A chegada de JD Vance à estância suíça
A chegada de JD Vance à estância suíçaURS FLUEELER/EPA

Trump ameaça voltar a atacar o Irão "com mais força" se não travar Hezbollah no Líbano

Negociações para um acordo definitivo estão ensombradas pela continuação de ataques israelitas no Líbano. JD Vance saúda "encontro histórico" na Suíça.
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Pouco depois de o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, ter considerado, na Suíça, onde decorrem negociações com vista a um acordo de paz definitivo com o Irão, haver alguns progressos nas conversações, o presidente norte-americano ameaçou voltar a atacar o país.

"O Irão deve impedir imediatamente que os seus bem pagos PROXIES [aliados] no Líbano causem problemas. Se não o fizerem, voltaremos a atacar o Irão com muita força, tal como fizemos na semana passada, só que com mais força!!!", disse numa publicação na rede social Truth Social fazendo referência ao Hezbollah.

Poucos minutos antes, o seu vice-presidente tinha dito aos jornalistas estar satisfeito com a situação no Líbano. "Ainda há trabalho a fazer, mas vamos continuar a trabalhar nisso", admitiu. Lembrando que Donald Trump se tinha comprometido em conseguir um "cessar-fogo regional completo", JD Vance, considerou: "Vimos um grande progresso nos últimos dois dias".

“A abertura do estreito de Ormuz, o fim do programa nuclear iraniano, estas coisas já foram feitas”, afirmou. “A questão agora é quanto mais podemos alcançar juntos. Podemos mudar as relações no Médio Oriente de forma permanente, ou voltamos a fazer as coisas como sempre aconteceu, o que não é a nossa preferência, mas certamente algo que pode acontecer”, avisou.

O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, chegou na madrugada deste domingo, 20 de junho, à Suíça para o arranque das negociações do acordo de paz definitivo com o Irão, cuja delegação chegou no sábado. Um processo que começa com alguns dias de atraso em relação ao previsto – as negociações pós memorando de entendimento estavam inicialmente agendadas para sexta-feira – e ofuscado pelo anúncio das autoridades iranianas de que tinham voltado a bloquear o Estreito de Ormuz e pela continuação de ataques israelitas no sul do Líbano.

A delegação americana, que inclui ainda o enviado Steve Witkoff e o genro do presidente Donald Trump, Jared Kushner, espera que as negociações durem alguns dias, segundo afirmou JD Vance à partida para a Suíça. "Espero que façamos progressos na questão nuclear e no cessar-fogo no Líbano. Estes são os dois principais pontos em que acredito que nos vamos concentrar", disse, prevendo ficar um ou dois dias.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, Esmail Baghaei, disse que as conversações, que envolvem os mediadores Qatar e Paquistão, durariam apenas um dia e sinalizou que poucas coisas deverão acontecer até que o Irão sinta que os EUA estão a cumprir o acordo.

“Esta viagem visa, portanto, exigir que o outro lado cumpra as suas obrigações”, disse no sábado, acrescentando que as negociações para um acordo final só começarão quando os principais compromissos, incluindo o fim dos combates no Líbano, forem respeitados.

“Se qualquer parte destes entendimentos, qualquer parte destes compromissos, não for implementada, então o memorando de entendimento como um todo estará em risco”, acrescentou Bagahei.

Já este domingo, o ministro da Defesa israelita afirmou que as forças armadas vão manter-se “na zona de segurança do Líbano” e operam “sem restrições”, após Teerão colocar o conflito Israel-Hezbollah como prioridade nas conversações com os Estados Unidos.

"Não houve nem há restrição aos soldados das FDI [Forças de Defesa de Israel] no Líbano para operarem para eliminar ameaças", afirmou Israel Katz num comunicado citado pelo jornal The Times of Israel.

Segundo o ministro da Defesa, "todas as conquistas das FDI na campanha no Líbano estão a ser mantidas".

As tropas israelitas permanecem destacadas no sul do Líbano, numa zona designada como de segurança, de onde operam contra o grupo xiita Hezbollah.

"O cessar-fogo anunciado ontem [sábado] deixa as FDI em todas as posições dentro da zona de segurança que protege as comunidades do norte [de Israel]", acrescentou.

Katz insistiu que as forças israelitas "não se retirarão da zona de segurança no Líbano", como tem afirmado o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

O cessar-fogo no Líbano está previsto no memorando de entendimento assinado na quarta-feira pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, e o homólogo iraniano, Masoud Pezeshkian.

Apesar de a trégua já ter entrado em vigor, Israel e o Hezbollah, apoiado pelo Irão, mantêm confrontos, acusando-se mutuamente de violações do cessar-fogo.

A delegação iraniana, composta pelo negociador-chefe Mohammad Bagher Ghalibaf, que é também o presidente do Parlamento, o ministro dos Negócios Estrangeiros Abbas Araghchi e o governador do Banco Central, Abdolnaser Hemmati. chegou a Zurique no sábado à noite.

As negociações vão decorrer num hotel de luxo em Bürgenstock, uma montanha com vista para o Lago Lucerna.

No sábado, o comando central das Forças Armadas do Irão anunciou que voltou a fechar o Estreito de Ormuz em resposta aos ataques israelitas no sul do Líbano, que, segundo o país, violam o memorando de entendimento assinado com os Estados Unidos.

*Com Lusa

A chegada de JD Vance à estância suíça
Irão volta a fechar estreito de Ormuz em resposta a ataques israelitas no sul do Líbano

As autoridades norte-americanas contestaram o encerramento do Estreito e afirmaram que 55 navios mercantes fizeram a travessia no sábado. O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou impor portagens norte-americanas no estreito de Ormuz, caso não seja alcançado um acordo final com o Irão dentro de 60 dias.

"NÃO HAVERÁ PORTAGENS [sic] após o termo do período de 60 dias, a menos que sejam impostas pelos Estados Unidos da América, caso o acordo não seja concluído”, afirmou na sua rede social Truth Social, recorrendo novamente à escrita em maiúsculas para enfatizar a sua mensagem.

Já este domingo, a agência de notícias iraniana Fars citou uma fonte militar dizendo que não estava a ser emitida qualquer nova permissão para os navios atravessarem o Estreito até novo aviso.

O memorando de entendimento prevê 60 dias de conversações sobre questões como a contenção do programa nuclear do Irão em troca da suspensão das sanções internacionais. Espera-se que o Irão já receba benefícios económicos iniciais, como isenções de sanções e o desbloqueio de bens bloqueados.

A chegada de JD Vance à estância suíça
Trump assinou o memorando de acordo com o Irão
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