Os B-52 da Força Aérea dos EUA estão a ser desviados para rotas muito mais longas, no Norte de África ou da Europa, aumentando significativamente os custos e o tempo de resposta das Forças Armadas norte-americanas.
Os B-52 da Força Aérea dos EUA estão a ser desviados para rotas muito mais longas, no Norte de África ou da Europa, aumentando significativamente os custos e o tempo de resposta das Forças Armadas norte-americanas.Curt Beach / FORÇA AÉREA DOS EUA

Trump ameaça cortar relações comerciais com Espanha após fecho do espaço aéreo a voos militares

A interdição forçou o Pentágono a desviar bombardeiros B-52 por rotas africanas mais longas, agravando os custos da ofensiva contra o Irão, enquanto a NATO enfrenta agora uma rutura estratégica.
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou esta segunda-feira, dia 30 de março, cortar totalmente as relações comerciais com Espanha em retaliação direta à decisão de Madrid de interditar o seu espaço aéreo a aviões militares norte-americanos envolvidos no conflito com o Irão. A medida retaliatória, avançada pela agência Reuters, surge poucas horas depois de o governo de Pedro Sánchez ter bloqueado a utilização do território e das bases espanholas para operações nesta guerra, desencadeando uma crise diplomática sem precedentes entre os dois aliados da NATO.

A decisão de Espanha, que serviu de gatilho para a fúria de Washington, detalhada pelo jornal El País, surge como uma medida de salvaguarda da legalidade internacional, uma vez que a intervenção militar contra Teerão não possui mandato das Nações Unidas.

Segundo a agência Reuters, Madrid comunicou formalmente que não autorizará o sobrevoo nem o uso das bases de Rota e Morón de la Frontera para fins ofensivos ou logísticos ligados a este teatro de guerra. Em resposta imediata, Trump utilizou um tom agressivo na Casa Branca, afirmando ter dado instruções ao Secretário do Tesouro, Scott Bessent, para preparar o fim de todos os acordos comerciais com o país ibérico, descrevendo a atitude espanhola como "desleal".

A ameaça de retaliação económica de Donald Trump foca-se naquilo que o presidente considera ser uma falta de cooperação defensiva por parte de um aliado protegido pela NATO. Citando fontes da Administração norte-americana ouvidas pela Reuters, Trump está a usar esta crise para reiterar as suas exigências de que os países europeus atinjam um investimento de 5% do PIB em Defesa. "Espanha quer a nossa proteção, mas depois fecha-nos a porta quando precisamos de passar. Isso é inaceitável e terá consequências comerciais devastadoras para eles", declarou o presidente, sugerindo que o acesso de produtos espanhóis ao mercado norte-americano será bloqueado como castigo.

Um desvio muito caro

No plano militar, a interdição espanhola forçou o Pentágono a uma reorganização logística de emergência, uma situação acompanhada de perto pelo El País através de fontes do Ministério da Defesa. A Reuters reporta que dezenas de voos de reabastecimento e transporte de tropas foram desviados para rotas mais longas sobre o Norte de África ou para bases no Norte da Europa, aumentando significativamente os custos e o tempo de resposta das forças dos EUA.

Analistas militares sublinham que a perda do corredor aéreo espanhol é um golpe estratégico relevante, dada a posição geográfica privilegiada da Península Ibérica como ponte para o Médio Oriente.

O governo de Pedro Sánchez reagiu à ameaça de retaliação comercial com firmeza, assegurando que Espanha não alterará a sua política externa sob pressão económica. Em declarações recolhidas pela Reuters, fontes do Palácio da Moncloa afirmaram que a competência sobre as relações comerciais com os EUA reside na Comissão Europeia e que qualquer tentativa de embargo unilateral será respondida em bloco por Bruxelas. "Espanha é um país soberano que decide quem utiliza o seu espaço aéreo com base nos seus princípios e no Direito Internacional", afirmou uma fonte ministerial, minimizando o impacto real que uma ameaça de Trump possa ter num sistema de comércio global regulado.

O impacto desta rutura já se faz sentir nos mercados financeiros e, de acordo com o Financial Times, as empresas espanholas com maior exposição ao mercado norte-americano registaram perdas imediatas na Bolsa de Madrid. O Financial Times nota ainda que este conflito pode ser o início de uma guerra comercial mais vasta entre os EUA e a União Europeia, caso Bruxelas decida aplicar medidas de reciprocidade para proteger Espanha.

Enquanto a diplomacia tenta encontrar uma saída para o impasse, o clima de tensão entre Washington e Madrid atinge o seu ponto mais alto desde a Guerra Hispano-Americana, colocando em causa a própria coesão da Aliança Atlântica num momento crítico de guerra global.

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