa, mas sim deslocadas para leste, e que a redução das forças norte-americanas na Europa “corre o risco de minar a dissuasão e enviar um sinal errado a Vladimir Putin”.Os dois republicanos notaram ainda que qualquer mudança significativa na presença militar dos EUA na Europa deve ser analisada e coordenada com o Congresso e os aliados dos EUA. “Esperamos que o Departamento [de Defesa] se mobilize junto dos seus comités de supervisão nos próximos dias e semanas para discutir esta decisão e as suas implicações para a dissuasão dos EUA e a segurança transatlântica”, disseram ainda.O secretário de Estado norte-americano, por seu turno, estará em Roma na quinta e sexta-feira. Segundo o Corriere della Sera, a viagem de Marco Rubio tem como objetivo “descongelar” as relações tensas com Roma e o Vaticano, missão descrita pelo jornal como “não impossível, mas complicada”. Rubio deverá encontrar-se em Roma com o secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin, e com Antonio Tajani, vice-primeiro-ministro italiano e ministro dos Negócios Estrangeiros. Foi ainda referido pelos media italianos que Rubio terá solicitado um encontro com Giorgia Meloni, mas o pedido ainda não foi atendido. Uma fonte do Vaticano disse ontem à Reuters que Rubio poderá reunir-se na quinta-feira com o papa. .Trump contraria Rubio e assume ter decidido ataque em resultado da sua convicção.Trump diz que Merz deve passar "menos tempo a interferir" no conflito com o Irão