Trump com a sua chefe de gabinete que surgiu vestida de cor-de-rosa, símbolo da luta contra o cancro da mama.
Trump com a sua chefe de gabinete que surgiu vestida de cor-de-rosa, símbolo da luta contra o cancro da mama.AARON SCHWARTZ / POOL

Susie Wiles: A "Dama de Gelo" de Trump enfrenta cancro da mama, mas não abandona o centro do poder

Primeira mulher a chefiar a Casa Branca mantém-se em funções após diagnóstico precoce. A disciplina operacional da chefe de Gabinete é vista como o pilar da estabilidade na Sala Oval.
Publicado a
Atualizado a

Susie Wiles, a primeira mulher na história dos Estados Unidos a ocupar o cargo de chefe de Gabinete da Casa Branca (chief of Staff), revelou esta segunda-feira (16 de março) ter sido diagnosticada com cancro da mama, mas ainda numa fase inicial. Apesar da doença, a assessora de 68 anos, considerada a figura mais influente da actual administração, tenciona continuar a exercer as suas funções enquanto é submetida a tratamento.

O anúncio foi feito pelo próprio presidente Donald Trump através da rede social Truth Social. "A sua força e o seu empenho em continuar a fazer o trabalho que ama, e que faz tão bem, enquanto faz o tratamento, diz tudo o que precisam de saber sobre ela", escreveu o Presidente, sublinhando que o prognóstico clínico é "excelente".

Momentos após a confirmação do diagnóstico, Wiles surgiu publicamente ao lado de Trump num evento na East Room da Casa Branca. Num gesto de apoio invulgar, o Presidente segurou a cadeira para que a sua chefe de Gabinete se sentasse. Wiles, vestida com um casaco cor-de-rosa — cor associada à luta contra o cancro da mama —, foi recebida com abraços e manifestações de solidariedade pelos presentes.

Em comunicado, Wiles afirmou estar "encorajada" pela deteção precoce. "Quase uma em cada oito mulheres nos Estados Unidos enfrentará este diagnóstico", recordou. "Todos os dias, estas mulheres continuam a cuidar das suas famílias, a trabalhar e a servir as suas comunidades com força. Agora, junto-me às suas fileiras."

O segundo cargo mais difícil de Washington

Para compreender o impacto desta notícia, é necessário notar que o cargo de chief of Staff na estrutura norte-americana não encontra paralelo direto na política portuguesa.

Enquanto em Portugal um chefe de Gabinete ministerial tem funções maioritariamente administrativas, nos EUA este cargo é o de um verdadeiro "Gatekeeper" (guardião). É Susie Wiles quem decide quem fala com o presidente, que documentos chegam à sua secretária e como é gerida a agenda da maior potência mundial.

Num sistema presidencialista puro como os EUA, o chefe de Gabinete funciona como o gestor de crises e o principal conselheiro político, sendo muitas vezes a última pessoa a sair da Sala Oval antes de uma decisão crítica.

A manutenção da ordem no meio do caos

A permanência de Wiles no cargo durante o tratamento é vista como vital para a continuidade da actual administração. Historicamente, a sua nomeação, em janeiro de 2025, quebrou um "teto de vidro" de mais de dois séculos, tornando-a a mulher com mais poder direto na estrutura executiva da Casa Branca de sempre.

Apelidada por Trump como a "Ice Maiden" (Dama de Gelo) devido à sua postura imperturbável, Wiles é creditada por ter profissionalizado o regresso dos Republicanos ao poder. Ao contrário do primeiro mandato de Trump (2017-2021), marcado por uma elevada rotatividade de pessoal e fugas de informação, a gestão de Wiles trouxe uma disciplina operacional inédita.

Como arquitecta da campanha vitoriosa de 2024, a sua eficácia em gerir o temperamento do presidente, mantendo o foco na estratégia, conferiu-lhe uma autoridade interna quase inquestionável.

A resiliência agora demonstrada perante a doença reforça a sua imagem de centralidade absoluta. Para os analistas, a sua ausência, mesmo que temporária, poderia representar o regresso ao estilo mais volátil que caracterizou os primeiros anos da era Trump.

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt