Putin promete a Teerão todo o apoio no processo de paz

Ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão visitou a Rússia. Trump deverá realizar uma reunião com os principais elementos da sua equipa de segurança nacional para discutir guerra com o Irão.
Vladimir Putin recebeu o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi
Vladimir Putin recebeu o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi DMITRI LOVETSKY/AP POOL/EPA

Organização Marítima Internacional requer desagravamento do conflito para evacuar Estreito de Ormuz

O secretário-geral da Organização Marítima Internacional (OMI) afirmou hoje em Londres que não será possível haver qualquer corredor de evacuação no Estreito de Ormuz sem o desagravamento do conflito e a garantia de que não existem minas.  

"Não poderemos implementar qualquer plano de evacuação enquanto não for seguro fazê-lo", disse o responsável durante uma conferência de imprensa na sede da OMI em Londres, onde decorre a 84.ª sessão da Comissão de Proteção do Ambiente Marinho (MEPC). 

Primeiro lugar, enfatizou, é necessário assistir a um "desagravamento [das hostilidades] durante uma fase mais prolongada e, ao mesmo tempo, de receber assistência para garantir que os canais de navegação na zona estejam livres, incluindo de minas".

Segundo a agência das Nações Unidas, 20 mil tripulantes de 1.600 navios continuam retidos no golfo Pérsico e estreito de Ormuz, onde foram registados 29 ataques a navios desde o início do conflito no Irão. 

Questionado sobre se um desbloqueio daquela passagem marítima poderá implicar aceitar o pagamento de "portagens", como pretende Teerão, Dominguez recusou "quaisquer impostos, direitos aduaneiros ou taxas". 

"Tenho sido muito claro quanto a isso. A liberdade de navegação não é negociável para a OMI, e nenhum país tem o direito de obstruir o tráfego num estreito destinado à navegação internacional", reiterou. 

O responsável invocou o direito internacional e a Convenção Internacional para a Salvaguarda da Vida Humana no Mar (SOLAS), por exemplo. 

"A única solução é retomar as operações tal como se realizavam antes do início do conflito, o que inclui a ausência de portagens", defendeu, insistindo que "não há base legal para que um país controle um estreito de navegação internacional". 

Dominguez disse estar em contacto com todos os países da região, incluindo o Irão, a quem tem transmitido esta mensagem. 

Lusa

Putin promete a Teerão todo o apoio no processo de paz

Vladimir Putin recebeu o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi
Vladimir Putin recebeu o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi DMITRI LOVETSKY/AP POOL/EPA

O presidente russo, Vladimir Putin, assegurou hoje ao chefe da diplomacia iraniano, Abbas Araghchi, que Moscovo fará tudo o que for possível para que a paz chegue o mais rapidamente possível ao Médio Oriente.

Durante o encontro, realizado na Biblioteca Presidencial em São Petersburgo, Putin considerou que os iranianos lutam heroicamente pela soberania, numa alusão à guerra que Estados Unidos e Israel travam contra o Irão desde 28 de fevereiro.

“Pela nossa parte, faremos tudo o que sirva os vossos interesses, os interesses de todos os povos da região, para que a paz possa ser alcançada o mais rapidamente possível”, afirmou Putin, citado pelos meios de comunicação estatais russos.

Araghchi, que se encontra numa digressão diplomática para reunir apoios na guerra contra Washington, chegou hoje de manhã a São Petersburgo, noroeste da Rússia, para se encontrar com Putin.

“Vemos com que bravura e heroísmo o povo iraniano luta pela sua independência”, disse Putin em declarações divulgadas pelos meios russos e citadas pelas agências espanhola EFE e francesa AFP.

Putin transmitiu também a Araghchi que Moscovo partilha o interesse em continuar a estreitar os laços com Teerão, em resposta a uma missiva enviada recentemente pelo líder supremo do Irão, Mojtaba Khamenei.

“A Rússia, tal como o Irão, tem a intenção de continuar as nossas relações estratégicas”, afirmou o líder russo.

Araghchi disse que os laços estratégicos com a Rússia são de grande importância para o Irão, pelo que continuarão por essa via.

“Esse é o caminho que seguiremos”, afirmou o chefe da diplomacia iraniana, citado pela agência russa Interfax.

Horas antes, ao chegar a São Petersburgo, Araghchi acusou Washington de ter feito fracassar as conversações de paz no Paquistão.

“As abordagens norte-americanas fizeram com que o ciclo anterior de negociações, apesar dos progressos, não atingisse os objetivos devido a exigências excessivas”, denunciou Araghchi.

Lusa

Agricultores de Beja alertam para efeitos do conflito no setor

Os custos dos agricultores com os fatores de produção têm aumentado, nalguns casos “mais de 50%”, devido ao conflito entre EUA e Irão, sendo necessários “apoios extraordinários” para o setor, defendeu o presidente de uma associação alentejana.

Em entrevista enviada à agência Lusa, no âmbito da 42.ª edição da feira agropecuária Ovibeja, o presidente da ACOS – Associação de Agricultores do Sul, Rui Garrido, indicou que “desde o princípio de março, o gasóleo agrícola já subiu 60 cêntimos e os fertilizantes, em média, mais 30%”.

“Sendo que, para alguns, o seu preço já aumentou mais de 50%. Isto para não falar dos agroquímicos que também irão aumentar”, acrescentou o dirigente agrícola.

Para Rui Garrido, algumas das medidas do Governo, “nomeadamente, um apoio de 10 cêntimos ao litro de gasóleo, o que representa menos de um quinto do seu aumento”, acabam por ser “manifestamente insuficientes”.

“Tanto mais, se compararmos com os nossos vizinhos espanhóis, que vão ter uma ajuda direta de 30 cêntimos por litro de combustível e uma ajuda equivalente para a aquisição de fertilizantes”, frisou.

Esta situação faz com que se produza “com custos mais elevados, mas com preços de venda que não poderão ser superiores, havendo uma concorrência desleal”, reforçou.

“Trata-se de uma situação muito extraordinária, que terá que ter apoios extraordinários em tempo oportuno”, apontou.

Lusa

Starmer preside terça-feira a reunião do comité de emergência Cobra sobre impacto económico da guerra no Médio Oriente

O primeiro-ministro britânico vai presidir na terça-feira à reunião do comité de emergência Cobra sobre os impactos económicos da guerra levada a cabo pelos EUA e Israel contra o Irão.

"As consequências económicas [da guerra com o Irão] ainda podem afetar-nos por algum tempo. Não é preciso ser político para o saber. Podem ver isso em todos os postos de abastecimento [de combustível] do país…", disse esta segunda-feira Keir Starmer, citado pelo The Guardian, durante uma reunião com delegados do sindicato USDAW 

O chefe do Governo britânico informou que a reunião vai contar com a presença de representantes do Banco de Inglaterra.

Vladimir Putin recebeu o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi
Empresas antecipam subida de custos de 5,8% e aumento de preços em 3,5%, aponta BCE

Trump vai reunir-se com elementos da segurança nacional para discutir a atual situação na guerra com o Irão

O presidente dos EUA vai realizar esta segunda-feira uma reunião com os principais elementos da sua equipa de segurança nacional para discutir a atual situação na guerra com o Irão, avança a ABC News, que cita dois funcionários norte-americanos.

A reunião acontece numa altura em que as negociações com o Irão estão paradas, tendo Teerão enviado uma nova proposta aos EUA para reabrir o estreito de Ormuz, pôr fim à guerra e adiar as negociações sobre o programa nuclear de Teerão para mais tarde.

De acordo com um dos responsáveis norte-americanos ouvidos pela ABC News, os termos da nova proposta iraniana parecem estar ainda muito aquém das linhas vermelhas traçadas pela administração Trump.

Barak Ravid, correspondente do site norte-americano Axios, disse que Trump deverá reunir-se com a sua principal equipa de segurança nacional e política externa para discutir os próximos passos na guerra com o Irão.

Brent ultrapassa 108 dólares barril apesar da nova proposta de negociação de Teerão

O barril de petróleo Brent acentua a subida inicial da sessão de hoje e, cerca das 10:30 em Lisboa, avança 2,66% para 109,09 dólares, apesar de Teerão ter apresentado a Washington uma nova proposta de negociação.

Cerca das 10:30 em Lisboa, e segundo dados da Bloomberg recolhidos pela Lusa, o Brent, petróleo de referência da Europa, para entrega em junho subia 2,66%, para 108,09 dólares.

No entanto, por volta das 09:00 em Lisboa, o barril de Brent chegou a valorizar-se com mais força, quase 3%, para um máximo de 108,47 dólares.

O Brent mantém hoje a tendência de alta da semana passada, quando subiu quase dez dólares, devido à falta de avanços nas negociações entre os Estados Unidos e o Irão.

Hoje, sobe novamente apesar de o Irão ter apresentado uma nova proposta de negociação aos Estados Unidos para reabrir o estreito de Ormuz, pôr fim à guerra e adiar as negociações sobre o programa nuclear de Teerão para mais tarde.

Lusa

Líder do Hezbollah recusa negociações diretas entre Líbano e Israel. "Não nos curvaremos e não seremos derrotados”

O líder do Hezbollah rejeitou a possibilidade de negociações diretas entre o Líbano e Israel, previstas após o prolongamento do cessar-fogo. Naim Qassem classificou as negociações diretas como um “pecado grave” que não irá beneficiar o Líbano

“Rejeitamos categoricamente as negociações diretas com Israel, e aqueles que estão no poder devem saber que as suas ações não beneficiarão o Líbano nem a si próprios”, disse Qassem em comunicado, citado pela AFP.

Na nota, pede que haja um recuo do "pecado grave que está a colocar o Líbano numa espiral de instabilidade”.

“Estas negociações diretas e os seus resultados são como se não existissem para nós e não nos dizem minimamente respeito”, disse o líder do Hezbollah, que fez uma promessa: “Vamos continuar a nossa resistência defensiva pelo Líbano e pelo seu povo".

“Por mais que o inimigo ameace, não recuaremos, não nos curvaremos e não seremos derrotados”, enfatizou.

Ataques israelitas contra o Líbano no domingo fizeram 14 mortos

Os ataques israelitas deste domingo contra o Líbano fizeram 14 mortos e 37 feridos, informou o Ministério da Saúde libanês, citado pela Reuters.

Entre as vítimas mortais estão duas crianças e duas mulheres, indicaram as autoridades do Líbano.

Um porta-voz do exército israelita afirmou na rede social X que o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irão, estava a violar o cessar-fogo, o que levou Israel a tomar medidas, aconselhando os habitantes do Líbano a dirigirem-se para norte e oeste, afastando-se das cidades, segundo a agência de notícias.

Ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão visita a Rússia

Abbas Aragchi, ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, chegou esta segunda-feira à Rússia, onde deverá encontrar-se com o presidente russo, Vladimir Putin, noticia a BBC, que cita a CBS News.

Em Moscovo, Aragchi culpou os Estados Unidos pelo impasse nas negociações que deveriam ter acontecido entre as delegações dos dois países no fim de semana, no Paquistão.

"As abordagens dos EUA fizeram com que a ronda anterior de negociações, apesar dos progressos, não atingisse os seus objetivos devido às exigências excessivas", disse o governante iraniano, segundo a imprensa internacional, que cita os media estatais iranianos.

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão afirmou também que "a passagem segura pelo estreito de Ormuz é uma questão global importante".

Depois de ter estado no Paquistão e em Omã no fim de semana, Abbas Araghchi vai agora encontrar-se com Putin em Moscovo. "É uma boa oportunidade para consultarmos os nossos amigos russos sobre os desenvolvimentos que ocorreram em relação à guerra durante este período e o que está a acontecer agora", afirmou.

Vladimir Putin recebeu o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi
Bolsas europeias em alta ligeira após Teerão apresentar nova proposta de negociação

China destaca “resiliência” do setor petrolífero apesar do conflito

A China destacou hoje a “resiliência” do setor petrolífero face aos riscos da guerra no Irão e garantiu o abastecimento de energia, apoiado no aumento da produção interna, diversificação das importações e controlo temporário dos preços.

Citado pelo jornal oficial Diário do Povo, o subdiretor do Departamento Geral da Administração Nacional de Energia da China, Zhang Xing, afirmou que as autoridades reforçaram o setor nos últimos cinco anos para assegurar o fornecimento “em todas as circunstâncias”.

Segundo o responsável, a produção de petróleo manteve-se acima de 200 milhões de toneladas anuais, atingindo novos máximos, enquanto a de gás natural registou nove anos consecutivos de crescimento, com aumentos superiores a 10 mil milhões de metros cúbicos por ano.

Zhang destacou ainda o reforço das infraestruturas, com mais de 200.000 quilómetros de oleodutos e gasodutos de longa distância e uma capacidade de receção de gás natural liquefeito superior a 120 milhões de toneladas anuais, bem como uma rede de importações energéticas “mais diversificada”.

Pequim tem respondido às “mudanças no ambiente externo” com uma estratégia baseada em “produção estável, importações diversificadas e regulação temporária de preços”, visando garantir “a estabilidade da economia” e satisfazer a procura interna, acrescentou.

O bloqueio ‘de facto’ do estreito de Ormuz, por onde transitava cerca de 20% do petróleo e gás globais antes dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão e das represálias de Teerão, tem afetado sobretudo a Ásia, principal destino dessas exportações.

No caso chinês, a situação naquela rota marítima é particularmente sensível, já que cerca de 45% das importações de petróleo e gás do país passam pelo estreito.

O conflito levou a uma subida dos preços dos combustíveis na China, obrigando as autoridades a intervir temporariamente, embora na semana passada tenha sido registado o primeiro recuo dos preços em 2026.

Lusa

Teerão apresenta nova proposta para reabrir o estreito de Ormuz

O Irão apresentou aos Estados Unidos uma nova proposta para reabrir o estreito de Ormuz e pôr fim à guerra, adiando para mais tarde as negociações sobre o programa nuclear de Teerão, informou o portal Axios.

Citando um responsável norte-americano e outras duas fontes não identificadas com conhecimento do assunto, o jornal digital indicou no domingo que Trump prevê analisar hoje com a sua equipa o atual impasse nas negociações e os possíveis passos a seguir.

A iniciativa surge em plena escalada de tensão, com o Comando Central norte-americano a confirmar no domingo que já impediu a passagem de 38 embarcações na zona, por ordem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Apesar do cessar-fogo, Trump determinou a manutenção do bloqueio naval, medida que, segundo o Departamento do Tesouro, está a afetar 90% do comércio marítimo iraniano.

"As forças norte-americanas obrigaram 38 navios a dar meia-volta ou regressar ao porto", anunciou o Comando Central na rede X, referindo-se ao bloqueio imposto desde 13 de abril.

O objetivo da Casa Branca é aumentar a pressão sobre Teerão, estrangulando as suas exportações de petróleo e reduzindo as fontes de financiamento.

Trump afirmou no domingo que não tem pressa em alcançar um novo acordo, sublinhando que a estratégia de "pressão máxima" da sua Administração está a asfixiar a economia iraniana e já "dizimou" a sua capacidade operacional.

A primeira ronda de negociações entre Washington e Teerão decorreu em Islamabade a 11 de abril, nas primeiras conversações diretas de alto nível em 47 anos, com o Paquistão como mediador.

As delegações reuniram-se durante mais de 20 horas, sem resultados, e a segunda ronda, prevista para o último fim de semana, não se concretizou, depois de o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abás Araqchí, ter abandonado o Paquistão sem intenção de dialogar com os enviados de Trump.

Araqchí apresentou em Islamabade um plano para contornar a questão nuclear, propondo que o cessar-fogo se prolongue ou que ambas as partes acordem o fim definitivo da guerra, deixando as negociações nucleares para mais tarde, após a reabertura do estreito e o levantamento do bloqueio.

No entanto, fontes diplomáticas indicam que a liderança iraniana não tem consenso sobre como responder às exigências norte-americanas para suspender o enriquecimento de urânio durante uma década e retirar o urânio enriquecido do país.

Lusa

Vladimir Putin recebeu o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi
Trump garante não ter pressa para alcançar acordo com o Irão
Vladimir Putin recebeu o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi
Frota “mosquito” iraniana ameaça a segurança no Estreito de Ormuz
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