Volodymyr Zelensky alertou esta terça-feira, 3 de fevereiro, que os últimos ataques da Rússia envolveram um “número recorde” de mísseis balísticos e tiveram como alvo deliberado as infraestruturas energéticas e que, por isso, “o trabalho da nossa equipa de negociação será ajustado em conformidade”, numa referências às conversações que serão retomadas quarta e quinta-feira em Abu Dhabi entre Estados Unidos, Ucrânia e Rússia. De acordo com o presidente ucraniano, Moscovo utilizou 32 mísseis balísticos, 28 mísseis de cruzeiro, 11 mísseis de “outros tipos” e 450 drones no ataque da madrugada de terça-feira, quando as temperaturas desceram até aos -20°C. Em resultado dos ataques - após vários dias de trégua, que Moscovo atribuiu a um pedido dos EUA - ficaram sem aquecimento mais de 1.100 imóveis de habitação, disse o ministro do Desenvolvimento ucraniano, Oleksiy Kuleba.“Foram atingidas instalações de infraestruturas energéticas em diversas regiões, com os maiores danos nas regiões de Kharkiv e Dnipro, Kiev e região, em Vinnytsia e Odessa, bem como em Zaporíjia. A situação do aquecimento é particularmente difícil em Kiev, Kharkiv e Dnipro, bem como em Lozova, na região de Kharkiv”, escreveu Zelensky no X, sublinhando que “cada ataque russo deste tipo confirma que as atitudes em Moscovo não mudaram: continuam a apostar na guerra e na destruição da Ucrânia e não levam a diplomacia a sério”.Resta saber que impacto terá este ajuste no trabalho dos negociadores de Kiev anunciado por Zelensky nas conversações trilaterais desta quarta e quinta-feira. Na segunda-feira à noite, o presidente dos EUA mostrou-se otimista, dizendo que poderá ter “boas notícias” em breve sobre os seus esforços para pôr fim à guerra, que completa o seu quarto aniversário no próximo dia 24. “Acho que estamos a trabalhar muito bem com a Ucrânia e a Rússia. É a primeira vez que digo isto”, disse Donald Trump. “Acho que talvez tenhamos boas notícias.”De acordo com o Financial Times, a Ucrânia terá concordado com proposta discutida entre as autoridades ucranianas, europeias e norte-americanas, de que quaisquer violações persistentes por parte da Rússia de um futuro acordo de cessar-fogo desencadeariam uma resposta militar europeia e norte-americana coordenada.Este plano - que terá sido discutido por várias vezes em dezembro e janeiro - refere que uma violação do cessar-fogo por parte da Rússia seria respondida no prazo de 24 horas, começando com um “aviso diplomático” e uma resposta do exército ucraniano para travar a violação. Caso os combates persistam, haverá uma segunda fase de intervenção com forças da Coligação dos Dispostos - grupo liderado por França e Reino Unido e composto por mais de 30 aliados da Ucrânia, que se comprometeu a dar garantias de segurança a Kiev após um cessar-fogo. A notícia avançada esta terça-feira pelo FT, que cita três fontes conhecedoras do plano, refere ainda que, no cenário de um ataque russo alargado, seria acionada 72 horas após a violação inicial uma resposta coordenada por uma força apoiada pelo Ocidente, incorporando militares dos EUA.Na segunda-feira, o líder da diplomacia russa, Sergei Lavrov voltou a dizer que Moscovo consideraria o destacamento de quaisquer forças militares estrangeiras na Ucrânia inaceitável e trataria essas forças como alvos legítimos.Este mais recente ataque da Rússia contra Kiev e outras cidades ucranianas foi lançado não só na véspera da nova ronda de negociações, mas também horas antes da visita surpresa do secretário-geral da NATO à capital ucraniana. Num discurso no parlamento ucraniano, Mark Rutte afirmou que “as garantias de segurança [para a Ucrânia] são sólidas, e isso é crucial porque sabemos que chegar a um acordo para pôr fim a esta guerra terrível exigirá escolhas difíceis”.“Estão em curso conversas diretas, o que representa um progresso importante. No entanto, ataques russos como os da noite passada não demonstram seriedade em relação à paz”, prosseguiu o neerlandês. Mais tarde, numa conferência de imprensa com Zelensky, Rutte afirmou estar confiante de que os aliados irão alocar 15 mil milhões de dólares (cerca de 12,6 mil milhões de euros) este ano no âmbito do PURL, através do qual os países da NATO compram armas aos EUA para fornecer à Ucrânia. .Relatório indica que vítimas da guerra na Ucrânia podem chegar em breve aos dois milhões.Zelensky fala em “paz digna e duradoura” na véspera de novas conversações com EUA e Rússia