O Ministério dos Negócios Estrangeiros confirmou a meio da tarde desta quinta-feira, 25, a morte de um cidadão português nos sismos na Venezuela, ocorridos na noite de quarta-feira, 24. O homem, uma das 164 vítimas mortais contabilizadas na tragédia, foi retirado dos escombros com vida mas morreu a caminho do hospital. Horas antes, o ministro Paulo Rangel deu conta da existência de uma família portuguesa de quatro pessoas desaparecida em La Guaira e de uma cidadã desaparecida na zona de Caracas.Na Venezuela vive uma das mais importantes comunidades portuguesas no mundo e a segunda maior da América Latina, estimada em 1,2 milhões de portugueses e luso-descendentes. É maioritariamente oriunda do arquipélago da Madeira, mas também das regiões de Aveiro e do Porto, segundo dados oficiais.Dezenas de chefes de Estado e de governo, incluindo os de Portugal, solidarizaram-se e colocaram-se à disposição para enviar tanto ajuda humanitária, como produtos médicos e equipas de resgates. Numa publicação nas redes sociais, o primeiro-ministro Luís Montenegro afirmou que contactou a presidente venezuelana interina Delcy Rodríguez para manifestar a "solidariedade dos portugueses para com o povo e o Governo da Venezuela" e mostrar disponibilidade para ajudar. "Pusemos desde já à disposição imediata uma equipa de proteção civil de emergência de 50 elementos", escreveu. Além disso, Portugal participará no apoio conjunto da União Europeia, através do Mecanismo Europeu de Proteção Civil.O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou solidariedade e disse ter mandado todas as agências do governo americano ajudarem. E a China, que era a principal compradora do petróleo venezuelano antes da captura e prisão de Nicolás Maduro por militares americanos, afirmou que vai fazer o que for possível para ajudar.Delcy Rodríguez decretou estado de emergência após os terramotos, numa comunicação ao país em que anunciou ainda a suspensão das aulas e de todos os serviços não essenciais para que as autoridades se concentrem no resgate das pessoas sob os escombros. Redes de gás e eletricidade foram desligadas para evitar uma tragédia maior.O Aeroporto Internacional Simón Bolívar, principal terminal aéreo do país, também foi fechado após parte do teto desabar. Hospitais da capital foram mobilizados para atender feridos.A busca pelas vítimas continua através de mais de 500 equipas de emergência a trabalhar para tirar sobreviventes dos escombros. Os últimos números disponíveis davam conta de 164 mortos e 971 feridos mas o serviço geológico dos Estados Unidos (USGS) estima que o número de mortos possa ficar entre 10 mil e 100 mil.O USGS registou dois terramotos com epicentros separados por apenas cinco quilómetros: um de magnitude 7,2 e outro de 7,5. Segundo o órgão, foram os abalos mais fortes a atingir a Venezuela em mais de um século e ocorreram pouco após as 23h no horário de Lisboa e com menos de um minuto de diferença entre eles. O epicentro do terremoto principal foi localizado próximo à cidade de El Guayabo, a cerca de 160 quilómetros de Caracas e a uma profundidade de 13 quilómetros. Por ter ocorrido próximo à superfície, o terremoto é classificado como raso. Esse tipo de abalo costuma ser sentido com mais intensidade e tende a causar danos maiores a prédios e outras estruturas.Relatos de autoridades e moradores indicam que prédios e casas desabaram em Caracas e em outras cidades venezuelanas. No litoral, um hotel de pelo menos oito andares desabou. Imagens que circulam nas redes sociais mostram o edifício completamente destruído.No vizinho Brasil, a Rede Sismográfica Brasileira informou que os terramotos foram registados por estações de monitoramento no país e sentidos por moradores de cidades da Região Norte do país, como Belém, Manaus, Boa Vista e Macapá. O Ministério das Relações Exteriores brasileiro diz não haver brasileiros entre as vítimas..Sismos na Venezuela. Hotel de propriedade madeirense colapsou (com vídeos) .Forte sismo de magnitude 7,1 atinge a costa da Venezuela e gera alerta de tsunami nas Caraíbas.Sismos na Venezuela. Hotel onde estava tripulação da TAP ruiu. Um deles sofreu ferimentos ligeiros