O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas disse hoje à Lusa que os turistas portugueses retidos devido ao conflito no Médio Oriente têm de ter paciência e aguardar pela retoma dos voos comerciais. Emídio Sousa explicou que o Governo compreende que as pessoas querem regressar, mas ressalvou que há condicionamentos e cancelamentos de voos comerciais, nomeadamente de ligação, em regiões como os Emirados Árabes Unidos, mas que as pessoas, neste momento, "têm de ter alguma paciência".O governante frisou que os voos estão a ser retomados e que as pessoas terão de aguardar.A Lusa foi contactada por turistas nas Maldivas que acusam o Governo de resposta insuficiente e garantem que são poucos os voos comerciais disponíveis, que já estão lotados.Questionado sobre se há a possibilidade de repatriamento, Emídio Sousa frisou que este está a ser preparado para os turistas na região do Médio Oriente, nomeadamente Israel, mas que estes encargos serão pagos pelos próprios repatriados. "Tem de haver alguma paciência e compreensão nesta situação excecional", pediu. .Portugal tem 63 pedidos de repatriamento de Israel e "tudo pronto" para um voo através do Egito. Por fim, reiterou que a rede consular deve ser contactada, mas que há que aguardar que as companhias e agências de viagens formalizem percursos alternativos.A Lusa foi contactada por um grupo de turistas portugueses nas Maldivas que afirma não saber como regressar a Portugal devido ao fluxo de voos comerciais, com escala nos Emirados Árabes Unidos, cancelados após os ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irão e à retaliação de Teerão na região do Golfo Pérsico."Eu já contactei as autoridades portuguesas, no caso o consulado em Nova Deli [na Índia], por email, pois por telefone não atendem, mas, na verdade, as respostas que deram foram ou inconclusivas ou eu diria que praticamente não foram úteis", contextualizou à Lusa, por telefone, Flávio Ribeiro, que está nas Maldivas.A resposta consular foi a de procurarem voos comerciais com outros destinos, no entanto, Flávio frisou que este tipo de voos, que partem da capital, Malé, estão "completamente lotados".Flávio lamentou também ter ouvido o primeiro-ministro, Luís Montenegro, dizer na televisão que "nenhum português ficava para trás", afirmando que é precisamente assim que ele e a sua família se sentem.Além da questão de não existirem voos comerciais para a região do Golfo Pérsico - uma escala para o regresso a Portugal - os hotéis estão também lotados e muitos portugueses estão a ficar retidos no aeroporto da capital, lamentou. .Jato privado de Ronaldo deixou a Arábia Saudita mas jogador português ainda estará em Riade.O advogado Pedro Marinho Falcão, de férias no Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, também critica as autoridades portuguesas."Eu e outros portugueses aqui no Dubai enfrentamos a incapacidade de arranjar meios de transporte para sair do Dubai com destino a Portugal e, sobre essa matéria, as embaixadas não nos dão nenhuma informação (...) E aquilo que nós portugueses, que estamos aqui e sentimos, é que não há, do ponto de vista do Estado português, nenhuma resposta ao problema", lamentou o advogado. "Estamos totalmente abandonados. Temos uma comunicação que é feita através do WhatsApp comunitário da Embaixada portuguesa, mas as informações que nos dão são genéricas, e eu permiti-me enviar uma mensagem para esse WhatsApp, e recebi uma resposta genérica: 'consulte o nosso canal de comunicação'", frisou.Na sua opinião, o Estado português não tem soluções para quem quer sair do Dubai e o Governo já devia ter acionado mecanismos.Cerca de 400 pedidos de repatriamento de portugueses Emídio de Sousa disse ainda que existem cerca de 400 pedidos de repatriamento de portugueses no Médio Oriente, 63 dos quais em Israel, onde Portugal prepara uma extração, em parte por via terrestre."Há 63 [pedidos de repatriamento] em Israel e neste momento já temos tudo preparado para os ir buscar. Vai ser por via terrestre, uma parte da extração, pois o espaço aéreo está encerrado", revelou, acrescentando que na zona do Médio Oriente há "mais ou menos 400 pedidos". O governante frisou que, com a progressiva reabertura do espaço aéreo com voos comerciais, existe a possibilidade de alguns cidadãos portugueses, na larga maioria turistas, regressarem por essa via.O secretário de Estado tinha afirmado na segunda-feira que 53 portugueses tinham requerido a extração a partir de Israel.Israel e Estados Unidos lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, para "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano", e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas.Pelo menos 555 pessoas morreram no Irão desde o início dos ataques, segundo a organização humanitária Crescente Vermelho iraniano. O Exército dos Estados Unidos confirmou a morte de seis militares norte-americanos.Portugal, França, Alemanha e Reino Unido condenaram os ataques iranianos a países vizinhos. .Irão: “Não se esperam cortes de abastecimento de energia, mas Portugal vai apanhar por tabela com o aumento dos preços”.Nandinho é treinador no Bahrein e vive perto de base dos EUA. "Vejo fumo quando um alvo é atingido pelo Irão"