A princesa herdeira da Noruega, Mette-Marit (à esquerda), aqui com a primeira-dama da Islândia, Dorrit Moussaieff, e Ghislaine Maxwell, na sessão de abertura da Clinton Global Initiative, em Nova Iorque.
A princesa herdeira da Noruega, Mette-Marit (à esquerda), aqui com a primeira-dama da Islândia, Dorrit Moussaieff, e Ghislaine Maxwell, na sessão de abertura da Clinton Global Initiative, em Nova Iorque.Foto: EPA/PONTUS HOOK

Princesa herdeira da Noruega diz ter sido "manipulada e enganada" por Epstein

Documentos da justiça americana revelaram uma comunicação frequente entre Mette-Marit e Epstein, que ocorreu depois de este se ter declarado culpado, em 2008, de abusar sexualmente uma menor.
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A princesa herdeira da Noruega afirmou esta sexta-feira, 20 de março, que se arrepende da sua amizade com o falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein.

"Fui manipulada e enganada", disse Mette-Marit, emocionada, numa entrevista à estação pública NRK, procurando conter um dos maiores escândalos a atingir a família real do país. "É claro que gostaria de nunca o ter conhecido", afirmou.

A divulgação de milhões de documentos de Epstein pelo Departamento de Justiça dos EUA causou agitação mundial, revelando laços com pessoas proeminentes, incluindo a princesa herdeira e importantes políticos, executivos e diplomatas noruegueses.

Esses documentos revelaram uma comunicação frequente entre Mette-Marit e Epstein, que ocorreu muito tempo depois de este se ter declarado culpado, em 2008, de abusar sexualmente uma menor.

A princesa herdeira, de 52 anos, não foi acusada de qualquer crime, mas pediu desculpa ao rei Harald e à rainha Sonja num comunicado publicado a 6 de fevereiro.

Embora já fossem conhecidas ligações entre Mette-Marit e Epstein, os novos documentos revelaram uma relação mais extensa, o que provocou uma invulgar reprimenda por parte do primeiro-ministro.

Mette-Marit, mulher do príncipe Haakon, herdeiro do trono, manteve contacto com Epstein entre 2011 e 2014 e ficou hospedada na casa do criminoso sexual em Palm Beach durante quatro dias durante uma viagem privada em 2013.

"Ele usou o facto de termos um amigo em comum e de eu ser ingénua. Gosto de acreditar no melhor das pessoas. Mas também optei por terminar o contacto com ele", disse a princesa, que assegura não ter visto "nada ilegal".

Mette-Marit pediu desculpa em 2019 por não ter investigado o passado de Epstein, garantindo que nunca se teria associado a ele se soubesse da gravidade dos crimes que cometeu, mas um e-mail de outubro de 2011, entretanto revelado, mostra que Mette-Marit lhe escreveu a dizer que o tinha pesquisado no Google e que o encontrou "não tinha muito bom aspeto", seguido de um emoji sorridente.

Quando questionada sobre o e-mail pela NRK, Mette-Marit disse não se lembrar por que razão o escreveu. "Mas se tivesse encontrado informações que me fizessem perceber que ele era um abusador e agressor sexual, não teria desenhado um emoji sorridente", assegurou.

O marido de Mette-Marit, Haakon, declarou apoio à mulher num momento difícil, frisando que o casamento é para "os bons e os maus momentos". "A Mette é carinhosa, sábia e muito forte. E é por isso que a terei sempre ao meu lado quando algo difícil acontecer", disse o príncipe herdeiro.

A princesa herdeira não aparece em público há semanas, apesar de a família real ter marcado presença nos Jogos Olímpicos de Inverno em Itália e em eventos na Noruega.

A princesa herdeira da Noruega, Mette-Marit (à esquerda), aqui com a primeira-dama da Islândia, Dorrit Moussaieff, e Ghislaine Maxwell, na sessão de abertura da Clinton Global Initiative, em Nova Iorque.
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