O ataque israelita da madrugada de sábado em Al-Zawaida matou 15 pessoas da mesma família.
O ataque israelita da madrugada de sábado em Al-Zawaida matou 15 pessoas da mesma família.Bashar TALEB / AFP

Trégua em Gaza. Hamas fala em “ilusão“, Israel exibe “otimismo prudente”

Reino Unido, França, Alemanha e Itália incentivaram “todas as partes a continuar a comprometer-se” nas negociações. “O que está em jogo é demasiado elevado”, dizem.
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O mundo encontra-se num compasso de espera entre as negociações da semana passada em Doha e as conversações previstas para esta semana no Cairo com vista a obter um cessar-fogo na Faixa de Gaza, algo que só aconteceu em novembro e durante sete dias. Mas tanto o Hamas como Israel aproveitaram este sábado para mostrarem em que ponto estão as suas expetativas em relação a um acordo, principalmente depois de o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, ter-se mostrado entusiasmado com um desfecho positivo para breve.

Um alto representante do Hamas rejeitou, precisamente, o discurso otimista de Biden. “Dizer que estamos perto de um acordo é uma ilusão”, referiu. “Não estamos perante um acordo ou negociações reais, mas sim a imposição de ditames americanos”, declarou à AFP Sami Abu Zuhri, membro do gabinete político do Hamas.

Já os negociadores israelitas expressaram um “otimismo cauteloso” sobre um potencial acordo em relação a uma trégua em Gaza após negociações em Doha. Segundo o gabinete de Benjamin Netanyahu, “a equipa expressou um otimismo cauteloso ao primeiro-ministro em relação à possibilidade de avançar para um acordo baseado na última proposta americana”. “Há esperança de que a forte pressão dos Estados Unidos e dos mediadores sobre o Hamas leve à remoção da sua oposição à proposta americana, permitindo potencialmente um avanço nas negociações”, acrescentou a mesma fonte em comunicado.

Para Jason Burke, correspondente internacional do The Guardian, “dias de discussão detalhada sobre os parâmetros exatos de qualquer acordo obscurecem o facto de que um acordo só pode ser feito quando os decisores mais influentes de cada lado acreditarem que é o momento certo para pôr fim aos combates. Neste momento, este não parece ser o caso”.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros de Reino Unido, França, Alemanha e Itália incentivaram este sábado “todas as partes a continuar a comprometer-se” no processo de negociações para chegar a acordo de cessar-fogo, segundo uma declaração conjunta. Os quatro sublinham a importância de manter “negociações positivas” e de “evitar qualquer escalada de ações na região que comprometa as perspetivas de paz”. “O que está em jogo é demasiado elevado”, conclui a nota.

Estas negociações para um potencial cessar-fogo têm sido sempre acompanhadas por um continuar dos combates, como aconteceu este sábado, em Gaza e no Líbano. O Ministério da Saúde libanês informou que um ataque aéreo israelita na área sul de Nabatieh matou 10 sírios, incluindo uma mulher e os dois filhos. Telavive informou que os seus militares tinham atingido um depósito de armas do Hezbollah. Este ataque foi um dos mais mortíferos no sul do Líbano desde o início das trocas de tiros quase diárias entre Israel e o Hezbollah, após o início da guerra em Gaza, em outubro.

Já na Faixa de Gaza, a proteção civil local disse que um ataque aéreo israelita nas primeiras horas de sábado matou 15 membros de uma família palestiniana, incluindo nove crianças, entre os dois e os 17 anos, e três mulheres, em Al-Zawaida, no centro do enclave. O exército israelita explicou que durante a noite as suas forças atacaram “infraestruturas terroristas” no centro de Gaza, a partir das quais foram disparados rockets contra Israel e as tropas de Telavive nas últimas semanas. “Foram recebidos relatórios de que, como resultado do ataque, civis numa estrutura adjacente foram mortos. O incidente está sob investigação”, afirmou um comunicado militar.

ana.meireles@dn.pt

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