O surto foi declarado a 15 de maio na província de Ituri, na República Democrática do Congo. Quase um mês depois, as autoridades de saúde deste país confirmam 488 casos, dos quais 267 ainda hospitalizados, nove já recuperados, e 86 mortes. A esmagadora maioria dos casos ocorreram em Ituri, mas o surto terá já passado também para as províncias vizinhas de Kivu do Norte e Kivu do Sul, bem como a fronteira do Uganda, onde terão sido registados 19 casos e duas mortes. E, neste domingo, dia 7, o Instituto Nacional de Saúde Congolês voltou a alertar as autoridades internacionais para o risco de agravamento da situação, caso não sejam adotadas medidas de controlo rapidamente. A União Europeia já se manifestou preocupada com a situação e, em visita à cidade de Bunia, na província de Ituri, a Comissária para a Igualdade, Preparação e Gestão de Crises, Hadja Lahbib, deixou claro que a sua "presença em Bunia, junto das populações afetadas, reflete a importância que a Europa atribui aos seus parceiros na região, bem como a esta crise, tanto do ponto de vista sanitário como humanitário”, defendendo mesmo que a contenção deste surto só será possível se existir “confiança das comunidades” nas autoridades. Para Lahbib, “conter uma doença numa zona de conflito ativo, com elevadas necessidades humanitárias e grandes deslocamentos populacionais, constitui um desafio imenso”, segundo é referido pelo jornal Health News. A dirigente europeia afirmou ainda que “a deteção precoce dos casos e o isolamento rápido dos infetados são essenciais, mas só resultam se assentarem na confiança das comunidades. Isso exige proximidade, diálogo permanente e informação clara. É por isso que a nossa presença no terreno é tão importante”. A comissária, que foi recebida pelo governador da província de Ituri, referiu ainda que a Europa só poderá ajudar se houver garantia de que os agentes humanitários e profissionais de saúde poderão ter acesso seguro e sem obstáculos à região para tratarem os doentes. Recorde-se que a UE realizou no início do surto uma ponte aérea humanitária para a região da RDCongo mais afetada pelo surto para transporte de 100 toneladas de material de emergência, incluindo medicamentos, tendas e equipamentos de proteção individual, já distribuídos no terreno. No ano passado, foram atribuídos mais de 90 milhões de euros em ajuda humanitária à RDCongo e mais de 20 milhões de euros ao Uganda.A Organização Mundial da Saúde já disse que não se prevê que esta epidemia se estenda a uma pandemia, mas que é difícil de controlar porque o vírus corresponde à estirpe de Bundibugyo, que tem uma taxa de mortalidade elevada, entre 30% a 50%, e para a qual não existe vacina autorizada nem tratamento específico. A questão é que a OMS estima que o vírus terá começado a circular dois meses antes de o surto ter sido declarado oficialmente, não se conhecendo ainda a sua dimensão verdadeira. A OMS lembra ainda que este vírus transmite-se por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, com sintomas que incluem vómitos, diarreia e hemorragias internas. .DGS revê orientações para dar resposta a suspeitas de Ébola.Surto de ébola na República Democrática do Congo já causou 86 mortos e aproxima-se dos 500 casos