Com a tensão entre Estados Unidos, Dinamarca e Gronelândia (e aliados) num crescendo devido aos comentários de Donald Trump, os líderes da diplomacia de Copenhaga e Nuuk foram recebidos esta quarta-feira, 14 de janeiro, em Washington pelo vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio, numa tentativa de tentar acalmar a situação, mas também, segundo a NBC, elaborar uma proposta para a compra do território autónomo dinamarquês. Esta quarta-feira circulava nos media norte-americanos um valor de cerca de 700 mil milhões de dólares (cerca de 601 mil milhões de euros), mas sem se perceber como este teria sido calculado. Fazendo um balanço do encontro, que classificou como “franco”, o dinamarquês Lars Lokke Rasmussen admitiu que “as nossas perspetivas continuam a divergir.” Para Rasmussen, Copenhaga “continua a acreditar que a segurança a longo prazo da Gronelândia pode ser assegurada dentro da estrutura atual”, e que a Dinamarca e a Gronelândia consideram “totalmente inaceitáveis quaisquer ideias que não respeitem a integridade territorial da Dinamarca e o direito à autodeterminação do povo gronelandês”. “Portanto, ainda temos uma discordância fundamental, mas também concordamos em discordar”, prosseguiu o ministro dos Negócios Estrangeiros dinamarquês, adiantando que será criado um grupo de trabalho de alto nível para explorar se as duas visões podem ser conciliadas.A seu lado, a líder da diplomacia gronelandesa, Vivian Motzfeldt, disse que “nunca foi tão importante” salientar que a Dinamarca e a Gronelândia são aliadas dos EUA e desejam continuar a trabalhar juntas no futuro, mas que é também importante “normalizar” a relação no meio da escalada da retórica.Rasmussen notou ainda que “definitivamente há uma nova situação de segurança no Ártico e, claro, temos de responder a isso”, mas sublinhou que foi decisão dos EUA reduzir drasticamente o número dos seus militares na Gronelândia de 10.000 para 200 ao longo dos anos. “A grande diferença é se isso levará a uma situação em que os EUA adquiram a Gronelândia, e isso é absolutamente desnecessário”.Nas horas anteriores a este encontro, Donald Trump usou as redes sociais para aumentar o tom do seu discurso sobre a Gronelândia através de várias publicações. “NATO: Digam à Dinamarca para os tirar daqui, JÁ! Dois trenós puxados por cães não vão resolver! Só os EUA é que conseguem!!!”, escreveu numa delas. O presidente dos EUA voltou também a insistir que o país “precisa da Gronelândia para fins de segurança nacional” e que “a NATO não seria uma força eficaz ou um factor dissuasor, nem de perto” no Ártico. Numa outra publicação, Trump defendeu ainda que “a NATO deveria liderar o caminho para que a conquistemos” e que “se não o fizermos, a Rússia ou a China vão fazê-lo, e isso não vai acontecer!”. “A NATO torna-se muito mais formidável e eficaz com a Gronelândia nas mãos dos Estados Unidos. Qualquer coisa menos do que isso é inaceitável”, declarou.No entanto, esta retórica parece não encontrar um forte apoio entre a população. Segundo uma sondagem da Reuters/Ipsos divulgada esta quarta-feira, apenas 17% dos norte-americanos aprovam os esforços de Trump para adquirir a Gronelândia, e maiorias substanciais de democratas e republicanos opõem-se ao uso da força militar para anexar a ilha. Apenas 4% dos norte-americanos, incluindo apenas um em cada dez republicanos e quase nenhum democrata, disseram que seria uma “boa ideia” os EUA usarem a força militar para tomar posse da Gronelândia. Esta sondagem da Reuters mostra ainda que cerca de 66% dos inquiridos, incluindo 91% dos democratas e 40% dos republicanos, disseram estar preocupados com o facto de os esforços dos EUA para adquirir a Gronelândia prejudicarem a NATO e as relações dos EUA com os aliados europeus.Reforço da presença militarO governo da Gronelândia intensificou a presença militar “dentro e à volta” da ilha, numa altura em que se prepara para realizar exercícios com a Dinamarca e outros aliados da NATO para melhorar a segurança no Ártico. O ministro da Defesa dinamarquês, Troels Lund Poulsen, confirmou esta quarta-feira que haverá uma presença militar “mais permanente” e maior na Gronelândia, referindo ainda considerar “improvável” que um país da NATO ataque outro Estado-membro e que qualquer questão sobre um ataque dos EUA à Gronelândia permanece “altamente hipotética”.O primeiro-ministro sueco confirmou que oficiais do exército do país chegaram esta quarta-feira à Gronelândia no âmbito do destacamento de tropas aliadas europeias para os próximos exercícios “Operação Arctic Endurance”. Ulf Kristersson explicou que as tropas fazem parte de um grupo de países aliados e que a decisão de as enviar foi tomada em resposta a um pedido da Dinamarca.Também a Noruega parece estar a juntar-se aos exercícios na Gronelândia, com o jornal VG, citado pelo Guardian, a noticiar comentários do ministro da Defesa norueguês, Tore O. Sandvik, de que dois planeadores militares noruegueses irão para o território para “mapear uma maior cooperação entre os aliados”.O jornal alemão Bild noticiou esta quarta-feira também que Berlim está a considerar enviar tropas para a Gronelândia como parte do novo exercício europeu no Ártico, com uma equipa avançada a viajar já hoje, podendo ser seguida por mais tropas, se necessário..Gronelândia responde às novas ameaças de Trump e lembra que faz parte da NATO.Dinamarca vai reforçar presença militar na Gronelândia. 30 eurodeputados pedem que se congele aprovação de acordo comercial com EUA