A deportação e a transferência de crianças ucranianas levadas a cabo pela Rússia desde o início da invasão em fevereiro de 2022 constituem crimes contra a humanidade, de acordo com uma investigação levada a cabo pela Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre a Ucrânia, estabelecida pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. “Neste relatório, a Comissão concluiu que os crimes contra a humanidade e os crimes de guerra cometidos pelas autoridades russas tiveram como alvo as crianças, que estão entre as vítimas mais vulneráveis. Estes crimes têm consequências irreversíveis nas suas vidas e no seu futuro”, nota o relatório apresentado esta terça-feira, 10 de março, ao Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra.Os investigadores concluíram que as autoridades russas “deportaram e transferiram ilegalmente crianças” e que “atrasaram indevidamente o seu repatriamento”. Além disso, as medidas adotadas em relação às crianças deportadas ou transferidas “violaram o direito internacional humanitário e o direito internacional dos direitos humanos” e não foram orientadas pelo interesse superior da criança.Esta questão é extremamente sensível na Ucrânia e mantém-se no centro das negociações de um eventual acordo de paz entre Moscovo e Kiev. A Ucrânia garante que cerca de 20.000 crianças foram levadas à força para a Rússia ou para territórios ocupados desde o início da invasão, enquanto que o Kremlin assegura ter deslocado algumas crianças ucranianas das suas casas ou orfanatos para as proteger da ameaça das hostilidades.O relatório da Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre a Ucrânia estudou os casos de 1.205 crianças de cinco regiões da Ucrânia, assegurando que 80% delas ainda não regressaram ao país. “As deportações e transferências tiveram origem em vários locais numa vasta área geográfica nas zonas da Ucrânia ocupadas pela Rússia, seguindo um padrão de conduta bem estabelecido, o que indica que estes atos foram generalizados e sistemáticos”, refere o relatório, sublinhando que o direito internacional humanitário exige que as retiradas sejam “temporárias e motivadas por razões imperiosas de saúde, cuidados médicos ou segurança”.Orbán continua ataquesA cerca de um mês das legislativas e com as sondagens a continuarem a dar vantagem à oposição, o primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán prossegue a sua investida contra a Ucrânia, país que classificou recentemente como “inimigo” da Hungria. Esta terça-feira, o parlamento húngaro aprovou uma resolução que se opõe à adesão da Ucrânia à União Europeia e à continuidade da assistência europeia ao país devastado pela guerra, com os deputados a pedirem ao governo de Orbán para “evitar o envio de dinheiro ou armas para a Ucrânia” e, em vez disso, apoiar os “esforços internacionais de paz”. De recordar que Budapeste está atualmente a bloquear o 20.º pacote de sanções da UE contra Moscovo e um empréstimo de 90 mil milhões de euros a Kiev.Segundo noticiou esta terça-feira a AP, Orbán ordenou que um carregamento de dinheiro e ouro ucranianos apreendido na quinta-feira pelas autoridades húngaras, dizendo suspeitar de branqueamento de capitais, seja mantido sob custódia até 60 dias, enquanto o fisco investiga o caso.O carregamento incluía 40 milhões de dólares e 35 milhões de euros em dinheiro, além de nove quilos de ouro, avaliados em cerca de 82 milhões de dólares. Kiev acusa Budapeste de ter agido de forma ilegal..Ucrânia exige à Hungria devolução imediata de dinheiro e ouro do banco Oschadbank.UE irá conceder empréstimo de 90 mil milhões de euros à Ucrânia “de uma forma ou de outra”