Secretário do Exército dos EUA demite-se após meses de tensões com Hegseth
O secretário do Exército dos EUA, Dan Driscoll, vai deixar o cargo após cerca de 18 meses de funções. A Casa Branca confirmou a saída, anunciada primeiro pelo The Wall Street Journal, mas não indicou uma razão oficial.
Segundo a Associated Press, a demissão surge após meses de tensões com o secretário da Defesa (autointitulado da Guerra), Pete Hegseth, "em torno das alterações na liderança do Pentágono". Hegseth ainda não reagiu publicamente à demissão.
Driscoll, que é próximo do vice-presidente J.D. Vance (conheceram-se na universidade, em Yale), terá discutido com o presidente norte-americano, Donald Trump, a situação do Exército, antes de apresentar a demissão, de acordo com a agência de notícias.
“O secretário Driscoll tem sido extremamente eficaz na promoção da agenda do presidente Trump de ‘Tornar a América Forte de Novo' no Departamento do Exército", disse a porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, em comunicado.
O texto destacava a sua "liderança excecional durante as operações militares históricas, restaurando a ênfase na prontidão e letalidade, auxiliando nas negociações entre a Rússia e a Ucrânia, e muito mais”.
Driscoll assumiu um papel de liderança nas negociações destinadas a pôr fim à guerra entre a Rússia e a Ucrânia, chegando a reunir-se com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.
“O Exército dos Estados Unidos está mais poderoso do que nunca, graças ao seu trabalho ao lado do comandante-chefe e do secretário da Guerra”, dizia ainda o comunicado da Casa Branca.
Hegseth tem estado a fazer mudanças na liderança do Pentágono, demitindo já mais de uma dúzia de altos cargos.
Recentemente foram afastados os generais Christopher Donahue e Randy George (este último próximo de Driscoll), bem como o antigo vice-diretor do Exército, James Mingus.
O general Christopher LaNeve, que ascendeu meteoricamente sob o comando de Hegseth, ocupou o lugar de George como chefe interino do Estado-Maior do Exército.
Sob a sua chefia, o Exército decidiu terminar um projeto inovador desenvolvido por uma unidade na Europa que produzia os seus próprios drones, regressando ao modelo tradicional de batalhão de infantaria.
O futuro desse programa terá sido outro ponto de fricção entre Driscoll, que ao longo do mandato defendeu a modernização tecnológica das forças armadas, e Hegseth.

