O primeiro-ministro britânico reconheceu esta segunda-feira, 20 de abril, no parlamento ter cometido um erro de julgamento ao nomear Peter Mandelson, amigo do criminoso sexual Jeffrey Epstein, como embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos, garantindo que não teria acontecido se soubesse que o antigo membro do Partido Trabalhista tinha falhado os controlos de segurança para o cargo. Keir Starmer ignorou ainda os pedidos de demissão feitos pelos partidos da oposição, atribuindo as culpas da falha no processo de nomeação de Mandelson ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, dizendo que não o informaram corretamente.“Sobre o processo de seleção e nomeação de Peter Mandelson… No cerne da questão, há também um juízo que fiz que foi errado. Não deveria ter nomeado Peter Mandelson. Assumo a responsabilidade por esta decisão. E peço desculpa, novamente às vítimas do pedófilo Jeffrey Epstein, que foram claramente prejudicadas pela minha decisão”, começou por dizer Starmer aos deputados.O líder britânico disse só ter descoberto na passada terça-feira que a dia 29 de janeiro de 2025, antes de Mandelson assumir o cargo de embaixador (do qual foi afastado em setembro, depois de conhecida a extensão da sua relação com Epstein), os funcionários do Ministério dos Negócios Estrangeiros concederam ao antigo trabalhista uma autorização de segurança aprofundada, contrariando a recomendação da Agência de Segurança do Reino Unido. Mas também que, segundo Starmer, os funcionários do mesmo ministério que tomaram esta decisão não passaram a informação do veto a Downing Street ou a qualquer outro membro do governo. “Achei isso impressionante”, afirmou Starmer aos deputados. “Esta é uma informação que já devia ter tido há muito tempo e é uma informação que esta câmara já devia ter tido há muito tempo. Uma informação que eu e a Câmara [dos Comuns ] tínhamos o direito de saber”.Neste sentido recusou o desafio lançado pelo deputado conservador John Lamont de admitir que tinha “inadvertidamente induzido a Câmara dos Comuns em erro”. “Reconheço que as informações que eu deveria ter tido, e as informações que a Câmara deveria ter tido, deveriam ter sido apresentadas à Câmara. Mas não induzi a Câmara em erro, e foi por isso que relatei os factos na íntegra”.O primeiro-ministro britânico garantiu ainda que deu instruções ao grupo que supervisiona as normas de segurança do governo para examinar quaisquer preocupações levantadas nos sete meses em que Mandelson foi embaixador, anunciando que “atualizei os termos de referência para a revisão da verificação de segurança, a fim de garantir que abranjam os meios pelos quais todas as decisões são tomadas em relação à verificação de segurança nacional”.Para Kemi Badenoch, a líder da oposição, Starmer não fez perguntas sobre Mandelson porque “não queria saber”, criticando o primeiro-ministro por ter sacrificado membros da sua equipa nesta questão em vez de se demitir - mencionando as saídas do seu chefe de gabinete e do seu diretor de comunicação, “despedidos por uma decisão que ele tomou” -, mas também por não ter feito perguntas suficientes. “Não fez perguntas sobre a relação de Mandelson com Epstein. Não fez perguntas sobre o risco de segurança que Mandelson representava. Aparentemente, nem sequer falou com Peter Mandelson antes da nomeação. Parece que não fez nenhuma pergunta. Por quê? Porque não queria saber”. .“Fui eu que cometi um erro”. Starmer assume culpa pela nomeação de Mandelson.Starmer foi avisado do “risco reputacional” da nomeação de Mandelson por causa de Epstein