Sobe para 95 número de portugueses mortos. Venezuela anunca medidas para apoiar famílias afetadas pelos sismos
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Sobe para 95 número de portugueses mortos. Venezuela anunca medidas para apoiar famílias afetadas pelos sismos

Delcy Rodríguez anunciou no sábado um pagamento mensal durante os próximos seis meses aos mais afetados pelos terramotos.
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O número de cidadãos portugueses que morreram no duplo sismo que atingiu a Venezuela há uma semana subiu para 95 e registam-se 58 portugueses desaparecidos, revelou este domingo o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE).

Entre os 95 cidadãos portugueses mortos, em que 82 tinham também a nacionalidade venezuelana, estão 17 crianças e 78 adultos, indicou o MNE.

Os sismos registados na Venezuela em 24 de junho causaram pelo menos 2.954 mortos e 16.592 feridos, segundo o mais recente balanço oficial.

A Venezuela anunciou medidas económicas para apoiar famílias afetadas pelos sismos ocorridos há dez dias, num momento em que se registam episódios de tensão social em La Guaira, onde se pede assistência para prosseguir os trabalhos de resgate.

A presidente interina do país, Delcy Rodríguez, anunciou no sábado um pagamento mensal durante os próximos seis meses aos mais afetados pelos terramotos, assim como o contacto com o setor bancário venezuelano para ativar uma carteira de crédito hipotecário com subsídios de até 80%.

Além disso, afirmou que, na próxima semana, vai estar pronto um plano para a recuperação do Aeroporto Internacional de Maiquetía, que serve Caracas, o qual inclui parcerias internacionais, que não especificou.

As medidas são anunciadas num momento de tensão. Um grupo de moradores bloqueou, no sábado, a via de acesso principal a Caraballeda, um dos epicentros do duplo sismo de magnitude 7,2 e 7,5, para pressionar o Governo a realojá-los, tal como foi prometido, no complexo hoteleiro de Las Caracas, situado a vários quilómetros da zona.

Outras famílias queixam-se de que já passam menos veículos a entregar comida, enquanto continuam à espera da recuperação dos corpos de familiares, numa altura em que já restam menos equipas de resgate no país.

Pelo menos 6.462 pessoas foram resgatadas e 16.309 ficaram sem casa. Até quinta-feira, havia um total de 157 pessoas desaparecidas, enquanto um site desenvolvido por técnicos e pela sociedade civil indica que mais de 31.000 pessoas não puderam ser contactadas pelos familiares.

O Governo venezuelano procura acelerar os trabalhos de remoção dos escombros e avalia os danos causados nas infraestruturas na sequência dos sismos.

Em La Guaira, prosseguem os trabalhos de asfaltagem e recuperação de pontes, bem como a avaliação de outras obras de infraestruturas rodoviárias, segundo indicou a ministra dos Transportes, Jacqueline Farías.

As operadoras de telecomunicações Digitel e Movistar Venezuela estão a trabalhar para restabelecer a conectividade em La Guaira com a ajuda da Starlink, bem como a disponibilizar pontos de ligação Wi-Fi gratuitos nos abrigos da região costeira.

A Digitel declarou em comunicado que conseguiu restabelecer 88,9% da infraestrutura na região, enquanto a Movistar refere 70,2%.

Rodríguez condecorou socorristas de sete países, incluindo de Portugal, com a distinção "Heróis da Venezuela" pelo trabalho após os recentes terramotos.

A base de operações da missão portuguesa de resposta aos sismos está sediada em Catia la Mar, em La Guaira, zona de grande concentração de portugueses e lusodescendentes e uma das mais afetadas.

A Universidade dos Açores (UAc) está a organizar uma campanha de recolha de bens essenciais para apoiar a população venezuelana atingida pelos sismos, foi divulgado.

A recolha decorre até segunda-feira, das 09:30 às 17:30 locais (mais uma hora em Lisboa), na sala da Academia das Artes, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel.

Segundo uma nota de imprensa da UAc, na recolha são prioritários medicamentos e material de saúde (‘kits’ de primeiros socorros, antisséticos e material de penso), material de contingência (rádios, lanternas, pilhas recarregáveis, tendas, sacos-cama e fraldas para criança e adulto) e ferramentas de trabalho (picaretas, pás, geradores, cordas, etc.).

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