A Ucrânia só conseguiu intercetar um dos 51 mísseis balísticos lançados pela Rússia nos dois grandes ataques da última semana contra a região de Kiev, que fizeram pelo menos 27 mortos. A informação foi avançada pelo próprio presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que após mais uma noite de ataques (na qual nenhum dos 24 mísseis russos foi travado) voltou a lembrar aos parceiros que a Ucrânia precisa de sistemas intercetores Patriot para travar Moscovo. “Os intercetores de mísseis balísticos poderiam ter salvo a vida das pessoas que morreram hoje”, escreveu Zelensky no X, falando em 17 mortos na noite de terça para quarta-feira e outros 44 feridos. “É muito importante que os nossos parceiros compreendam que os atrasos no seu fornecimento, ou a falta de vontade de disponibilizar sistemas de defesa antibalística, conduzem diretamente a perdas humanas e destruição desta magnitude”, acrescentou Zelensky. .Não é a primeira vez que o faz, com a Rússia a intensificar o uso dos mísseis balísticos Iskander. No início de julho, noutro grande ataque, Kiev não conseguiu abater nenhum dos 23 projéteis disparados pela Rússia. E, segundo a Reuters, em julho só conseguiu intercetar quatro de 49. “Infelizmente, o fornecimento de meios de defesa antibalística pelos nossos parceiros diminuiu drasticamente este ano. O número de mísseis para a defesa aérea entregue à Ucrânia foi três vezes inferior ao de 2025”, disse Zelensky.Mas o que causa esse problema? A escassez global dos mísseis Patriot - os únicos de que a Ucrânia dispõe capazes de derrubar os Iskander - foi agravada pelo conflito no Irão e pela necessidade de reabastecer os arsenais norte-americanos e dos aliados do Golfo. Segundo o The New York Times, uma das vezes que o presidente Donald Trump recuou num dos ataques ao Irão foi porque os responsáveis militares estão preocupados com a falta de arsenal. Em junho, contudo, o secretário da Defesa, Pete Hegseth, apelidou as notícias sobre a falta de Patriot de “história inventada”. A capacidade de produção de RTX e da Lockheed Martin, estimada em cerca de mil destes mísseis por ano antes das guerras, ao preço de cerca de quatro milhões de dólares cada um, é insuficiente com ambos os conflitos. A segunda empresa anunciou recentemente uma versão mais barata desse míssil, para tentar aliviar o problema dos stocks. Segundo o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, citado pela rádio pública norte-americana NPR, antes de lançarem a guerra no Irão em fevereiro, os EUA tinham mais de 2300 mísseis Patriot. Agora, deverá rondar os 800. “É importante que as decisões políticas necessárias sobre o fornecimento e a aceleração dos processos de produção sejam finalmente tomadas - incluindo as decisões sobre a localização da produção na Ucrânia”, indicou também Zelensky. Na cimeira da NATO em Ancara, a 7 e 8 de julho, Trump anunciou que os EUA dariam à Ucrânia uma licença para produzir mísseis intercetores Patriot. A medida foi vista como histórica por Kiev. O problema é que não seria possível começar de imediato essa produção (e fazer face à escassez imediata). E, além disso, Trump pareceu recuar a 31 de julho.“Não concordámos com isso. Estamos a falar sobre o assunto, mas é difícil ceder esse tipo de tecnologia”, disse quando questionado pelos jornalistas, alegando que “é preciso ter muito cuidado” já que “há pessoas a quem se entrega essa tecnologia e que, um dia, podem voltar-se contra nós”. Apesar disso, quatro fontes disseram à Reuters que as discussões ainda continuam, não tendo havido ordens para suspender os contactos. .“Um amor imenso”. Trump elogia NATO e promete a Kiev licença para fabricar mísseis ‘Patriot’ .Zelensky diz aos EUA que precisa de sistemas Patriot