Sergei Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia
Sergei Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros da RússiaFOTO: EPA/ABEDIN TAHERKENAREH

Rússia diz ser "ridícula" a pretensão da UE em clarificar as linhas vermelhas da sua política externa

Seguei Lavrov, chefe da diplomacia russa, diz que a ideia da União Europeia é “totalmente irresponsável”.
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O chefe da diplomacia da Rússia recusou este domingo, 26 de abril, clarificar “linhas vermelhas” da política externa russa com a União Europeia (UE), que acusou de ignorar tentativas de diálogo para “ganhar tempo e fornecer armas” à Ucrânia.

A pretensão da UE de “clarificar as nossas linhas vermelhas é simplesmente ridícula, uma vez que estas foram definidas há muito tempo”, afirmou Serguei Lavrov à televisão pública russa.

Lavrov aludiu a “alguns funcionários” da UE que afirmaram que “em algum momento, não agora, mas mais à frente, será necessário um diálogo com a Rússia para clarificar as ‘linhas vermelhas’”.

“Isto é totalmente irresponsável”, considerou o ministro dos Negócios Estrangeiros da Federação Russa durante a entrevista, citada pela agência espanhola Europa Press (EP).

Lavrov insistiu que a UE não precisa de explicações de Moscovo e que “qualquer pessoa que estivesse disposta a ouvir” deveria ter entendido isso há muito tempo.

“Se certos membros da elite perseguem objetivos puramente egoístas, irreais e ilusórios, prestarão contas no devido tempo. A História, em última análise, irá responsabilizá-los”, afirmou.

A Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022, desencadeando aquele que é considerado como o pior conflito na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), com um saldo de vítimas por determinar.

Entre outras condições, Moscovo exige o reconhecimento da soberania russa em cinco regiões ucranianas, incluindo a Crimeia anexada em 2014, uma redução significativa do exército ucraniano e garantias de que Kiev nunca fará parte da NATO.

As declarações de Lavrov ocorrem após o encontro na quinta-feira, em Chipre, entre os líderes da UE e o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.

Na cimeira informal de quinta-feira, foi aprovado um empréstimo de 90 mil milhões de euros a Kiev, que estava bloqueado pela Hungria, e um novo pacote de sanções contra Moscovo.

Lavrov acusou Zelensky de chefiar um “regime abertamente nazi” e de querer liderar uma “nova entidade militar europeia que os alemães e os britânicos estão a tentar organizar”.

“Zelensky diz abertamente ‘defenderemos todos, temos a força, a experiência e o maior exército da Europa para o fazer’. (…) E vê a Ucrânia ao leme de toda esta entidade militar”, observou.

“Mas não creio que isto acabe bem”, afirmou, citado pela agência russa TASS.

Lavrov criticou a pressão de Zelensky para uma adesão imediata da Ucrânia à UE, que disse implicar admitir um país que “proibiu a cultura russa em todas as suas manifestações e a Igreja Ortodoxa canónica”.

O ministro descreveu como uma ironia que a UE considere Zelensky como um defensor dos valores europeus, apesar das medidas que acusou o líder ucraniano de ter tomado contra a cultura russa e a Igreja Ortodoxa.

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