O Governo espanhol rejeitou prestar qualquer apoio militar à operação lançada pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão e recusou autorizar a utilização das bases norte-americanas em território espanhol para essa finalidade, numa posição diferente da adotada por Portugal em relação ao uso da Base das Lajes. A decisão coloca o governo de Pedro Sánchez também numa posição distinta da assumida por França, Alemanha, Reino Unido, que admitiram a possibilidade de “ações ofensivas proporcionais” em resposta aos ataques de Teerão contra países do Golfo Pérsico e contra Chipre.Citado pelo jornal El País, o ministro dos Negócios Estrangeiros, José Manuel Albares, afirmou que “cada país toma as suas decisões em política externa”, sublinhando que a posição espanhola é clara: a Europa deve assumir “uma voz de equilíbrio e moderação”, trabalhar para a desescalada e promover o regresso às negociações.Albares condenou os ataques “absolutamente injustificados” do Irão, em particular contra Chipre, que exerce atualmente a presidência rotativa da União Europeia, e manifestou solidariedade a Nicósia. Ainda assim, optou por uma resposta diplomática. O embaixador iraniano em Madrid foi convocado para ouvir a condenação formal de Espanha e o apelo ao fim imediato das hostilidades, tendo o ministro recordado que cerca de 30 mil cidadãos espanhóis se encontram na região.A recusa em apoiar a operação militar teve efeitos imediatos, segundo o El País. O Pentágono retirou uma dúzia de aviões de reabastecimento KC-135 que estavam destacados na base de Morón de la Frontera, em Sevilha, e, em menor número, na base de Rota, em Cádis. As aeronaves destinavam-se a abastecer caças-bombardeiros norte-americanos em voo.Também a ministra da Defesa, Margarita Robles, garantiu que Espanha “não prestou nem prestará” qualquer tipo de assistência ao ataque. Segundo explicou, o acordo bilateral que enquadra a presença militar dos Estados Unidos em território espanhol só pode ser aplicado “no quadro da legalidade internacional”. Na atual conjuntura, argumentou, tratam-se de ações unilaterais que não contam com o respaldo de organizações multilaterais como a ONU, a NATO ou a União Europeia.“As bases não prestarão apoio, salvo se for necessário do ponto de vista humanitário”, afirmou Robles, acrescentando que, na ausência de uma resolução internacional que legitime a operação, o tratado não é aplicável. .Base das Lajes. Rangel admite "uso mais intensivo" e garante cumprimento “integral” do acordo com os EUA.Irão responde a ofensiva de Israel e EUA com ataques contra bases americanas na região