Se não for travado "muito em breve", surto de ébola na RD Congo poderá ser o pior de sempre
FOTO: EPA/DIEUDONNE DIROLE

Se não for travado "muito em breve", surto de ébola na RD Congo poderá ser o pior de sempre

Os dados mais recentes da agência de saúde Africa CDC indicam que há, até ao momento, 808 casos confirmados e 192 mortos na RD Congo.
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O diretor-geral do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças de África afirmou esta terça-feira, 16 de junho, que se o surto de ébola na República Democrática do Congo (RD Congo) não for travado "muito em breve" poderá ser o pior de sempre.

"Se não travarmos o surto muito em breve, será pior do que o que tivemos na África Ocidental e no leste da República Democrática do Congo", disse o diretor-geral da agência de saúde Africa CDC, Jean Kaseya, citado pela Reuters.

De acordo com o último balanço Organização Mundial de Saúde (OMS), divulgado no último fim de semana, o surto da infeção pelo vírus Bundibugyo na RD Congo "continua a evoluir rapidamente, com o aumento do número de casos e da disseminação geográfica".

Os dados mais recentes da Africa CDC indicam que há, até ao momento, 808 casos confirmados e 192 mortos na RD Congo. Mas os números oficiais "provavelmente só refletem uma parte da realidade", afirmou na segunda-feira a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF).

Também esta terça-feira, Bruno Michon, diretor das operações da Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV), alertou que este surto na RD Congo "dure ainda um ano antes de terminar", dando conta que o pico da epidemia ainda não foi atingido.

Existe uma "grave falta de capacidades de diagnóstico", o que torna "muito difícil saber exatamente até que ponto a epidemia se está a espalhar", afirmou Michon. "Acredito que o pico não está atrás de nós, mas à nossa frente", adiantou, em conferência de imprensa.

"Para travar a epidemia, é preciso investir não só na resposta sanitária, mas também na confiança das populações, nos voluntários locais, no envolvimento das comunidades e no acesso operacional ao terreno", argumentou diretor das operações da Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho.

O diretor das operações da ONG também explicou que, nos últimos dias, os voluntários da Cruz Vermelha da RD Congo foram alvo de insultos, ameaças e até agressões físicas no exercício das suas funções.

A RD Congo declarou em 15 de maio um surto de ébola, o 17.ª neste país africano com mais de 100 milhões de habitantes, e que foi depois declarado epidemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que lançou o alerta de saúde internacional dois dias depois.

Não existe nem vacina nem tratamento aprovado contra a rara estirpe Bundibugyo, que está na origem da epidemia.

O vírus Ébola transmite-se por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragia interna.

Com Lusa

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