Nandinho trabalha no Médio Oriente desde 2023 e orienta o Al-Muharraq desde janeiro de 2025.
Nandinho trabalha no Médio Oriente desde 2023 e orienta o Al-Muharraq desde janeiro de 2025.FOTO: FACEBOOK / Al-Muharraq

Nandinho é treinador no Bahrein e vive perto de base dos EUA. "Vejo fumo quando um alvo é atingido pelo Irão"

O treinador português de 52 anos tem-se refugiado na garagem quando ouve sirenes a alertar para ataques de mísseis e drones iranianos. Faz planos para voltar a Portugal nas próximas 24 a 48 horas.
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"Tudo aconteceu muito rápido, ninguém estava preparado para isto." Quem o diz é o treinador de futebol Nandinho, que em conversa com o DN desde o Bahrein, onde desde janeiro de 2025 orienta o Al-Muharraq, contou como tem sido viver numa zona de tensão desde sábado, na sequência do ataque dos EUA e Israel ao Irão e consequentes respostas do regime iraniano.

A viver a cerca de 10 quilómetros de uma base aérea dos Estados Unidos, vocacionada para o apoio naval, Nandinho revela que já passou por momentos de grande tensão. "Estou a viver numa ilha artificial, junto ao aeroporto do Bahrein, e a cerca de 10 quilómetros de uma base norte-americana, onde um prédio onde viviam militares americanos já foi atingido, bem como um hotel no centro da cidade, onde me disseram que estavam muitos americanos", explica o treinador de 52 anos, que nos tempos de futebolista representou Salgueiros, Benfica, V. Guimarães e Gil Vicente, entre outros. "De onde estou consigo ver o fumo negro quando há algum alvo que os iranianos atingem", revela.

Nandinho conta ainda que "o exército do Bahrein tem abatido a maior parte dos mísseis e drones iranianos", mas o medo está sempre presente: "À partida, os alvos são os pontos estratégicos dos Estados Unidos, mas o problema é se por alguma razão há um míssil que erra o alvo."

Os últimos dias deste treinador, que levou o Al-Muharraq ao título de campeão que não vencia há sete anos, têm sido de constante sobressalto. "Meia volta as sirenes começam a tocar e lá temos de nos refugiar em lugares seguros. No meu prédio, tenho de descer até às garagens, que é logo abaixo do piso térreo. Não é uma situação fácil", conta Nandinho, que ainda assim continua a treinar a equipa, apesar de o campeonato ter sido interrompido devido à guerra.

Na medida do possível, é preciso manter alguma normalidade, e isso é o que tem observado: "Na ilha onde vivo há muitos hotéis e, como é lógico, turistas, mas ainda assim não há qualquer pânico. As pessoas tentam viver com a normalidade possível, apesar de haver a recomendação para as pessoas se manterem em casa, vejo muita gente nas compras."

Nandinho está sem a família no Bahrein - com a companhia dos adjuntos Rui Valente e Rafael Rocha -, e o principal problema tem sido transmitir tranquilidade para a família e os amigos que estão em Portugal. "É muito difícil fazer com que eles mantenham a calma", admite, olhando depois para os problemas que tem na sua equipa, onde boa parte dos jogadores estrangeiros "vivem com a família, muitos com filhos pequenos", uma situação que admite estar a ser difícil de gerir.

O regresso a Portugal é algo que está no seu horizonte, apesar de neste momento esperar ter uma decisão "nas próximas 24 a 48 horas". "O espaço aéreo de Bahrein está fechado, pelo que para irmos embora temos de ir de carro: uma hora até à fronteira com a Arábia Saudita e depois mais quatro horas até Riade para apanharmos o avião, mas o problema é que as companhias aéreas estão a cancelar as ligações", diz, revelando que neste momento está à espera de autorização da direção do clube para regressar a casa.

Quando em setembro de 2023, Nandinho aceitou o desafio de treinar o Al-Ahli do Bahrein e o conduziu à conquista da Taça do Rei, sabia perfeitamente que "apesar das indicações de que este era um país seguro", havia sempre a possibilidade de haver problemas devido à proximidade de uma base dos Estados Unidos. Agora, apesar de ouvir constantemente as sirenes a avisar para os mísseis e drones iranianos diz sentir-se "minimamente seguro", mas há um senão: "O medo é que este conflito tome outras proporções."

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