Putin, ao centro, ladeado pelo presidente iraniano, Masoud Pezeshkian (esq.) e o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, na cimeira dos BRICS
Putin, ao centro, ladeado pelo presidente iraniano, Masoud Pezeshkian (esq.) e o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, na cimeira dos BRICSEPA

Putin avisa capitais europeias: envio de tropas para a Ucrânia é "guerra direta contra a Rússia"

Em Nova Deli, líder do Kremlin acusa a Europa de fabricar "ameaças imaginárias" e aproveita a cimeira dos BRICS para cimentar alianças militares e tecnológicas com a Índia de Narendra Modi.
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O presidente da Rússia, Vladimir Putin, traçou esta sexta-feira (11 de setembro) uma linha vermelha explícita para as nações europeias: qualquer destacamento de forças militares na Ucrânia representará a entrada automática num confronto armado aberto com a federação russa.

As declarações foram proferidas na capital indiana, onde o líder russo participa na cimeira dos chefes de Estado e de Governo do bloco BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

Citado pelas agências noticiosas russas, Putin reagiu diretamente aos debates em curso no seio de várias chancelarias ocidentais, sublinhando que a hipótese de enviar contingentes para o teatro de operações ucraniano é entendida por Moscovo como uma declaração de guerra formal.

"Atualmente, eles [os líderes europeus] dizem estar a analisar como enviar tropas para o território ucraniano. Isto significa uma guerra contra a Rússia, disse o presidente russo.

Em simultâneo, o governante procurou rebater o alarme de segurança instalado no flanco leste da NATO, assegurando que o Kremlin não tem qualquer intenção de atacar nações europeias e acusando os governos ocidentais de instrumentalizarem a opinião pública com um perigo que classificou de fictício.

A hipótese de colocar militares no terreno ucraniano tem sido ventilada de forma intermitente por líderes europeus nos últimos anos, embora sem consenso e longe de qualquer execução prática. Para o Kremlin, todavia, o cenário constitui a mais firme das linhas de rutura diplomática, sustentando Moscovo a justificação da invasão militar iniciada em fevereiro de 2022 precisamente na contenção da expansão da Aliança Atlântica em direção às suas fronteiras territoriais.

À margem da agenda multilateral dos BRICS, a deslocação a Nova Deli serviu igualmente para Putin cimentar o alinhamento estratégico com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi. Trata-se do segundo encontro bilateral presencial entre os dois chefes de governo em menos de duas semanas, após a cimeira da Organização de Cooperação de Xangai realizada em Bishkek, no Quirguistão.

A agenda do encontro centrou-se em pastas sensíveis da cooperação técnico-militar, designadamente a modernização dos mísseis BrahMos, a conclusão das entregas dos sistemas de defesa antiaérea S-400 e a eventualidade de Nova Deli avançar para a aquisição de caças furtivos de quinta geração Sukhoi Su-57. Em paralelo, os dois líderes analisaram o desenvolvimento conjunto de projetos de energia nuclear civil e a segurança do tráfego marítimo mercante, numa altura em que as tensões globais pressionam as rotas comerciais no oceano Índico.

Durante as conversações, Modi voltou a apelar à transição de uma conjuntura de conflito permanente para uma saída negociada na Ucrânia, mantendo a postura de equilíbrio da Índia entre as parcerias económicas e de defesa com a Rússia e a pressão diplomática exercida pelo Ocidente.

Os trabalhos da cimeira dos BRICS estendem-se até domingo, marcados também pela instabilidade geopolítica no Médio Oriente e pela complexidade em definir posições comuns entre os 11 membros do grupo alargado.

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