Jansa da Silva e o Presidente Lula.
Jansa da Silva e o Presidente Lula. Foto: Ricardo Stuckert/DR

Primeira-dama do Brasil reforça aproximação aos evangélicos em busca de votos para Lula

Janja da Silva intensifica participação na campanha num eleitorado que Flávio Bolsonaro mantém vantagem. Sondagem Datafolha aponta 62% de aceitação do candidato entre evangélicos, contra 29% de Lula.
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A primeira-dama do Brasil, Rosângela (Janja) da Silva, reforçou a atuação do Partido dos Trabalhadores (PT) junto dos evangélicos, numa estratégia para reduzir a rejeição de Lula da Silva e conquistar votos destes eleitores nas eleições gerais.

A atuação da primeira-dama surge num momento em que o adversário de Lula, Flávio Bolsonaro, tem maior popularidade entre os evangélicos, segundo as sondagens de intenção de voto para as eleições de outubro.

A primeira-dama, nos últimos anos, foi ouvir as mulheres evangélicas. Ela tem essa sensibilidade, e também essa coisa de combate ao feminicídio, ao assédio e violência contra as mulheres”, disse à Lusa o coordenador nacional interreligioso do PT, Gutierres Barbosa.

Uma sondagem Datafolha divulgada na sexta-feira passada mostra que Flávio Bolsonaro tem 62% de aceitação entre os evangélicos, enquanto Lula tem 29%.

Em julho, o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro tinha 60%, contra 31% de Lula.

Neste contexto, Janja da Silva gravou um vídeo exibido para 200 pastores no lançamento do comité de campanha “Evangélicas e Evangélicos com Lula”, no qual associou a gestão do Presidente brasileiro ao respeito e à proteção dos fiéis do segmento religioso.

No vídeo, afirma que os valores da solidariedade e da igualdade que “sempre guiaram” a vida e as gestões de Lula da Silva “são importantes norteadores da fé cristã”.

Adiantou que “cuidar de um povo é cuidar daquilo que ele mais acredita”, citando feitos da gestão do PT, como a aprovação do Dia do Evangélico, do Dia Nacional da Marcha para Jesus e do Dia Nacional da Música Gospel.

A participação da primeira-dama na campanha do marido, especialmente na aproximação com os evangélicos, representa uma mudança de postura de Janja da Silva e do PT em relação à disputa eleitoral de 2022, quando esteve longe dos atos de Lula neste segmento.

Nessa eleição, Lula chegou a divulgar uma carta aberta aos evangélicos, após ser convencido por aliados de que era importante fazer um gesto de aproximação a estes.

Para Gutierres Barbosa, que é também vice-presidente da Igreja Batista Nazaré (Salvador, estado da Baía), Janja da Silva tem capacidade de dialogar e cativar as mulheres evangélicas por valores compartilhados de “preocupação com o Brasil”.

“Da simbologia das mulheres na família, do empoderamento feminino, (...) Janja dá vez e voz às mulheres. Então, as evangélicas também se veem na primeira-dama”, completou.

No primeiro ato de campanha de Lula, em 16 de agosto, Janja apareceu a cantar, ao lado de um pastor, uma música gospel cujo refrão enaltece a vida do político de esquerda.

O censo demográfico de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, revela que um a cada quatro brasileiros declararam-se evangélicos, o que representa 47,4 milhões de pessoas, ou seja, 26,9% dos brasileiros.

O número revela um crescimento três vezes maior comparado ao censo de 1991, quando os protestantes representavam 9% da população do país.

Gutierres Barbosa avalia que, até às eleições gerais de 2014, os protestantes votavam, na sua maioria, no PT, mas que o partido foi vítima do avanço do conservadorismo na última década.

Exemplos de afastamento dos evangélicos foram a destituição da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016, e a prisão de Lula, em 2018, no curso das investigações Lava-Jato.

Para o dirigente, o PT mantém uma relação histórica com este segmento e tem mais de 500 mil evangélicos filiados, além de 500 vereadores entre os representantes do partido nas assembleias das cidades brasileiras.

“Temos uma relação com o público evangélico que não é de hoje. Não estamos fazendo um trabalho apenas eleitoral e não estamos preocupados com a eleição, em si. Estamos preocupados com o Brasil”, declarou.

Segundo Gutierres, os evangélicos alinhados com Lula terão papel fundamental para “combater desinformação, como essa de que o PT irá fechar igrejas” e que irá “privar os evangélicos de fazer cultos”.

Quem assegura os direitos sociais para as famílias é o Presidente Lula”, disse Gutierres, numa crítica ao discurso “Deus, Pátria e Família”, slogan associado ao bolsonarismo.

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