Militantes da extrema-direita do Reino Unido estão a aproveitar o ataque a Stephen Ogilvie para defender a sua agenda.
Militantes da extrema-direita do Reino Unido estão a aproveitar o ataque a Stephen Ogilvie para defender a sua agenda. FOTO: Facebook.com

Ataques em Belfast: família de vítima apela ao fim da violência e enaltece o papel dos migrantes no país

Familiares do homem atacado à facada recusam a instrumentalização política do caso por grupos extremistas e enaltecem o papel dos migrantes no país.
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A família de Stephen Ogilvie, o homem gravemente ferido num ataque à faca no passado dia 8 de junho em Belfast apelou esta quarta-feira, dia 10, à calma e rejeitou veementemente a violência dos motins anti-imigração que têm assolado a capital da Irlanda do Norte. Os Ogilvie pediram ainda num comunicado avançado pelo jornal britânico The Guardian, que a sua tragédia pessoal não seja instrumentalizada por grupos extremistas.

A declaração da família surge num momento de extrema tensão social na região, marcado por violentos distúrbios noturnos em várias zonas residenciais de Belfast, que eclodiram após a circulação viral de imagens do ataque na internet. Recusando alinhar na revolta de cariz xenófobo, os familiares da vítima divulgaram um comunicado, partilhado pelo deputado norte-irlandês do Partido Unionista Democrático Phillip Brett, no qual defendem a união da comunidade.

"Queremos deixar absolutamente claro que os distúrbios noturnos não são bem-vindos e que o protesto pacífico é o único caminho a seguir", refere a família Ogilvie na nota citada. Num gesto de lucidez que mereceu o elogio das autoridades, a família fez questão de sublinhar o contributo positivo da comunidade migrante na Irlanda do Norte, frisando que o país depende do seu trabalho em áreas cruciais como o serviço público de saúde (NHS) e o setor hoteleiro.

No mesmo documento, deixaram um agradecimento especial aos vizinhos que intervieram corajosamente durante a agressão, salvando a vida de Stephen Ogilvie.

Atacante tinha estado detido ao abrigo da Lei do Terrorismo britânica

No plano judicial, o suspeito do ataque, Hadi Alodid, de 30 anos, compareceu também esta quarta-feira perante o Tribunal de Magistrados de Belfast por videochamada. De acordo com informações recolhidas pela agência Associated Press, Alodid é um cidadão sudanês, de 30 anos, que obteve o estatuto de refugiado e autorização de residência temporária após entrar no Reino Unido a partir da República da Irlanda em 2023.

Entretanto, vários media britânicos estão a divulgar que o suspeito já tinha chegado a ser detido preventivamente sob a Lei do Terrorismo britânica, depois de ter recebido alta de uma avaliação psicológica. No entanto, as autoridades e investigadores sublinharam que, até ao momento, não existem provas que associem diretamente o incidente a terrorismo

Atualmente, o arguido enfrenta acusações de tentativa de homicídio, posse de arma branca e ameaças de morte a uma profissional de saúde. No tribunal, foi confirmado que a gravidade dos ferimentos custou à vítima a perda do olho esquerdo, mantendo-se em situação estável na Unidade de Cuidados Intensivos.

Stephen Ogilvie, um homem de 44 anos considerado vulnerável e com historial de esquizofrenia, foi esfaqueado brutalmente na Kinnaird Avenue, em Belfast.
Stephen Ogilvie, um homem de 44 anos considerado vulnerável e com historial de esquizofrenia, foi esfaqueado brutalmente na Kinnaird Avenue, em Belfast. FOTO: Facebook.com

Até ao momento, a motivação exata do ataque a Stephen Ogilvie ainda não foi estabelecida pelas autoridades. O Serviço de Polícia da Irlanda do Norte (PSNI) informou que a investigação continua em curso e que os detetives estão a explorar múltiplas linhas de investigação.

O juiz distrital Steven Keown recusou o pedido de libertação sob fiança, invocando o risco de fuga e o perigo de reincidência face ao clima inflamado na cidade. O magistrado emitiu ainda um aviso severo aos manifestantes que têm atacado habitações de migrantes e as forças de segurança, declarando que todos os envolvidos em tumultos enfrentarão penas de prisão efetivas.

Recorde-se que Stephen Ogilvie, um homem de 44 anos considerado vulnerável e com historial de esquizofrenia, foi esfaqueado brutalmente na Kinnaird Avenue, em Belfast. Em plena era da informação, o ataque foi gravado em vídeo e partilhado nas redes sociais, gerando desinformação e espoletando violentos protestos anti-imigração na cidade, que por sua vez deram origem aos apelos da família agora noticiados.

O caso tomou mesmo proporções políticas internacionais depois de figuras britânicas de extrema-direita e o proprietário da plataforma social X, Elon Musk, terem partilhado as imagens do esfaqueamento para mobilizar protestos de rua. Confrontado com a escalada de desordem civil, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, repudiou os incidentes que classificou como "totalmente injustificados", assegurando que os responsáveis pela violência de rua enfrentarão a aplicação implacável da lei.

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