Pezeshkian mostrou fotografias de algumas das crianças mortas na escola de Minab, no primeiro dia de guerra.
Pezeshkian mostrou fotografias de algumas das crianças mortas na escola de Minab, no primeiro dia de guerra.EPA/SARAH YENESEL

Presidente iraniano vira a acusação de terrorista para os EUA e Israel

Masoud Pezeshkian respondeu à letra às palavras da véspera do líder dos Estados Unidos. Ainda assim, disse que Teerão está pronta a restabelecer negociações.
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Perante a Assembleia Geral das Nações Unidas, Masoud Pezeshkian respondeu nesta quarta-feira (23) à ameaça da véspera de Donald Trump, ao afirmar que "a resistência do povo iraniano só irá crescer com o aumento da pressão", mostrou-se disposto a encetar negociações, e devolveu a acusação de "terroristas" aos EUA e Israel. "Nunca iremos baixar a cabeça ou ficar de joelhos. Trump e aqueles que tentam intimidar-nos têm de compreender o Irão. Estamos prontos para o diálogo, diplomacia e negociações, mas sem aceitar a linguagem da força", proferiu o presidente iraniano.

Ao iniciar a sua alocução, o presidente iraniano começou por dizer que o discurso que tinha preparado teve de ser alterado depois de, na véspera, e naquele mesmo local, não por Donald Trump ter ameaçado o seu país de "aniquilação", como fez, mas por ter descrito a república islâmica de "terroristas". O que se seguiu foi o que se poderia descrever como a defesa da honra do regime iraniano, esquecendo o historial de repressão ao próprio povo.

"Temos sido vítimas de terrorismo. Venho do Irão, em que o nosso estimado guia supremo foi assassinado sem qualquer base legal ou motivo. Venho do Irão onde, na verdade, bombardearam uma escola", ao que mostrou uma imagem de Ali Khamenei e fotografias de algumas das vítimas do bombardeamento, por parte de um míssil Tomahawk, de uma escola em Minab, no primeiro dia de guerra, 28 de fevereiro.

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"Crianças inocentes, que na verdade não tinham cometido nenhum crime, nenhum pecado." De seguida fez também referência a outras crianças mortas num pavilhão desportivo em Lamerd. "Nós fomos atacados pelos EUA e Israel e nós defendemo-nos, não atacámos civis. Eles atacaram escolas, hospitais, infraestruturas. Somos nós que causamos instabilidade? São eles os protetores da paz e da estabilidade? E nós é que somos chamados de terroristas?", questionou.

A mesma lógica foi usada para a questão nuclear. "Queremos energia para o progresso, não para ameaçar povos com armas", garantiu Pezeshkian. Mais à frente lembrou que confiança mútua é o tópico do debate geral. "Mas isso não pode ser alcançado só com palavras. Há armas nucleares nas mãos de Israel, mas os inspetores nucleares são chamados a ir ao Irão. Israel assassinou selvaticamente mais de 70 mil pessoas em Gaza, mas o Irão foi bombardeado durante as negociações [com os EUA]. Israel tem armas de destruição maciça. Durante a sua vida vergonhosa não permitiu uma única inspeção, mas foi recompensado com todos os meios para poder bombardear todas as capitais da região à vontade. Esta é uma verdade trágica. Eles matam, nós somos punidos", concluiu.

Pelo meio, o presidente iraniano, considerado moderado e que é de entre os líderes iranianos quem se mostra em público mais interessado na via diplomática, lembrou que a Palestina "é uma ferida aberta na consciência da comunidade internacional" e que "a resistência não pode ser vergada por bombas ou cercos".

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