Portugueses e luso-venezuelanos tentam conhecer o paradeiro de familiares de La Guaira que sobreviveram ao duplo sismo na Venezuela, mas que entretanto foram levados para centros de acolhimento locais e em Caracas.“Sim foram resgatados. Há uma grande desorganização aqui. Estão a levá-los para um sítio, depois transferem-nos para outro e não se conseguem localizar os familiares”, disse à Lusa um membro da direção do Centro Luso-Venezuelano de Cátia La Mar (CLVCM).Freddy de Quintal, tesoureiro do CLVCM, explicou ainda que ele próprio tem um sobrinho que sobreviveu, precisando que este estava na igreja, porque faria a primeira-comunhão.“Tenho um sobrinho cuja mãe morreu; o edifício ruiu e ele estava na igreja porque ia fazer a comunhão. Temos andado à procura dele, tinham-no enviado para o campo de golfe em Caribe, esteve lá porque aparece no registo, mas não sabem para onde o enviaram”, disse.Freddy de Quintal explicou ainda que soube através da Internet que o sobrinho estaria no Centro Desportivo de La Guaira, para onde se dirigiu para o encontrar, mas sem sucesso.“Chegamos lá e não estava. Está desaparecido, não o encontramos em lado nenhum. Estamos muito angustiados porque o pai está na Madeira e a mãe estava aqui. Eles já tinham comprado os bilhetes para regressarem de uma vez por todas para lá viver (…). A esposa faleceu e não conseguimos encontrar o filho. Estamos à procura aqui na Guaira, em Caracas, por todo o lado”, frisou.O dirigente do CLVCM lamentou que as autoridades tenham encerrado a autoestrada que liga a cidade de Caracas àquele estado.“É um problema, a autoestrada está bloqueada neste momento, não deixam ninguém passar, exceto quem tenha um salvo-conduto. É duro, é mesmo duro o que estamos a viver aqui”, disse.Explicou ainda que esteve na localidade de Playa Grande, uma das áreas afetadas de La Guaira, e que está irreconhecível, a tal ponto que as pessoas se desorientam.“Conheço bem Playa Grande, e de repente estando lá não sabia onde estava. Porque, por todo o lado, tudo desabou, grandes edifícios desabaram (...) completamente. Tive de perguntar às pessoas onde estava porque não sabia, de tão irreconhecível que está Playa Grande”, frisou.Este luso-venezuelano explicou à Lusa que o duplo sismo foi ainda mais devastador que as enxurradas de 1999, que provocaram muitas vítimas, entre elas portugueses.“Isto foi pior do que essa tragédia, porque durou apenas um segundo e tudo desabou. A tragédia [enxurradas] durou uma noite inteira e, quando acordámos de manhã, estava tudo destruído. Mas isto durou apenas um segundo, foi horrível, horrível”, disse.Sobre o Centro Luso-venezuelano de Cátia La Mar, explicou que sofreu danos estruturais consideráveis.“Na parte de cima, tínhamos a sala onde se davam aulas de português. As suas salas desabaram, tudo caiu. Na parte de baixo, o restaurante onde os portugueses passam o tempo, está tudo rachado, praticamente (...) destruído”, disse.Explicou ainda que não houve vítimas porque o sismo duplo decorreu num dia feriado.No entanto, disse, em La Guaira ainda não há números totais, mas morreram milhares de pessoas, entre elas mais de 20 associados do CLVCM, incluindo o vice-presidente.Os sismos registados na Venezuela em 24 de junho causaram pelo menos 1.943 mortos e 10.571 feridos, segundo o mais recente balanço oficial.Entre os mortos, há pelo menos 68 portugueses e lusodescendentes, e outros 74 estão desaparecidos ou incontactáveis.Segundo a ONU, mais de 50 mil pessoas estão desaparecidas.Vários países, incluindo Portugal e outros Estados da União Europeia, enviaram equipas de busca e salvamento para a Venezuela.A base de operações da missão portuguesa de resposta aos sismos está sediada no Centro Luso-Venezuelano de Cátia la Mar, em La Guaira, uma zona de grande concentração de portugueses e lusodescendentes.Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo e foram seguidos por mais de 20 réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.Dezenas de edifícios ruíram ou ficaram gravemente danificados na capital Caracas e na região de La Guaira, uma das mais afetadas. .Venezuela. Número de portugueses ou lusodescendentes mortos nos sismos sobe para 71