Mette Frederiksen,  primeira-ministra da Dinamarca
Mette Frederiksen, primeira-ministra da DinamarcaFrederic GARRIDO-RAMIREZ/UNIÃO EUROPEIA

Primeira-ministra da Dinamarca admite "desacordo total" com EUA sobre Gronelândia

Reunião com vice-presidente dos EUA não foi fácil, reconheceu Frederiksen, uma vez que "a ambição americana de controlar a Gronelândia continua intacta”.
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A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, admitiu esta quinta-feira, 15 de janeiro, “desacordo total” com os Estados Unidos sobre o território autónomo Gronelândia, depois da reunião da véspera entre representantes de ambas as partes, em Washington.

EUA e Copenhaga decidiram criar um grupo de trabalho, mas “isso não muda o facto de que existe um desacordo total, pois a ambição americana de controlar a Gronelândia continua intacta”, lê-se em comunicado da chefe daquele governo, divulgado nas redes sociais.

"Trata-se obviamente de uma questão séria e, por isso, continuamos os nossos esforços para impedir que este cenário se torne realidade", declarou.

Frederiksen admitiu que o encontro de quarta-feira (14 de janeiro) dos ministros dos Negócios Estrangeiros da Dinamarca e da Gronelândia com o vice-presidente dos EUA, JD Vance, e o secretário de Estado Marco Rubio "não foi uma reunião fácil. "Gostaria de agradecer aos dois ministros por apresentarem de forma clara e inequívoca os pontos de vista do Reino e por contestarem as alegações americanas. Isso foi importante".

Na nota, a primeira-ministra dinamarquesa realçou "o consenso dentro da aliança da NATO de que uma presença reforçada no Ártico é crucial para a segurança europeia e norte-americana".

A chefe de governo afirmou que "a Dinamarca investiu significativamente em novas capacidades no Ártico", reconhecendo "que vários aliados estão atualmente a contribuir para atividades de exercícios conjuntos na Gronelândia". "A defesa e a proteção da Gronelândia são uma preocupação comum de toda a aliança da NATO", reforçou.

Mette Frederiksen,  primeira-ministra da Dinamarca
Falta de acordo com os EUA levam países europeus da NATO a reforçar o contingente militar na Gronelândia

Aliás, militares de vários países europeus preparam-se para reforçar o contingente que se encontra na Gronelândia, que na noite de quarta-feira aumentou graças à chegada de um avião da Real Força Aérea da Dinamarca com as primeiras tropas.

Mas entre os contingentes militares a caminho da Gronelândia estão, entre outros, franceses, alemães, noruegueses e suecos, segundo a AFP.

“Os primeiros elementos militares franceses já estão a caminho e outros seguirão”, anunciou o presidente francês Emmanuel Macron. Aliás, 15 soldados franceses da unidade de infantaria de montanha já estão mesmo em Nuuk para um exercício militar.

A Alemanha informou que vai enviar uma equipa de reconhecimento de 13 pessoas esta quinta-feira, 15 de janeiro.

Este aumento do contingente militar de países da NATO na Gronelândia já originou uma reação da Rússia, que disse estar "seriamente preocupada" através da sua embaixada em Bruxelas que, em comunicado, realçou que "em vez de trabalhar construtivamente" no quadro das instituições existentes, a NATO "escolheu o caminho da militarização acelerada do Norte e está a reforçar a sua presença militar na região sob o pretexto fabricado de uma crescente ameaça de Moscovo e Pequim".

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