Pelo menos cinco cidadãos portugueses estarão desaparecidos na sequência dos sismos que atingiram várias zonas da Venezuela, confirmou esta o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, sublinhando o “enorme pesar do Governo” perante uma situação que descreveu como “verdadeiramente trágica”.Em declarações à CNN Portugal, o chefe da diplomacia portuguesa explicou que os contactos feitos até ao momento apontam sobretudo para dificuldades de comunicação, mais do que para confirmações de vítimas. “Os principais contactos que temos tido são mais no sentido de não conseguirem fazer comunicações com familiares ou com amigos do que propriamente, para já, de desaparecimento ou de risco de ter acontecido alguma coisa”, afirmou.Paulo Rangel destacou que há muitas pessoas incontactáveis, mas alertou que isso não significa, para já, que estejam em perigo de vida. “Significa que quer os telefones quer a internet estão em baixo em muitas zonas e, portanto, as pessoas não conseguem contactar-se”, explicou.No entanto, o ministro confirmou a existência de um caso considerado mais preocupante: "Sabemos que haverá uma família de quatro pessoas em La Guaira que estará mesmo desaparecida, portanto, poderá estar debaixo de escombros. E haverá uma portuguesa na zona de Caracas", informou.Paulo Rangel admitiu ainda a possibilidade de surgirem más notícias nas próximas horas, à medida que as operações de busca avançam. “Porque a projeção dos especialistas é que podemos chegar aos milhares de mortos e, se for assim, a probabilidade de haver pessoas com ligação a Portugal é maior”, afirmou.Horas antes, o secretário de Estado das Comunidades, Emídio Sousa, afirmava não haver indicação de portugueses entre as vítimas dos sismos registados na Venezuela, adiantando que o Governo está a acompanhar a situação.“Para já não. Temos feito múltiplos contactos. Temos todos os nossos serviços no terreno, embaixada e consulados e até com pessoas que conheço do movimento associativo e até ao momento não temos conhecimento de vítimas portuguesas”, disse à agência Lusa Emídio Sousa, admitindo que a situação está difícil, com derrocadas de alguns edifícios.“É possível que haja [vítimas portuguesas], mas para já não temos nenhuma informação de vítimas portuguesas”, salientou.Consulados de Portugal disponibilizam contactos de emergênciaOs consulados-gerais de Portugal nas cidades venezuelanas de Caracas e Valência, disponibilizaram números telefónicos para que os portugueses informem sobre situações de emergência.“O consulado-geral de Portugal em Caracas está a acompanhar a situação e atento a qualquer emergência”, explica um aviso divulgado nas redes sociais das reapresentações portuguesas.Os contactos para comunicar situações urgentes são o número +58 414-466.53.50 e o e-mail cgcaracas@mnet.pt para a região de Caracas e o número +58 412-040.55.65 e o correio eletrónico valencia@mne.pt para a área de Valência..Segundo a CNN Portugal, já chegaram quatro pedidos de apoio para localizar familiares incontactáveis na Venezuela através do Gabinete de Emergência Consular.Carlos Fernandes, deputado do PSD na Assembleia Legislativa da Madeira, disse na SIC Notícias que há pelo menos sete portugueses desaparecidos na região de La Guaira. .Sismos na Venezuela. Hotel onde estava tripulação da TAP ruiu. Um deles sofreu ferimentos ligeiros. Através do Ministério dos Negócios Estrangeiros, o Governo Português expressou "profunda solidariedade a todo o povo venezuelano e, em especial, à comunidade portuguesa e luso-descendente"."O Governo está, desde o primeiro minuto, em contacto com as nossas missões diplomática e consulares, bem como com as estruturas da nossas comunidade e com as autoridades nacionais e locais", diz uma mensagem do ministério tutelado por Paulo Rangel.."Para lá da expressão de solidariedade às famílias enlutadas, aos feridos e a todos os afetados, o Governo mostrou disponibilidade para envio de ajuda de emergência e humanitária em coordenação com as autoridades da Venezuela", refere ainda o Ministério dos Negócios Estrangeiros na mensagem publicada nas redes sociais.Na quarta-feira, a Venezuela registou dois sismos de magnitude 7,1 e 7,5 graus na escala de Richter, com apenas 39 segundos de intervalo, levando milhares de pessoas para as ruas da cidade de Caracas, a capital do país, onde várias zonas ficaram às escuras, caiu o sinal de Internet, as ligações telefónicas sofreram falhas, e a operadora de telefónica celular Movistar ficou temporariamente sem serviço.O sismo de magnitude 7,5 que atingiu a Venezuela foi o mais forte registado naquele país em mais de um século, segundo dados históricos avançados pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, disse que os dois sismos causaram pelo menos 32 mortos e mais de 700 feridos, mas o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) estima, com base em modelos informáticos, entre 10 mil e 100 mil mortes.“Estamos a tentar deixar de tremer do susto". Foi assim que um comerciante português descreveu à Lusa o que sentia pouco depois dos abalos de 7,5 de magnitude que atingiram a Venezuela. "Foi um sismo intenso ou muito forte e de grande duração, parecia que não iria terminar nunca", acrescentou José Gonçalves, que estava em casa, em Caracas, em La Campiña, quando sentiu que o sofá estava a tremer e pouco depois toda o apartamento, antes de ficar sem eletricidade.“Foi o tremor mais forte que senti até hoje, ainda sinto o corpo a tremer do medo. Os jarros e todas as coisas que estavam em cima do móvel caíram, estão em pedações no chão”, explicou.Apesar das dificuldades nas comunicações, vários portugueses explicaram telefonicamente à Lusa, que o sismo foi sentido fortemente também em localidades como Valência, 150 quilómetros a oeste e Higuerote, 120 quilómetros a leste da capital.Segundo Matilde Freitas várias réplicas foram sentidas, tendo várias zonas de Higuerote ficado sem eletricidade e sem telefones, e que algumas pessoas saíram dos edifícios a chorar com medo. Ainda em Caracas, o venezuelano Juan Carlos Garcia Pérez explicou à Lusa que “estava deitado a ver televisão e de repente a cama começou a abanar. Levantei-me e poucos segundos depois começou a tremer muito brusco, mais forte”.“Olhei pela janela para ver outros edifícios e estavam a tremer. Fiquei sem saber se esperar que tudo passasse ou descer para a rua de uma vez”, frisou..Governo confirma a morte de um cidadão português