Rangel diz que situação na Cisjordânia é "extremamente preocupante"
O ministro dos Negócios Estrangeiros português considerou esta quinta-feira, 10 de setembro, que a situação na Cisjordânia é “extremamente preocupante”, justificando as limitações ao comércio de bens produzidos nos colonatos defendidas por Portugal e outros 11 países.
“Numa altura em que a situação na Cisjordânia é extremamente preocupante, [Portugal] reitera aquela que tem sido a nossa posição e que temos sempre defendido no quadro da União Europeia” perante o aumento dos colonatos israelitas na região, ilegais perante o Direito Internacional, disse esta quinta-feira Paulo Rangel.
Numa posição divulgada na terça-feira, os ministros dos Negócios Estrangeiros de 12 Estados - Canadá, Dinamarca, Finlândia, França, Islândia, Irlanda, Noruega, Polónia, Portugal, Espanha, Suécia e Reino Unido - confirmaram a intenção de introduzir restrições nacionais e apoiar medidas europeias que limitem o comércio de bens provenientes de colonatos israelitas na Cisjordânia.
Esta posição, afirmou o chefe da diplomacia portuguesa aos jornalistas à margem de uma audição no parlamento, “não tem nenhuma novidade” do ponto de vista de Portugal.
“Na verdade, não dissemos nada de novo relativamente àquilo que eu tenho defendido sempre nos Conselhos dos Negócios Estrangeiros da União Europeia e que tenho dito publicamente”, comentou, admitindo que para o Reino Unido, “tem algumas novidades”.
Questionado sobre um possível posicionamento israelita perante o anúncio desta semana, Rangel indicou que as autoridades de Israel ainda não reagiram junto de Lisboa.
“As nossas posições são totalmente conhecidas, Portugal tem pugnado desde há muitas décadas pela solução dos dois Estados”, insistiu o ministro, recordando que o Governo reconheceu oficialmente o Estado da Palestina há um ano.
No comunicado, os 12 países alegaram que a situação na Cisjordânia "está a deteriorar-se rapidamente perante níveis sem precedentes de violência de colonos e expansão de colonatos”.
Israel ocupa a Cisjordânia desde 1967, na sequência da Guerra dos Seis Dias, mantendo também a anexação de Jerusalém Oriental, não reconhecidas pela comunidade internacional.
Lado a lado com cerca de três milhões de palestinianos, mais de 500 mil israelitas vivem atualmente em colonatos na Cisjordânia.
A política de colonização tem sido mantida por sucessivos governos israelitas desde 1967, mas intensificou-se após a formação do atual executivo liderado por Benjamin Netanyahu, no final de 2022, e ganhou novo impulso na sequência do ataque do movimento islamita palestiniano Hamas, em 07 de outubro de 2023.
A violência intensificou-se na Cisjordânia igualmente desde 07 de outubro de 2023, com ataques quase diários de colonos e incursões regulares em aldeias palestinianas.

