O primeiro dia do novo processo de negociações entre o regime venezuelano e um setor da oposição terminou, na madrugada desta sexta-feira (7 de agosto) sem anúncios concretos sobre reformas institucionais ou calendário eleitoral, mas com um resultado que ambas as partes apresentaram como essencial: a definição dos princípios para o diálogo. No comunicado conjunto divulgado após a reunião, as delegações comprometeram-se com uma negociação “de boa-fé”, orientada pela procura de benefícios para a Venezuela e pela busca de uma solução “política, pacífica, democrática e constitucional” para a crise do país. O documento estabelece ainda o reconhecimento e respeito mútuos entre as partes, a igualdade política na mesa de negociações, o cumprimento verificável dos futuros acordos e a defesa dos direitos humanos e políticos de todas as forças envolvidas. A reunião, na base aérea de La Carlota, em Caracas, envolveu os representantes do atual governo e os da Assembleia Nacional eleita em 2015 (a última dominada pela oposição). A liderar o primeiro grupo esteve o atual líder da Assembleia, Jorge Rodríguez, irmão da presidente interina Delcy Rodríguez, enquanto o grupo da oposição é liderado por Dinorah Figuera..A médica venezuelana que deixou o exílio para dialogar com o regime."Hoje demos início ao processo que marcará o caminho rumo à democracia e à reinstitucionalização da Venezuela, entre deputados da Assembleia Nacional de 2015 e representantes do governo interino. Estamos a trabalhar firmemente pela liberdade e pela democracia dos venezuelanos", escreveu Dinorah Figuera no X..Este primeiro ciclo negociações vai decorrer em sessão permanente até à próxima quarta-feira, 12 de agosto, avaliando-se depois se o processo deverá ou não continuar. As partes comprometeram-se também a informar a população sobre os progressos obtidos ao longo do processo.O Sindicato dos Trabalhadores da Imprensa da Venezuela denunciou contudo que “embora a imprensa tenha sido convocada, foi posteriormente negado o acesso aos jornalistas”, considerando "grave que o início do diálogo esteja marcado por restrições à cobertura e pelo assédio a uma jornalista"..ONG exige libertação de 40 estrangeiros presos por motivos políticos na Venezuela .Venezuela continua a contar os mortos um mês após o duplo sismo que reforçou o poder da presidente