Segunda noite de protestos violentos em Belfast após esfaqueamento de morador por um imigrante
A cidade de Belfast e localidades vizinhas na Irlanda do Norte viveram esta quarta-feira, 10 de junho, a segunda noite consecutiva de distúrbios, na sequência do esfaqueamento de um morador por parte de um imigrante que se encontra detido.
De acordo com os meios de comunicação britânicos, a polícia utilizou canhões de água para dispersar os manifestantes em Sandyknowes, nos arredores de Belfast, após cerca de 200 pessoas se terem reunido e atirado pedras e garrafas contra a polícia que tentava contê-los. Um camião também foi incendiado.
No entanto, os distúrbios de quarta-feira não atingiram a mesma escala da violência de terça-feira.
As imagens mostraram dezenas de pessoas vestidas de preto e com os rostos tapados, a destruir passeios e vedações de casas próximas para usar como projéteis. 12 polícias ficaram feridos e canhões de água foram disparados.
Os protestos violentos surgem na sequência da divulgação online de vídeos explícitos do ataque levado a cabo por um imigrante, o que levou a críticas de alguns partidos políticos.
A polícia informou que a vítima foi levada para o hospital na noite de segunda-feira com ferimentos graves no rosto, pescoço e costas. Perdeu um olho.
De acordo com as autoridades, o alegado autor, na casa dos 30 anos, foi detido por suspeita de tentativa de homicídio.
O homem que interveio no ataque com faca de segunda-feira à noite, e a quem muitos atribuem o mérito de ter salvo a vida da vítima, Stephen Ogilvie, Maitiu Mág Tighearnán, disse em entrevista ao programa Good Morning Britain que ajudar foi a sua "reação natural".
Tighearnán contou que estava a conduzir com um amigo para uma bomba de gasolina depois de ter deixado o filho no treino de hurling, quando viu um carro, com uma mulher lá dentro "em pânico", a bloquear a rua. Depois viu o que pensou ser uma luta entre dois homens na rua e disse que o amigo saiu imediatamente do carro para tentar separá-los, mas que após ver a faca voltou a correr para o carro.
Mág Tighearnán narrou que depois pegaram no taco de hurling que tinham na bagageira do carro e o seu instinto "foi simplesmente correr para o outro lado".
"Havia um homem caído ali, só ouvi 'está a ser esfaqueado', havia sangue por todo o lado. A primeira coisa que pensei foi que aquele homem precisava de ajuda, por isso foi uma reação natural para mim e para a maioria das pessoas que conheço", afirmou, confessando ter ficado "impressionado" com a repercussão.
A família do jovem esfaqueado emitiu um comunicado a dizer-se revoltada "com as cenas que se desenrolaram [na terça-feira] em toda a Irlanda do Norte".
"Queremos deixar absolutamente claro que a nossa família não apoia este tipo de reação, e que o protesto pacífico é sempre a única via a seguir. Temos muitos migrantes que dão um contributo extremamente valioso ao nosso país, nomeadamente no nosso sistema de saúde e no setor da hotelaria e restauração, e dependemos deles para que o nosso país funcione", disse a família, numa nota partilhada pela polícia.
"Não queremos que esta terrível tragédia seja usada para dividir as pessoas ou alimentar a hostilidade - não façam isto em nome do nosso familiar, pois não partilhamos os mesmos valores", acrescentaram.

