Netanyahu recordou palavras do seu irmão, herói militar israelita, ao dizer que o seu país irá vencer porque não tem escolha.
Netanyahu recordou palavras do seu irmão, herói militar israelita, ao dizer que o seu país irá vencer porque não tem escolha.EPA/SARAH YENESEL

Realidades paralelas de Abbas e Netanyahu na ONU

Líder da Autoridade Palestiniana vê uma Palestina não-militarizada ao lado de Israel. Primeiro-ministro israelita refuta acusações de genocídio e acusa o autarca de Nova Iorque de antissemitismo.
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Mahmoud Abbas, o nonagenário presidente da Autoridade Palestiniana, dirigiu-se aos líderes e diplomatas mundiais reunidos na Assembleia Geral das Nações Unidas através de uma mensagem vídeo porque a administração Trump recusou conceder-lhe visto. Já o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu, ao qual impende um mandado de detenção do Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra e crimes contra a humanidade, e que o presidente da Câmara de Nova Iorque queria prender, disse que Israel vai vencer porque “não há outra escolha”.

“Rejeitamos estas medidas ilegais e punitivas, assim como as acusações e justificações em que se baseiam”, começou por dizer Abbas sobre a ausência de emissão de vistos e pediu para os EUA retomarem o diálogo para que a solução dos dois Estados se torne realidade. No entanto, advertiu sobre a acentuada violência dos “terroristas”, os israelitas dos colonatos na Cisjordânia, ao que se juntam o “roubo de terras” e as demolições num “sistema de leis, medidas e práticas todas baseadas na discriminação racial, limpeza étnica e terrorismo estatal”. Tudo isto, disse, não só impede a solução dos dois Estados, mas ameaça “a própria existência do povo palestiniano”. A esse propósito, dirigiu-se a Donald Trump e lembrou que este se comprometeu em impedir a anexação de terras palestinianas e rejeitar o deslocamento forçado.

Sobre Gaza, pediu que se acelere a aplicação da segunda fase do acordo de paz entre Israel e Hamas, enquanto realçou que a violência exercida pelas forças israelitas em Gaza criou uma “catástrofe humana sem precedentes”. Depois de apelar para a comunidade internacional não ficar calada, afirmou que os palestinianos não aceitarão serem deslocados. Apelou para a unificação da Cisjordânia e da Faixa de Gaza e disse qual a sua visão: “Procuramos um Estado palestiniano democrático que respeite a lei e os direitos humanos. Um Estado não militarizado que viva em segurança e em paz ao lado do Estado de Israel.”

A mensagem de Abbas foi transmitida nos ecrãs do salão da Assembleia Geral.
A mensagem de Abbas foi transmitida nos ecrãs do salão da Assembleia Geral. EPA/LEV RADIN

Recebido com o abandono do salão por parte de dezenas de delegados, Netanyahu respondeu na mesma moeda: “Se há mais algum cobarde moral que não tenha ainda saído, por favor que o faça.” E acusou os diplomatas que protestaram de hipocrisia porque, afirma, os seus líderes agradecem-lhe em privado. Contou depois a história do seu encontro com o irmão Yonatan em 1967, antes da Guerra dos Seis Dias, no qual o militar lhe disse a frase que repetiu várias vezes ao longo do discurso, sobre a vitória de Israel: “Não há outra escolha.”

Lamentou a “distorção” de que o seu país é vítima quando sofre “milhares de tentativas de ataques por ano” e os líderes mundiais destacam os dois ou três mortos por ano da violência dos extremistas na Cisjordânia. Pelo meio acusou o Qatar e a Turquia do “tirano Erdogan” de espalharem mentiras sobre Israel.

Por fim, refutou as acusações de que o país é alvo em Gaza: “Que regime genocida dá 1 milhão de vacinas da poliomielite? Que regime genocida permite a distribuição de 2 milhões de toneladas de comida? É a mentira do século. Tenham vergonha pela distorção dos factos, vergonha por inverterem vítima e agressor, vergonha por cuspirem na verdade”, proferiu.

Netanyahu não terminou sem acusar o mayor Zohran Mamdani e a mulher de antissemitismo, recorrendo ao histórico das suas redes sociais. "Não me pode silenciar", disse sobre as declarações de Mamdani de que gostaria de o prender. "Aqui está uma verdade: Israel não cometeu genocídio, Israel preveniu um genocídio."

Deixou ainda mais uma farpa: "Ao manifestantes lá fora, aos delegados hipócritas que saíram da sala, onde é que estavam quando o regime iraniano mutilou e massacrou milhares do seu próprio povo?" Aos iranianos, augurou que o poder do povo vai prevalecer ao de quem está no poder. "O regime vai cair e vamos todos celebrar esse dia."

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