A Comissão Europeia anunciou esta quinta-feira, 29 de janeiro, um auxílio de emergência de 153 milhões de euros para a Ucrânia e a Moldávia, numa altura em que milhões de ucranianos enfrentam temperaturas gélidas e falta de eletricidade devido aos contínuos bombardeamentos russos às infraestruturas energéticas - só em Kiev, os dois últimos ataques russos com mísseis e drones deixaram cerca de um milhão de pessoas sem electricidade e 6000 edifícios residenciais sem aquecimento. Na próxima semana, as previsões apontam para temperaturas abaixo dos -20 graus no norte e leste da Ucrânia, valores muito baixos para o país.“Estão a bombardear ucranianos, a tentar bombardeá-los e congelá-los para que se rendam, e é por isso que também estamos a discutir o apoio energético que lhes podemos dar, porque o inverno é muito rigoroso e os ucranianos estão a sofrer muito. Uma catástrofe humanitária está a caminho”, disse Kaja Kallas, a líder da diplomacia europeia, antes de uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros do bloco.Assim, 145 milhões de euros destinam-se a ajuda humanitária à Ucrânia - proteção, abrigo, alimentação, assistência financeira, apoio psicossocial e acesso a água e serviços de saúde - e os outros oito milhões de euros serão atribuídos à Moldávia para apoiar o acolhimento de refugiados ucranianos. Este apoio de Bruxelas junta-se ao reforço à assistência energética de emergência desta semana, com a entrega de 447 geradores de energia, no valor de 3,7 milhões de euros, para repor a eletricidade em hospitais, abrigos e outros serviços essenciais. Outros 500 geradores estão a ser disponibilizados para ajudar a manter os serviços essenciais em funcionamento.O presidente dos Estados Unidos adiantou esta quinta-feira que pediu pessoalmente ao seu homólogo russo “para não disparar mísseis contra Kiev e outras cidades durante uma semana” por causa das temperaturas extraordinariamente baixas, e que Vladimir Putin “concordou”. “Além de tudo, não é disso que [os ucranianos] precisam, de mísseis a atingir as suas cidades”, disse Donald Trump. Segundo a Reuters, horas antes o Kremlin havia recusado comentar a possibilidade de um cessar-fogo temporário contra infraestruturas energéticas.“As notícias que recebemos da Ucrânia quase todas as manhãs são horríveis. O que a Rússia está a fazer - há um terrorismo de Estado - vai muito para além da guerra: estão a bombardear pessoas enquanto estão em casa, a congelar até à morte, a bombardear comboios de passageiros…”, afirmou a comissária europeia para o Alargamento.Marta Kos mostrou-se ainda a favor do apelo feito esta semana por Volodymyr Zelensky para que a adesão da Ucrânia à UE aconteça até 2027. “Este não é apenas o seu desejo, é também o meu desejo e o desejo de muitos, muitos Estados-membros. (...) Mas veremos quando isso será possível.”Mas nem todos partilham do entusiasmo de Kos, como o ministro dos Negócios Estrangeiros do Luxemburgo. “Enquanto os critérios (...) não forem respeitados, não podemos dizer: ‘Por favor, entre na família e, para si, fecharemos os olhos, os ouvidos e a boca.’ Não, precisamos de regras e precisamos de as respeitar”, declarou Xavier Bettel.Com o retomar das negociações entre EUA, Ucrânia e Rússia previsto para a próxima semana, o secretário de Estado norte-americano afirmou na quarta-feira à noite que a reivindicação russa sobre Donetsk é a principal questão que impede um acordo de paz. “Há um trabalho ativo em curso para tentar conciliar as opiniões de ambos os lados sobre isto”, afirmou Marco Rubio numa audição no Comité dos Negócios Estrangeiros do Senado. “Ainda é uma ponte que não atravessámos. Ainda é uma lacuna, mas pelo menos conseguimos reduzir o conjunto de questões a uma central, e provavelmente será uma muito difícil de resolver.”Rússia e Ucrânia anunciaram esta quinta-feira que realizaram mais uma troca de corpos de mortos em combate, com Moscovo a entregar a Kiev mil corpos de soldados ucranianos, tendo recebido os corpos de 38 soldados russos. Na mesma audição, Rubio anunciou que iriam começar nesse mesmo dia reuniões técnicas regulares entre EUA, Dinamarca e Gronelândia para discutir o interesse americano na ilha, sublinhando esperar conseguir um “acordo positivo” e que iam tentar que o processo fosse discreto e não um “circo mediático.”Falando esta quinta-feira sobre este primeiro encontro, o ministro dos Negócios Estrangeiros dinamarquês revelou que teve conversações “construtivas” com os EUA sobre a Gronelândia e que estava “um pouco mais otimista hoje do que há uma semana” de que uma solução possa ser encontrada. “Depois disso houve um grande desvio, as coisas estavam a agravar-se, mas agora estamos de volta aos trilhos”, afirmou Lars Løkke Rasmussen à entrada para a reunião dos líderes da diplomacia dos países da UE. E atribuiu ainda a desistência de Donald Trump de aplicação de tarifas a um “sinal muito forte de solidariedade europeia” em relação à Gronelândia. “Ficou claro que o preço a pagar por seguir este caminho foi muito elevado”.Entretanto, o rei da Dinamarca anunciou que irá visitar a ilha na semana que começa a 16 de fevereiro. “Estou ansioso por viajar para a Gronelândia”, disse Frederik X, sublinhando esperar que a visita mantivesse o moral elevado no meio das “preocupações” com o futuro e garantindo que “estamos muito solidários com o povo da Gronelândia”..Relatório indica que vítimas da guerra na Ucrânia podem chegar em breve aos dois milhões.Ataque de Trump à Gronelândia agrava incerteza e nível de alerta económico na Europa face aos EUA