A reunião de apenas 16 minutos com o primeiro-ministro britânico fez disparar a especulação de que o ministro da Saúde, Wes Streeting, estaria a preparar-se para se demitir e desafiar Keir Starmer, lançando-se na corrida à liderança do Partido Trabalhista - e, consequentemente, do governo do Reino Unido. Algo que poderá ocorrer já esta quinta-feira (14 de maio), não tendo avançado na quarta-feira (13 de maio) alegadamente por causa do Discurso do Rei, no qual o monarca estipulou as prioridades legislativas do executivo. Prioridades que, se Streeting avançar (e a expectativa é que não seja o único a fazê-lo), podem cair por terra.Os aliados do ministro da Saúde disseram ao jornal The Times (e a outros meios de comunicação britânicos) que ele iria avançar já esta quinta-feira (14 de maio), um cenário que não foi negado pela equipa de Streeting - que, apesar disso, surgiu sorridente na primeira fila da Câmara dos Comuns durante a intervenção de Starmer, após o Discurso do Rei.O porta-voz do primeiro-ministro disse também que este tinha “confiança total” em Streeting, apesar da especulação sobre a corrida à liderança, com Starmer a reunir ao fim do dia com os deputados do partido para defender o seu cargo. O ministro da Saúde tinha previsto para esta quinta-feira (14 de maio) um discurso sobre a melhoria nas listas de espera, mas cancelou essa intervenção pública. Ainda assim deverá aproveitar os números (tudo indica que serão positivos) para vender a ideia de que fez o seu trabalho à frente do ministério e que, por isso, é o melhor colocado para assumir a chefia do governo.Mas se avançar no desafio a Starmer (e precisa de ter o apoio de pelo menos 81 deputados trabalhistas), quase de certeza que não será o único. Segundo a imprensa britânica, aquele que é visto como o grande favorito, Andy Burnham, já terá entretanto encontrado um deputado disponível para desistir do seu lugar. O “rei do Norte”, como é conhecido o mayor da Grande Manchester, não é deputado e não pode ser candidato se não conseguir voltar ao Parlamento - sendo que isso não é automático, tendo que ir a votos. Um processo que pode demorar várias semanas ou meses. E se Burnham não puder avançar, a ex-número dois de Starmer, Angela Rayner, deverá avançar, falando-se até que o antigo líder, Ed Miliband, poderá também avançar. Representam a ala à esquerda do partido, enquanto Streeting é mais à direita.“O primeiro-ministro está no cargo, mas não está no poder. Todos estão a tentar fingir que está tudo bem, mas não está”, disse a líder da oposição, Kemi Badenoch, falando numa situação “altamente fora do comum”. A líder dos conservadores disse que mesmo que Starmer dure tempo suficiente no cargo para aprovar as medidas que foram anunciadas no Discurso do Rei, essas propostas “não chegam nem de perto nem de longe para satisfazer as necessidades do país”. Starmer, que não está preparado para desistir e já deixou claro que irá lutar contra todas as tentativas de o afastar, brincou com a situação e agradeceu a Badenoch pela “natureza calorosa e generosa da sua contribuição”. Em relação ao programa de governo, apresentando mais cedo no Discurso do Rei, falou numa “agenda de reforma radical”, com 27 propostas de lei. “Um mundo cada vez mais perigoso e instável ameaça o Reino Unido, sendo o conflito no Médio Oriente apenas o exemplo mais recente”, leu Carlos III. “O meu governo responderá a este mundo com firmeza e procurará criar um país justo para todos. Os meus ministros tomarão decisões que protejam a segurança energética, de defesa e económica do Reino Unido a longo prazo”, referiu, falando ainda na defesa dos “valores britânicos de decência, tolerância e respeito pela diversidade”, referiu.Entre os projetos de lei previstos estão: abolir o Serviço Nacional de Saúde de Inglaterra (para cortar burocracia, com a sua fusão com o Departamento de Saúde e Assistência Social), reformular o ensino da educação especial, limitar os julgamentos por júri ou introduzir a identidade digital, além de introduzir medidas para dificultar a obtenção de residência permanente por parte dos imigrantes. Há ainda uma proposta para melhorar as relações comerciais e de investimento com a União Europeia, além de medidas para dar prioridade ao crescimento económico. E uma lei para facilitar a retirada do título de Lorde aos membros da câmara alta - como o polémico Peter Mandelson, ex-embaixador do Reino Unido nos EUA que apesar de ter sido detido e se ter demitido pelas ligações ao falecido pedófilo Jeffrey Epstein ainda pode ser tratado como tal. .Reunião de Starmer e possível rival durou só 16 minutos. Aliados dizem que Streeting se vai demitir