O chefe do executivo de coligação de esquerda não se ficou perante as críticas e ameaças lançadas na véspera pelo presidente norte-americano. “A posição do governo de Espanha resume-se a um não à guerra”, disse Pedro Sánchez numa declaração ao país. Mais tarde, a porta-voz da Casa Branca disse que Espanha passaria a “cooperar militarmente”, o que foi desmentido por Madrid.Na véspera, ao elogiar os países europeus por estarem na generalidade a cooperar com os EUA, a propósito da operação militar contra o Irão, Donald Trump criticou o Reino Unido e Espanha. “Um aliado terrível”, disse sobre os espanhóis, ameaçando-os de cortar relações económicas.O executivo de Madrid não deu autorização para os aviões militares dos EUA que participem na ofensiva usarem as bases aéreas de Rota (Cádiz) e Morón (Sevilha). O governo espanhol respondeu no próprio dia, bem como a Comissão Europeia, ao sublinharem que a política comercial entre os EUA e Espanha se faz no quadro do acordo com a UE. O líder do Partido Popular (PP) Alberto Núñez Feijóo não perdeu a ocasião: “Se o Irão lhe agradece e se os Estados Unidos o consideram um aliado terrível, é porque a sua política externa falhou.”Perante as ondas de choque criadas em Espanha, o socialista terá sentido necessidade de voltar ao tema e explicar a sua posição, recordando o apoio do governo do PP, então liderado por José María Aznar, à invasão anglo-americana do Iraque, em 2003. “O mundo já esteve aqui antes. Há 23 anos, outra administração dos Estados Unidos levou-nos a uma guerra injusta. A guerra do Iraque gerou um aumento drástico do terrorismo, uma grave crise migratória e económica. Esse foi o presente do trio dos Açores [a Cimeira das Lajes, na qual Durão Barroso foi omitido], um mundo mais inseguro e uma vida pior.”Sánchez continuou com o paralelismo: “Ninguém está a favor dos ayatollahs. Mas a questão é se estamos do lado da legalidade internacional e da paz. Os cidadãos espanhóis estavam contra Saddam Hussein, mas isso não a levou a apoiar uma guerra injusta. Rejeitamos o regime de Teerão, mas pedimos uma solução diplomática.” O líder espanhol tem sido a voz mais crítica de Trump na UE. Sobre a política comercial deste, denunciou a “chantagem das tarifas aduaneiras”. Mostrou oposição à meta de 5% do PIB na área da Defesa, como o norte-americano impôs aos aliados da NATO. Criticou a política migratória dos EUA e envolveu-se em polémica com o secretário Marco Rubio por denunciar os abusos das grandes empresas tecnológicas norte-americanas. O socialista e o empresário nova-iorquino também estão desalinhados quanto a Gaza.