Trump diz que o cessar-fogo com o Irão terminou

Segundo dia da cimeira da NATO marcado por novas ameaças de Donald Trump à Gronelândia e por uma nova série de ataques das forças norte-americanas contra alvos iranianos,
Donald Trump na cimeira da NATO em Ancara
Donald Trump na cimeira da NATO em AncaraFILIP SINGER/EPA

Trump considera cessar-fogo com Irão terminado

Donald Trump assegura que, na sua opinião, o cessar-fogo com o Irão está “acabado”.

"Para mim, acabou. Falo com os meus negociadores, eles querem negociar com gente boa", disse esta manhã em Ancara, onde decorre a cimeira da NATO, acrescentado que do lado do Irão o que encontra é "escumalha", "pessoas doentes, cruéis e violentas que se tivessem uma arma nuclear, usá-la-iam”.

Para o presidente dos Estados Unidos, os negocadores podem manter conversações mas, na sua opinião, trata-se de "uma perda de tempo negociar com mentirosos”.

Trump insiste na Gronelândia e no ataque aos países que recusaram ceder bases militares

Donald Trump voltou a abordar hoje a questão da Gronelândia, assumindo que é um “grande problema”, que é “muito importante para os Estados Unidos e não é importante para a Dinamarca”.

O Presidente dos Estados Unidos alegou que, quando a Dinamarca foi “atropelada pelos nazis em menos de um dia” durante a Segunda Guerra Mundial, pediu aos Estados Unidos para “tomarem conta da Gronelândia”.

“E nós ficámos com a Gronelândia e depois, estupidamente, devolvemo-la, porque nós é que precisamos da Gronelândia. Nós precisamos da Gronelândia para proteger o mundo, não apenas os Estados Unidos”, afirmou, acrescentando que nunca teria devolvido a Gronelândia à Dinamarca.

“E também não teria devolvido o canal do Panamá”, acrescentou.

Descontente com a NATO

Donald Trump voltou ainda a afirmar que está “muito descontente” com a NATO devido à postura que países como a França, Alemanha, Itália ou Reino Unido adotaram perante a guerra no Irão, ao recusarem ceder bases militares às Forças Armadas norte-americanas.

“Ninguém quis ajudar, a não ser alguns países mais pequenos, porque são mais vulneráveis. Foi a única razão pela qual quiseram ajudar”, considerou.

Trump assegurou que irá transmitir aos restantes líderes os seus “problemas”, apesar de reiterar que gosta dos chefes de Estado e de Governo europeus.

“Acho que não trataram bem os Estados Unidos durante muitos anos, mas pronto, são pessoas sãs, racionais e boas pessoas, pelo menos a maior parte”, disse.

Trump ameaça cortar “todas as relações comerciais” com Espanha, um país governado por “pessoas más”

O Presidente dos Estados Unidos afirmou hoje que vai cortar “todas as relações comerciais” com a Espanha, considerando que é um “parceiro terrível” da NATO e um país governado por “pessoas más”.

Em declarações aos jornalistas num evento com o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, à margem da cimeira da Aliança Atlântica, em Ancara, Donald Trump renovou as críticas à Espanha, que acusou de ser um “parceiro terrível”.

“Não participam [na NATO], não pagam. Eu não quero ter nada a ver com a Espanha. Corta todas as relações com a Espanha, se faz favor, incluindo visitas, ok?”, disse Trump, dirigindo-se ao secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent.

O Presidente dos Estados Unidos considerou que, quando essas restrições forem impostas, a Espanha vai “voltar a correr” para os braços dos norte-americanos e reiterou que quer cortar “qualquer relação comercial” com aquele país.

“São um caso perdido, são más pessoas. Todos estão a pagar e a trabalhar, mas Espanha é abertamente hostil. Vamos ver se continuam a ser hostis quando ligarem a dizer ‘por favor, por favor, queremos fazer comércio convosco, senhor’. Ganham tanto dinheiro connosco e vamos garantir que passam a ganhar muito menos”, afirmou.

No ano passado, durante a cimeira de Haia, o Presidente dos Estados Unidos já tinha ameaçado cortar as relações comerciais com Espanha, após o presidente do executivo espanhol, Pedro Sánchez, ter recusado cumprir a meta de dedicar 5% do PIB à Defesa.

Anúncio de fim de cessar-fogo faz Brent disparar 5,92% e ultrapassar 78 dólares

O preço do barril de Brent, referência para a Europa, voltou hoje a ultrapassar os 78,5 dólares, subindo acima de 5,92%, após o anúncio do fim do cessar-fogo entre EUA e Irão, pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.

Cerca das 09:45 em Lisboa, o barril de Brent do Mar do Norte era negociado a 78,55 dólares, numa subida de 5,92% face à véspera e mais 4,39 dólares.

Já o WTI para entrega em agosto, referência para os EUA, subia 5,32%, para 74,19 dólares.

Donald Trump, afirmou hoje que o cessar-fogo com o Irão acabou e apelidou os líderes iranianos de “escumalha” e mentirosos.

Chanceler alemão nega qualquer possiblidade da Rússia vencer a guerra

O chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou hoje que a Rússia "não tem qualquer possibilidade" de vencer a guerra contra a Ucrânia, durante a cimeira da NATO, que se realiza em Ancara.

"A Rússia não tem qualquer hipótese de vencer esta guerra. Não alcançarão os seus objetivos nesta guerra e quanto mais cedo esta terminar, melhor para a Europa, melhor para a Rússia e melhor para a paz mundial", afirmou Merz, à chegada ao Complexo Presidencial de Beştepe para o segundo dia da cimeira da NATO.

"O fim da guerra depende da Rússia", enfatizou o chanceler alemão, sublinhando que o encontro em Ancara enviará uma mensagem clara a Moscovo.

O chanceler alemão reafirmou o apoio da Aliança Atlântica à Ucrânia, numa altura em que Berlim promove uma iniciativa europeia para auxiliar Kiev com 70 mil milhões de euros este ano e no próximo.

Merz disse ainda esperar que a cimeira de Ancara fomente um "espírito que fortaleça" a NATO.

O líder alemão sublinhou que os parceiros da Aliança cumpriram os acordos alcançados no ano passado em Haia.

"Na sua maioria, entre os Estados-membros da União Europeia (UE) e da NATO, melhorámos significativamente os nossos esforços. Vamos discutir isso hoje. Vamos tornar a NATO mais europeia para que possa manter-se transatlântica", enfatizou.

O chanceler alemão citou como exemplo destes esforços a decisão do Canadá de adquirir 12 submarinos avançados Tipo 212 CD à empresa alemã TKMS, desenvolvidos em cooperação com a Noruega, no âmbito de um programa de modernização da força naval avaliado em até 30,75 mil milhões de euros.

Starmer espera que Aliança mostre “unidade e força”

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, defendeu hoje que a NATO deve demonstrar “unidade e força” no atual contexto internacional, considerando que a cimeira que hoje se realiza em Ancara é “muito importante” perante os conflitos mundiais.

“É muito importante que nós, enquanto líderes, mostremos a unidade e a força da NATO num momento como este. E é isso que faremos nesta cimeira”, afirmou Keir Starmer em declarações aos jornalistas à chegada à cimeira dos chefes de Estado e de Governo da NATO, em Ancara, naquela que é a sua última participação numa reunião da Aliança Atlântica enquanto primeiro-ministro britânico, após ter anunciado a sua demissão em 22 de junho.

“Há muitas questões importantes para discutirmos e concordarmos na cimeira”, afirmou, numa breve declaração sem respostas a jornalistas.

Meloni confirmou apoio de Itália à Ucrânia em reunião com Zelensky

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, reuniu-se hoje com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky e confirmou que Itália continuará a prestar assistência ao povo ucraniano.

"Durante a reunião, a Itália reiterou seu firme compromisso com a Ucrânia e com um processo que leve a uma paz justa e duradoura", disse o governo italiano, em comunicado.

Meloni confirmou a Zelensky "que Itália continuará a prestar assistência ao povo ucraniano, “com especial atenção às medidas destinadas a fortalecer a resiliência da infraestrutura energética, que foi severamente danificada pelos ataques russos", referiu a nota.

Primeiro-ministro português espera que interesses nacionais de segurança marítima sejam assegurados

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, realçou hoje que Portugal está numa “trajetória de cumprimento” dos objetivos assumidos na NATO, esperando que os seus interesses no âmbito da “segurança marítima” do Atlântico sejam acautelados pelos restantes aliados.

Luís Montenegro em Ancara
Luís Montenegro em AncaraNECATI SAVAS/EPA

“Portugal está à altura da sua responsabilidade enquanto parceiro e, naturalmente, também espera que, no âmbito da Aliança, os nossos interesses possam ser acautelados, nomeadamente no que diz respeito à segurança marítima, que é uma área na qual temos redobrado empenho na defesa do nosso território, e também na defesa do interesse de toda a Aliança Atlântica”, realçou Luís Montenegro, à chegada à cimeira da NATO, que decorre em Ancara, capital da Turquia.

Na opinião do primeiro-ministro, esta reunião de chefes de Estado e de Governo dará “sequência ao reforço do pilar europeu dentro da NATO e dos compromissos de investimento de todos os países da Europa, no âmbito do qual Portugal tem vindo a assumir também a sua responsabilidade”.

O governante realçou que Portugal terminou o ano de 2025 cumprindo o objetivo de ter um investimento em Defesa superior a 2%, que se fixou nos 2,01%, salientando que tal só foi possível “através de um esforço adicional”.

“Estamos numa trajetória de cumprimento, o que acontece pela primeira vez desde 2014. Isso significa que, a par daquilo que são as nossas missões e a integração em muitas operações no âmbito da NATO, como acontece hoje na Roménia, na Eslováquia, na Lituânia”, enumerou.

Donald Trump na cimeira da NATO em Ancara
Portugal registou em 2025 maior aumento anual da despesa em Defesa da última década

Montenegro convicto que integridade da Dinamarca “não está em causa”

O primeiro-ministro português manifestou-se hoje convicto de que a integridade territorial da Dinamarca não “está em causa”, apesar das ameaças de Donald Trump sobre a Gronelândia, e rejeitou que o Presidente dos Estados Unidos tenha rancor com a Aliança.

Em declarações aos jornalistas à chegada à cimeira dos chefes de Estado e de Governo da NATO, em Ancara, Luís Montenegro frisou que, se a Aliança tem um compromisso de “garantir a integralidade territorial de todos os Estados-membros da NATO face a países externos e terceiros”, isso também se deve aplicar a casos internos.

“E creio que, independentemente das declarações e do contexto em que elas foram proferidas, não estará em causa, de maneira nenhuma, a integralidade territorial de nenhum Estado-membro da NATO, incluindo, naturalmente, a Dinamarca”, afirmou.

Questionado se manifesta assim solidariedade com Copenhaga, após Donald Trump ter esta terça-feira, à chegada a Ancara, novamente insistido que a Gronelândia deve pertencer aos Estados Unidos, Montenegro respondeu: “Solidariedade com Copenhaga, solidariedade com o princípio de salvaguarda da integralidade territorial de todos os Estados-membros”.

“Repito, se o fazemos com um contexto externo, é óbvio que, em primeiro lugar, devemos salvaguardá-lo também no contexto interno”, reforçou.

Interrogado se acha que existe efetivamente algum rancor de Donald Trump para com a NATO, o primeiro-ministro respondeu: “Creio que não”.

“Naquilo que eu já me pude aperceber dos trabalhos até ao momento, não me parece que haja razão para dizer isso”, afirmou.

Dinamarca preparada para defender “cada centímetro” da Gronelândia

A primeira-ministra da Dinamarca reiterou hoje que a Gronelândia “não está à venda”, após novas ameaças do Presidente dos Estados Unidos da América, e disse estar preparada para defender “cada centímetro” da NATO, incluindo a Gronelândia.

À chegada ao segundo dia da cimeira da NATO, a governante dinamarquesa foi questionada pela imprensa sobre o facto de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter voltado a insistir, no primeiro dia da reunião, que a Gronelândia, território autónomo da Dinamarca, deveria ser controlado por Washington, sugerindo novamente que pode retirar “todas as tropas” da Europa.

Mette Frederiksen reiterou que a Gronelândia, território semiautónomo da Dinamarca, “não está à venda” e disse esperar que “todos os aliados respeitem o direito do povo gronelandês à autodeterminação”.

“Somos um povo soberano e precisamos que todos respeitem a nossa integridade territorial”, acrescentou.

Interrogada sobre se a Dinamarca está preparada para defender militarmente a Gronelândia caso tal seja necessário, a governante respondeu: “Estamos preparados para defender cada centímetro da NATO, incluindo o nosso território”.

Mette Frederiksen lembrou que uma das razões pelas quais a Aliança Atlântica foi construída foi porque “se algo acontecer a um de nós, todos devem defender os restantes”, tal como está estabelecido no artigo 5.º do Tratado da organização.

A primeira-ministra salientou que o artigo 5.º aplica-se ao flanco leste da NATO, com a guerra que é travada na Ucrânia, serviu para os EUA nos ataques terroristas do 11 de setembro e servirá para a Gronelândia “se algo acontecer”.

Sobre se acha que os EUA estão comprometidos com o artigo 5.º, Frederiksen respondeu: “Não ouvi que os EUA não estejam comprometidos”.

“Eu não seria capaz de assegurar o meu povo sem a NATO e acho que o mesmo serve para os EUA. É por causa da NATO que o nosso povo transatlântico pode estar em segurança e isso vai manter-se no futuro”, acrescentou.

Frederiksen começou a sua declaração por salientar que o mundo se tornou “mais inseguro” e é necessária uma NATO “mais forte”.

A governante considerou prioritário “rearmar a Europa”, ter uma “base industrial mais forte na Europa e transatlântica nos EUA” e reforçar o apoio à Ucrânia.

“Penso que todos sabemos que são tempos difíceis e, por isso, a nossa união neste mundo é mais importante do que nunca”, salientou.

Antes, também à chegada, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, considerou que se está a assistir a uma alteração nas responsabilidades na Aliança, com um reforço por parte de europeus e do Canadá.

O governante salientou que esta mudança nos encargos assumidos no âmbito da NATO, com uma redução do investimento por parte dos EUA, também era defendida por Barack Obama e “é apropriado”.

Sobre os ataques norte-americanos a alvos iranianos, Carney apontou que o Irão tem agido de forma irresponsável e houve uma "resposta apropriada".

Secretário-geral da NATO considerou ataques dos EUA "absolutamente necessários"

O secretário-geral da Aliança Atlântica, Mark Rutte, considerou hoje os últimos ataques norte-americanos no Irão como "absolutamente necessários".

"Penso que foi absolutamente necessário (...). Penso que é absolutamente crucial que os Estados Unidos reajam com firmeza", afirmou holandês à comunicação social em Ancara, no ínício do segundo dia da cimeira da NATO.

O Comando Central dos EUA (Centcom, na sigla em inglês) confirmou na terça-feira ataques contra mais de 80 alvos em território iraniano, na sequência de disparos contra três navios comerciais no Estreito de Ormuz.

Segundo o Centcom, mais de 60 pequenas embarcações da Guarda da Revolução Islâmica do iranianas foram atacadas "para reduzir a capacidade do Irão de continuar a atacar o comércio internacional que flui através do corredor comercial internacional".

Donald Trump na cimeira da NATO em Ancara
EUA lançam novos ataques contra alvos iranianos. Irão ameaça retaliar "de forma decisiva"

O secretário-geral afirmou ainda que espera que os Aliados da NATO reafirmem "que o Irão não deve, em caso algum, adquirir capacidade nuclear".

A afirmação, segundo diplomatas da Aliança, que a AFP não identificou, corresponde ao conteúdo da declaração final da cimeira da NATO, que deverá ser aprovada na quinta-feira, no segundo e último dia da cimeira.

"O princípio da liberdade de navegação deve ser respeitado, para que o Estreito de Ormuz volte a estar totalmente aberto", acrescentou Rutte.

Acompanhe aqui tudo o que se passa na cimeira da NATO

Oo investimento em Defesa, o reforço da produção industrial e o apoio à Ucrânia são os assuntos a discutir até quarta-feira no Palácio Presidencial de Ancara, na Turquia, na cimeira da NATO. Um encontro que decorre numa altura de tensão entre a Europa e os EUA, com a administração norte-americana liderada pelo republicano Donald Trump a recuar no seu investimento no âmbito da Aliança Atlântica e depois de as forças armadas norte-americanas terem lançado uma nova série de ataques contra alvos iranianos, em retaliação por a República Islâmica ter atingido três navios mercantes em águas próximas de Omã.

As autoridades do Bahrein e do Kuwait denunciaram hoje ataques com mísseis iranianos na mesma altura em que a Guarda Revolucionária do Irão confirmava o disparo de mísseis contra instalações norte-americanas nos dois estados.

No Bahrein está baseada a 5.ª Frota da Marinha dos Estados Unidos e no Kuwait as forças norte-americanas mantêm bases e instalações militares.  

Donald Trump na cimeira da NATO em Ancara
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