O Presidente norte-americano, Donald Trump.
O Presidente norte-americano, Donald Trump.EPA/SAMUEL CORUM / POOL

Trump garante que EUA controlam estreito de Ormuz embora Irão mantenha a passagem fechada

“Acho que vamos manter esse controlo!” e “não há nada que o Irão possa fazer a esse respeito”, escreveu o presidente norte-americano na sua rede social.
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O Presidente norte-americano, Donald Trump, garantiu esta quarta-feira, 12 de agosto, que os Estados Unidos (EUA) têm “controlo total” sobre o estreito de Ormuz, embora a passagem continue fechada pelo Irão ao tráfego marítimo.

“Acho que vamos manter esse controlo!”, escreveu Trump na sua rede social, a Truth Social, acrescentando que o bloqueio naval norte-americano aos navios e portos iranianos prossegue e que “não há nada que o Irão possa fazer a esse respeito”.

O líder republicano de 80 anos reiterou uma vez mais que Teerão não tem Marinha, Força Aérea e que “os soldados que restam não são pagos”.

“A Guarda Revolucionária Islâmica está dizimada e em fuga, e a sua liderança é, na melhor das hipóteses, incerta! Não têm dinheiro — o país está arruinado. Tudo o que têm são notícias falsas e uma inflação de 300%, e a situação está a piorar!”, prosseguiu Trump na mesma mensagem.

As declarações do Presidente norte-americano surgem num momento em que as negociações entre os dois países estão estagnadas e após várias trocas de ataques que violaram o memorando de entendimento assinado em junho passado entre Washington e Teerão.

Trump sinalizou recentemente que ia apostar sobretudo na pressão económica a longo prazo sobre Teerão, afastando, neste momento, potenciais novos ataques contra a República Islâmica.

Aquando da suspensão da última ofensiva norte-americana, no início de agosto, vários órgãos de comunicação social dos Estados Unidos noticiaram que Washington estava a atravessar uma escassez nas reservas de mísseis.

Trump admitiu na semana passada que as forças destacadas no Médio Oriente enfrentavam uma escassez de alguns tipos de armamento, mas garantiu que tinham munições suficientes para a guerra contra o Irão.

Apesar do hiato nas hostilidades entre iranianos e norte-americanos, uma nova frente de conflito está a ameaçar a região devido aos contínuos ataques dos rebeldes huthis do Iémen a navios e interesses sauditas e do Governo iemenita reconhecido internacionalmente.

Na terça-feira, um duplo ataque a um navio de bandeira alemã matou pelo menos seis pessoas, três das quais eram cidadãos paquistaneses.

O ministro dos Negócios Estrangeiros paquistanês, Ishaq Dar, condenou esta quarta-feira o ataque perpetrado pelos rebeldes pró-iranianos contra o navio perto do estreito de Bab el-Mandeb, afirmando que três cidadãos do Paquistão tinham sido mortos no ataque e que outro tinha ficado ferido.

"Tais ataques colocam em risco vidas inocentes, constituem uma violação do direito internacional e representam uma grave ameaça à liberdade de navegação, à segurança marítima e à segurança da navegação comercial no mar Vermelho", afirmou Ishaq Dar numa publicação na rede social X.

O chefe da diplomacia paquistanesa reuniu-se esta quarta-feira com o embaixador iraniano Reza Amiri Moghadam em Islamabad, numa altura em que o Paquistão, país mediador do conflito, procura retomar as negociações de paz entre o Irão e os EUA.

O encontro ocorreu um dia depois de Islamabad ter enviado o ministro do Interior, Mohsin Naqvi, a Teerão para conversações com os principais líderes iranianos.

O memorando de entendimento firmado em junho passado, que proponha o fim do conflito e previa 60 dias para negociar o programa nuclear iraniano, expira na próxima segunda-feira.

O cessar-fogo colapsou no mês passado, quando Washington e Teerão trocaram ataques durante mais de duas semanas antes de fazerem uma pausa.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros paquistanês, Tahir Andrabi, disse esta quarta-feira aos jornalistas que o acordo de junho continua válido e que o prazo poderá ser prorrogado.

As negociações ficaram num impasse devido ao controlo exercido pelo Irão sobre o estreito de Ormuz, por onde passava cerca de um quinto do petróleo comercializado a nível mundial antes da guerra.

Com o estreito de Ormuz efetivamente encerrado pelo Irão e um bloqueio norte-americano aos portos iranianos, tem havido uma atenção centrada no mar Vermelho e no estreito de Bab el-Mandeb, na ponta sul do Iémen.

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