Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela.
Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela.FOTO: EPA/RONALD PENA

Presidente interina da Venezuela reúne-se com CIA, liberta 117 presos e procura investimentos para o petróleo

O diretor da CIA disse a Delcy Rodríguez que a Venezuela "não pode ser um refúgio seguro para os adversários dos EUA" e "em especial para os narcotraficantes”.
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A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, reuniu-se esta sexta-feira, 16 de janeiro, em Caracas com o diretor da CIA, John Ratcliffe, libertou mais presos políticos, disse que procura investimentos para o setor petrolífero e admitiu retomar relações diplomáticas com os EUA.

Segundo reportou a agência noticiosa espanhola EFE, que cita o jornal The New York Times, Rafcliff transmitiu à sucessora de Nicolás Maduro uma mensagem do presidente norte-americano, em que Donald Trump diz esperar “uma melhoria nas relações de trabalho".

“Durante a reunião em Caracas, Ratcliffe abordou possíveis oportunidades de cooperação económica e salientou que a Venezuela já não pode ser um refúgio seguro para os adversários dos Estados Unidos, em especial narcotraficantes”, especificou uma fonte oficial, citada pela cadeia CNN.

O encontro entre Ratcliffe e Delcy Rodríguez, vice-presidente chavista que assumiu a liderança da Venezuela com o aval de Washington após a captura do deposto Maduro pelos Estados Unidos, teve como objetivo “gerar confiança”, acrescentou a mesma fonte.

O diretor da CIA é o responsável norte-americano de mais alto nível e o primeiro membro do gabinete de Trump a visitar a Venezuela após a operação de 3 deste mês que resultou na captura e transferência de Maduro e da sua mulher, Cilia Flores, para Nova Iorque, onde deverão ser julgados por narcoterrorismo, tráfico de droga e corrupção.

Entretanto, também em Caracas, o executivo de Rodríguez anunciou ter libertado vários estrangeiros de sete nacionalidades diferentes – República Checa, Irlanda, Roménia, Alemanha, Albânia, Ucrânia e Países Baixos.

Delcy Rodríguez anunciou a libertação de 116 detidos que se encontravam em prisões venezuelanas, embora organizações civis considerem que os números são significativamente inferiores. 

No caso da Plataforma Unitária Democrática, ligada à oposição, liderada por María Corina Machado, contabilizam 76 “presos políticos” libertados, enquanto o último balanço do Foro Penal eleva para 84 as libertações desde a semana passada.

Por outro lado, Rodriguez afirmou hoje que está a procurar facilitar os investimentos no setor petrolífero do seu país, que detém as maiores reservas de crude do mundo, numa altura em que Trump tem mostrado empenho em revitalizar as infraestruturas petrolíferas da nação sul americana após a captura de Maduro. 

Nas redes sociais, a líder ‘chavista’ explicou que a reforma parcial da Lei Orgânica de Hidrocarbonetos, apresentada na quinta feira na Assembleia Nacional, dominada pelo oficialismo, tem como objetivo “facilitar o investimento, fortalecer a segurança jurídica e obter resultados mais rápidos”. 

Rodríguez entregou à direção da Assembleia Nacional um projeto de reforma dessa lei sem avançar pormenores detalhes, mas sublinhou que pretende permitir que os “fluxos de investimento sejam incorporados em novos campos petrolíferos”. 

A mandatária interina frisou que “todas as divisas que entrarem no país através da cooperação energética serão destinadas a dois fundos soberanos”: um para a proteção social e o bem estar dos trabalhadores e outro para infraestruturas e serviços que impulsionem o desenvolvimento económico e social. 

A Casa Branca afirmou quinta-feira que o Governo chefiado por Rodríguez, que assumiu o cargo dois dias depois da operação militar, já cumpriu “todas as exigências e solicitações” dos EUA. 

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, realçou o acordo fechado entre Washington e Caracas, avaliado em 500 milhões de dólares (431 milhões de euros), pelo qual os Estados Unidos comercializarão até 50 milhões de barris de crude venezuelano e gerir os rendimentos antes de os transferir para a Venezuela. 

Rodríguez, que conversou por telefone com Trump esta semana, assegura que, apesar da “agressão”, se está a “construir o que deve ser uma cooperação energética baseada na decência, na dignidade e na independência” com os Estados Unidos, e que, se tiver de ir a Washington, o fará “de pé, caminhando, não arrastada, e com a bandeira tricolor” do seu país. 

O governo interino de Caracas anunciou também um processo exploratório para a reabertura de embaixadas com os Estados Unidos, após a rotura diplomática em 2019, mas também não adiantou pormenores.

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