Venezuela. Portugueses procuram familiares sobreviventes em La Guaira e Caracas
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Venezuela. Portugueses procuram familiares sobreviventes em La Guaira e Caracas

Em La Guaira ainda não há números totais, mas morreram milhares de pessoas, entre elas mais de 20 associados do Centro Luso-Venezuelano de Cátia La Mar.
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Portugueses e luso-venezuelanos tentam conhecer o paradeiro de familiares de La Guaira que sobreviveram ao duplo sismo na Venezuela, mas que entretanto foram levados para centros de acolhimento locais e em Caracas.

“Sim foram resgatados. Há uma grande desorganização aqui. Estão a levá-los para um sítio, depois transferem-nos para outro e não se conseguem localizar os familiares”, disse à Lusa um membro da direção do Centro Luso-Venezuelano de Cátia La Mar (CLVCM).

Freddy de Quintal, tesoureiro do CLVCM, explicou ainda que ele próprio tem um sobrinho que sobreviveu, precisando que este estava na igreja, porque faria a primeira-comunhão.

Tenho um sobrinho cuja mãe morreu; o edifício ruiu e ele estava na igreja porque ia fazer a comunhão. Temos andado à procura dele, tinham-no enviado para o campo de golfe em Caribe, esteve lá porque aparece no registo, mas não sabem para onde o enviaram”, disse.

Freddy de Quintal explicou ainda que soube através da Internet que o sobrinho estaria no Centro Desportivo de La Guaira, para onde se dirigiu para o encontrar, mas sem sucesso.

Chegamos lá e não estava. Está desaparecido, não o encontramos em lado nenhum. Estamos muito angustiados porque o pai está na Madeira e a mãe estava aqui. Eles já tinham comprado os bilhetes para regressarem de uma vez por todas para lá viver (…). A esposa faleceu e não conseguimos encontrar o filho. Estamos à procura aqui na Guaira, em Caracas, por todo o lado”, frisou.

O dirigente do CLVCM lamentou que as autoridades tenham encerrado a autoestrada que liga a cidade de Caracas àquele estado.

“É um problema, a autoestrada está bloqueada neste momento, não deixam ninguém passar, exceto quem tenha um salvo-conduto. É duro, é mesmo duro o que estamos a viver aqui”, disse.

Explicou ainda que esteve na localidade de Playa Grande, uma das áreas afetadas de La Guaira, e que está irreconhecível, a tal ponto que as pessoas se desorientam.

“Conheço bem Playa Grande, e de repente estando lá não sabia onde estava. Porque, por todo o lado, tudo desabou, grandes edifícios desabaram (...) completamente. Tive de perguntar às pessoas onde estava porque não sabia, de tão irreconhecível que está Playa Grande”, frisou.

Este luso-venezuelano explicou à Lusa que o duplo sismo foi ainda mais devastador que as enxurradas de 1999, que provocaram muitas vítimas, entre elas portugueses.

“Isto foi pior do que essa tragédia, porque durou apenas um segundo e tudo desabou. A tragédia [enxurradas] durou uma noite inteira e, quando acordámos de manhã, estava tudo destruído. Mas isto durou apenas um segundo, foi horrível, horrível”, disse.

Sobre o Centro Luso-venezuelano de Cátia La Mar, explicou que sofreu danos estruturais consideráveis.

“Na parte de cima, tínhamos a sala onde se davam aulas de português. As suas salas desabaram, tudo caiu. Na parte de baixo, o restaurante onde os portugueses passam o tempo, está tudo rachado, praticamente (...) destruído”, disse.

Explicou ainda que não houve vítimas porque o sismo duplo decorreu num dia feriado.

No entanto, disse, em La Guaira ainda não há números totais, mas morreram milhares de pessoas, entre elas mais de 20 associados do CLVCM, incluindo o vice-presidente.

Os sismos registados na Venezuela em 24 de junho causaram pelo menos 1.943 mortos e 10.571 feridos, segundo o mais recente balanço oficial.

Entre os mortos, há pelo menos 68 portugueses e lusodescendentes, e outros 74 estão desaparecidos ou incontactáveis.

Segundo a ONU, mais de 50 mil pessoas estão desaparecidas.

Vários países, incluindo Portugal e outros Estados da União Europeia, enviaram equipas de busca e salvamento para a Venezuela.

A base de operações da missão portuguesa de resposta aos sismos está sediada no Centro Luso-Venezuelano de Cátia la Mar, em La Guaira, uma zona de grande concentração de portugueses e lusodescendentes.

Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo e foram seguidos por mais de 20 réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.

Dezenas de edifícios ruíram ou ficaram gravemente danificados na capital Caracas e na região de La Guaira, uma das mais afetadas.

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