"Estamos perante uma trágica onda de afogamentos". A afirmação foi feita esta terça-feira, 23 de junho, pelo primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, durante uma reunião de crise sobre a onda de calor que o país atravessa. "O último número que nos foi comunicado é de 40 mortes desde 18 de junho, principalmente entre jovens", indicou."São as primeiras vítimas da crise que estamos a enfrentar", lamentou o chefe do governo, citado pela imprensa francesa, referindo-se a um "triste flagelo".Antes, a ministra do Desporto e da Juventude, Marina Ferrari, disse à rádio France Inter que "nadar em áreas sem supervisão durante uma onda de calor, não é algo que deva ser encarado levianamente", dando conta que tinham sido registadas cerca de 20 mortes desde o início do passado fim de semana."Todos precisamos nos refrescar e queremos ter acesso à água, mas é fundamental respeitar as áreas que estão vigiadas. Vemos, por exemplo, jovens a nadar em canais e é preciso ter muito cuidado com os lugares onde se decide entrar na água", alertou a ministra.Na segunda-feira, recorde-se, a morte de duas crianças, de 2 e 4 anos, foi associada às temperaturas extremas que se fazem sentir no país. As crianças foram encontradas mortas no interior de um carro num parque de estacionamento residencial em Carpentras, no sul de França. "As causas das mortes ainda estão a ser apuradas, mas a onda de calor é a principal hipótese", disse a procuradora de Carpentras, Hélène Mourges, citada pela AFP.Uma "onda de calor excepcional atingiu" França, com mais de metade do país em alerta vermelho, com temperaturas acima dos 40 graus em algumas regiões, levando, por exemplo, ao encerramento de escolas e ao cancelamento ou a atrasos nos transportes.Paris com rede de tranportes sob pressãoA presidente da região da Île-de-France, Valérie Pécresse, afirmou aos jornalistas que "a rede de transportes fica sob forte pressão em períodos de calor extremo" e que "os caminhos de ferro não conseguem suportar temperaturas superiores a 50 graus". "É por isso que aconselhámos todos os passageiros que o possam fazer a adiar as suas viagens, em especial as pessoas vulneráveis, e que todos aqueles que possam trabalhar a partir de casa o façam", disse.A central nucelar de Golfech, no sudoeste do país, foi mesmo obrigada a parar devido à onda de calor extrema. Foi desligada na noite de segunda-feira, 22 , devido a "restrições ambientais" relacionadas com a onda de calor, anunciou um porta-voz da unidade.Segundo a previsão da agência de meteorologia Météo-France, na tarde desta terça-feira "as temperaturas permanecerão excecionalmente elevadas na maior parte do país, com 39°C a 42°C em grande parte do oeste de França (chegando localmente aos 43°C na região de Poitou-Charentes-Val de Loire). O calor intenso está a espalhar-se da Bretanha à Normandia e também em direção a Hauts-de-France".A noite de segunda para terça-feira foi mesmo a mais quente registada desde o início das medições, em 1947, segundo a Météo-France. Os dados provisórios referem que o indicador nacional de temperatura - uma média das leituras de 30 estações em todo o país- atingiu os 21,6 °C. O recorde anterior, 21,4 ºC, foi registado a 25 de julho, de 2019..Torre Eiffel e Louvre encerram mais cedo.A onda de calor extrema já levou à decisão de encerrar mais cedo uma das principais atrações turísticas de Paris e do mundo. "Devido às elevadas temperaturas previstas, a Torre Eiffel irá ajustar o seu horário de funcionamento", afirmou a entidade gestora do monumento, citada pelo jornal Le Monde. "A Torre Eiffel encerrará, excecionalmente, às 16h00", informou. De referir que, durante o mês de junho, horário de funcionamento é das 09h00 à 00h45. A entidade que gere o monumento adiantou que é provável que a medida seja tomada esta quarta-feira, indicando que os visitantes serão reembolsados pelos bilhetes adquiridos.Mas este não é caso único. O Le Monde avança ainda que o Museu do Louvre, o mais visitado do mundo, anunciou também esta terça-feira que iria antecipar o horário de encerramento para as 16h00, em vez das 18h00, uma medida que entra em vigor de quarta a sábado, devido ao calor. .Até ao momento, esta onda de calor que assola a Europa tem afetado sobretudo França, Itália e Espanha, com as autoridades a emitir alertas vermelhos devido a temperaturas que chegam a ultrapassar os 40 ºC.Com agências