Enquanto o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, visitou o Qatar, a Arábia Saudita e a Turquia para falar dos esforços de paz que o seu país está a empreender junto dos EUA e do Irão, coube ao marechal de campo Asim Munir a tarefa mais importante desta diplomacia de vaivém: ir até Teerão para garantir uma nova ronda de negociações com os norte-americanos. Um homem de guerra, por muitos considerado o líder de facto do Paquistão, a tentar fazer a paz. O marechal de campo, de 59 anos, é o líder militar mais poderoso do país desde Pervez Musharraf, que chegou ao poder após um golpe pacífico em 1999 e foi presidente até 2008. Desde que em novembro do ano passado foi aprovada a 27.ª emenda da Constituição é considerado mais poderoso que o atual presidente, Asif Ali Zardari, ou o próprio Shehbaz Sharif, sendo mais difícil de afastar do que qualquer um deles. Conta também com imunidade total.Nomeado chefe do Exército em 2022, tornou-se em dezembro do ano passado no primeiro chefe das Forças de Defesa do Paquistão (o cargo que substituiu o de chefe do Estado-Maior conjunto), controlando uma força de 700 mil militares. É o primeiro que foi educado numa madrassa (escola islâmica) e só o segundo marechal de campo do país - o anterior, Mohammad Ayub Khan, autoproclamou-se assim depois de chegar ao poder num golpe de Estado, em 1958. Munir, que já esteve à frente dos serviços secretos e da secreta militar, foi promovido em maio de 2025 pelo seu papel de liderança no conflito com a Índia. Após um ataque terrorista que matou 26 turistas na Caxemira indiana, Nova Deli, que acusa Islamabad de apoiar os separatistas, bombardeou os alegados campos de treino no interior do Paquistão. Os paquistaneses responderam na mesma moeda, tendo as duas potências nucleares estado envolvidas em combates aéreos. Um cessar-fogo foi alcançado graças à mediação dos EUA, uma das sete guerras que Donald Trump alega ter acabado. O Paquistão nomeou depois o presidente para o Prémio Nobel da Paz, com Trump a abrir as portas da Casa Branca em pelo menos duas ocasiões a Munir - que apelidou de o seu “marechal de campo favorito”. Um gesto que também pôs fim a quase uma década de relações tensas entre Washington e Islamabad, depois de Trump (no primeiro mandato) ter acusado o Paquistão de “mentiras e enganos” por receber milhões de dólares em apoio militar e continuar a ser um porto seguro para os terroristas (foi lá que Osama bin Laden foi morto em 2011, uma década depois dos atentados do 11 de Setembro). .Aisha Farooqui: “Os Estados Unidos e o Irão confiaram no Paquistão pela sua capacidade de facilitar o diálogo”.O protagonismo do Paquistão