Surto de hantavírus. 40 passageiros desembarcaram em Santa Helena após morte do primeiro doente

Siga aqui os desenvolvimentos sobre o surto de hantavírus no navio de cruzeiro HV Hondius, que já fez três mortos.
Surto de hantavírus. 40 passageiros desembarcaram em Santa Helena após morte do primeiro doente
ELTON MONTEIRO/LUSA

Vídeo mostra capitão do HV Hondius a informar que um passageiro morreu de "causas naturais"

Um vídeo registado pelo youtuber turco Ruhi Çenet, um passageiro do cruzeiro HV Hondius, afetado por um surto de hantavírus, mostra o capitão do navio a informar que um passageiro morreu repentinamente na noite anterior. "(...) Acreditamos que se tratou de causas naturais", disse Jan Dobrogowsk.

"Quaisquer que fossem os seus problemas de saúde, já fui informado pelos médicos que não eram contagiosos, pelo que o navio está seguro", informou, a 12 de abril, o capitão do navio de cruzeiro. Desde então foram identificados três casos confirmados de infeção por hantavírus e três suspeitos.

Ruhi Çenet disse que a informação dada pelo capitão “tranquilizou” os passageiros, mas “induziu em erro” porque "essa pessoa já tinha o vírus antes de embarcar no navio". "Como não fomos informados de nenhuma doença contagiosa, estávamos todos tranquilos", recordou.

Relatou ainda que as atividades no navio continuaram e "as pessoas não usavam máscaras".

40 passageiros desembarcaram em Santa Helena após morte do primeiro doente

Cerca de 40 passageiros do navio de cruzeiro afetado por um surto mortal de hantavírus desembarcaram na ilha de Santa Helena após a morte do primeiro passageiro, disseram hoje as autoridades dos Países Baixos.

Os 40 passageiros, incluindo a mulher do cidadão holandês que morreu a bordo, abandonaram o navio, com pavilhão dos Países Baixos, durante a escala em Santa Helena, território ultramarino britânico no Atlântico, antes da chegada a Cabo Verde, informou o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Haia.

Entre os passageiros que desembarcaram encontrava-se a cidadã holandesa que foi depois hospitalizada na África do Sul e o cidadão suíço que também recebeu tratamento.

A companhia holandesa que opera o navio já tinha dito que a mulher do primeiro paciente a morrer a bordo tinha abandonado o cruzeiro em Santa Helena para acompanhar o corpo do marido.

A mulher viajou depois para a África do Sul num voo comercial e morreu após adoecer em Joanesburgo.

No entanto, a empresa não tinha informado da saída de outros passageiros do navio de cruzeiro em Santa Helena.

As autoridades na África do Sul e na Europa estão a tentar localizar os contactos de quaisquer passageiros que tenham abandonado o cruzeiro.

Na quarta-feira foi conhecido que um homem que tinha desembarcado do cruzeiro em Santa Helena e viajado para casa estava internado com hantavírus na Suíça.

As autoridades holandesas desconhecem o paradeiro dos restantes passageiros do navio que desembarcaram nessa altura.

Lusa

Dois passageiros de regresso ao Reino Unido aconselhados a auto isolarem-se

Duas pessoas que regressaram ao Reino Unido depois de estarem no navio de cruzeiro MV Hondius, um foco de hantavírus, foram instruídas a auto isolarem-se, adiantou hoje a Agência de Serviços de Saúde do Reino Unido (UKHSA).

Trata-se de "duas pessoas que regressaram ao Reino Unido de forma independente após terem estado a bordo do MV Hondius", explicou a agência, referindo no seu comunicado de imprensa que "nenhuma delas apresenta sintomas neste momento".

"Estão a receber orientações e apoio da UKHSA e foram orientadas para se auto isolarem", acrescentou a UKHSA.

O MV Hondius, a bordo do qual o surto começou, leva 144 pessoas a bordo, sem sintomas, e estava ao largo da costa de Cabo Verde hoje à noite, a caminho das Canárias, em Espanha, onde deverá chegar no sábado, segundo fontes de Madrid.

A evacuação dos passageiros do navio de cruzeiro está prevista começar na segunda-feira, anunciou hoje o Ministério do Interior espanhol.

"Todos os passageiros permanecerão no navio de cruzeiro até à chegada" dos aviões que os repatriarão para os seus países de origem, destacaram fontes do ministério.

A agência britânica sublinhou que está também a oferecer apoio a um "pequeno número" de pessoas identificadas como tendo tido contacto próximo com os passageiros do navio.

Estes indivíduos, que também são assintomáticos, foram também orientados para se auto isolarem e receberam apoio.

"O risco para a população em geral continua muito baixo", reiterou a UKHSA.

No seu comunicado, a agência confirmou que um cidadão britânico estava entre as três pessoas suspeitas de terem contraído o hantavírus e que foram retiradas do navio para tratamento nos Países Baixos.

A UKHSA afirmou estar em contacto próximo com as equipas médicas que prestam cuidados a estas pessoas.

A agência indicou ainda que os restantes cidadãos britânicos a bordo poderão ser repatriados assim que o navio chegar ao seu próximo destino, desde que não desenvolvam sintomas.

"Nenhum dos cidadãos britânicos a bordo apresenta sintomas neste momento, mas estão a ser monitorizados de perto", acrescentou a agência.

Lusa

Centro europeu admite que “permanecem muitas incertezas” sobre o surto

O Centro Europeu para a Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) admitiu hoje que ainda existem “muitas incertezas” sobre o surto de hantavírus e enviou um especialista para o navio de cruzeiro onde foram detetadas as infeções.

“Permanecem ainda muitas incertezas em relação a esse surto de hantavírus e é importante que adotemos uma abordagem preventiva, nesta fase, para reduzir a probabilidade de nova transmissão”, afirmou a diretora do centro europeu.

Citada em comunicado, Pamela Rendi-Wagner adiantou que um especialista do ECDC está a bordo do navio afetado para obter mais informações, no âmbito do esforço para investigar o surto e coordenar a resposta de saúde pública em conjunto com vários países europeus.

Com base nos dados atuais, o ECDC salientou que o risco para a população geral na Europa permanece muito baixo, não esperando uma transmissão em larga escala.

“Qualquer transmissão provavelmente permanecerá limitada devido à natureza do contacto necessário e às medidas de prevenção e controle de infeções em vigor a bordo e durante o desembarque, além do acompanhamento adicional”, avançou o comunicado.

Um relatório de avaliação de risco do centro europeu, hoje divulgado, adianta que a bordo do MV Hondius estavam 149 pessoas de 23 nacionalidades diferentes, incluindo de nove países europeus, Bélgica, França, Alemanha, Grécia, Irlanda, Holanda, Polónia, Portugal e Espanha.

Até hoje, um total de sete pessoas apresentaram febre, sintomas respiratórios e gastrointestinais, com pelo menos quatro progredindo rapidamente para pneumonia, dificuldade respiratória aguda e choque. Dessas sete pessoas, três morreram.

O ECDC admite como hipótese que alguns passageiros tenham sido expostos à estirpe dos Andes na Argentina antes de embarcar e podem ter transmitido o vírus para outros passageiros já bordo do navio de cruzeiro.

“Neste estágio inicial da investigação, com informações limitadas disponíveis, consideramos todos a bordo do navio como contactos próximos, devido ao ambiente fechado e às áreas sociais e atividades compartilhadas, alinhadas com o princípio da precaução”, referiu a agência da União Europeia.

Segundo a Ordem dos Farmacêuticos, os hantavírus são vírus zoonóticos, caracterizados por infetar roedores, e diferentes espécies circulam na Europa, na Ásia e no continente americano.

Lusa

Ministério da Saúde está acompanhar "de perto" evolução do surto

O Ministério da Saúde afirmou na quarta-feira que está a acompanhar de perto a evolução do surto de hantavírus no navio, adiantando que a DGS está articulada com as instituições nacionais, para dar resposta imediata caso seja necessária intervenção.

A agência Lusa teve conhecimento de uma reunião ocorrida na tarde de ontem entre a secretária de Estado da Saúde, Ana Povo, e a diretora-geral da Saúde, Rita Sá Machado.

Contactado pela Lusa, o ministério confirmou a reunião, afirmando que resulta do “compromisso do Ministério da Saúde de monitorizar de perto a evolução do surto de hantavírus”.

“Esta reunião serviu para a diretora-geral da Saúde fazer o ponto da situação deste surto que tem sido acompanhado pelas autoridades nacionais e internacionais da saúde”, afirma numa resposta escrita.

No que diz respeito a Portugal, a DGS informou a secretária de Estado da Saúde que “está articulada com todas as instituições nacionais, nomeadamente o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), para dar resposta imediata, caso venha a ser necessária” intervenção.

Em declarações na terça-feira à Lusa, a diretora-geral da Saúde afirmou que o surto “é uma situação circunscrita e por isso mesmo é uma situação que atualmente desempenha um baixo risco para Portugal”.

 Rita Sá Machado adiantou que a Direção-Geral da Saúde está a acompanhar a situação com a Organização Mundial de Saúde (OMS), no âmbito das suas funções e do Regulamento Sanitário Internacional.

 “Não existem medidas preventivas para Portugal. Existem sim medidas que estão a ser equacionadas, neste momento, dentro do navio cruzeiro”, declarou.

Lusa

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DGS acompanha surto de hantavírus no navio cruzeiro que classifica de "baixo risco" para Portugal

Ponto da situação

Bom dia,

Acompanhe aqui os principais desenvolvimentos sobre o surto de hantavírus no navio de cruzeiro HV Hondius, que já fez três mortos.

Ponto da situação:

- O HV Hondius a caminho de Tenerife. O navio de cruzeiro deixou as imediações do porto da Praia, Cabo Verde, na quarta-feira, com destino a Tenerife, após ter sido detetado a bordo um surto de hantavírus, que já fez três mortos. Seguem a bordo do HV Honvius 144 pessoas sem sintomas, indicou a diretora nacional de Saúde de Cabo Verde. O presidente do Governo das Canárias contesta a escala do cruzeiro num porto de Tenerife.

- Retiradas três pessoas da embarcação. Na quarta-feira, foram retirados do HV Hondius dois membros da tripulação com sintomas de infeção e um passageiro assintomático, mas que partilhou cabine com a última das três vítimas mortais por síndrome respiratória aguda – doença que se suspeita estar relacionada com dois casos de hantavírus a bordo, confirmados em laboratório. As três pessoas retiradas do navio foram transportadas para os Países Baixos.

- Três casos confirmados e cinco suspeitos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) indicou que, atualmente, existem oito casos suspeitos de infeção por hantavírus, dos quais três foram confirmados como hantavírus" através de "testes laboratoriais". Dois passageiros recentes do MV Hondius deram positivo em Joanesburgo e Zurique, onde se encontram hospitalizados.

- 14 espanhóis a bordo vão ser examinados nas Canárias. A ministra da Saúde de Espanha afirmou que os 14 cidadãos espanhóis a bordo do HV Hondius vão ser examinados mal cheguem ao porto de Tenerife. Serão depois transportados por avião militar até Madrid. "Os restantes passageiros regressarão aos seus respetivos países”, disse o diretor-geral da OMS, confirmando o que tinha já sido dito pela ministra da Saúde espanhola, Mónica García Gómez. “Já temos a bordo profissionais de saúde, incluindo pessoal da OMS. E continuaremos a monitorizar e a apoiar as pessoas a bordo. Acompanharemos também a situação no exterior”, acrescentou Tedros Adhanom Ghebreyesus. As pessoas a bordo do navio vão ser retiradas e repatriadas ao abrigo do mecanismo europeu de proteção civil.

- Risco é fraco e não é comparável com a covid-19. “Neste momento, o risco para o resto do mundo é fraco”, afirmou o diretor-geral da OMS à AFP, indicando que o risco representado não é comparável com a covid-19.

- Hantavírus detetado em navio é a estirpe transmissível entre humanos. Ministro da Saúde sul-africano informou que a estirpe de hantavírus detetada no cruzeiro é a andina, a única transmissível entre humanos. Dois dos passageiros do navio de cruzeiro afetado com um surto de hantavírus foram transferidos para Joanesburgo, um faleceu e o outro permanece hospitalizado. “Os testes iniciais mostram que se trata, de facto, da estirpe andina. Esta é a única estirpe, entre as 38 estirpes conhecidas, que pode ser transmitida de uma pessoa para outra”, explicou o ministro da Saúde, Aaron Motsoaledi.

DN/Lusa

Surto de hantavírus. 40 passageiros desembarcaram em Santa Helena após morte do primeiro doente
Cruzeiro com surto de hantavírus. Passageiros espanhóis vão ser examinados nas Canárias
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