Ilustrado com navios e aeronaves enredadas por militares iranianos, novo cartaz gigante em Teerão afirma que o estreito de Ormuz vai permanecer fechado até acordo.
Ilustrado com navios e aeronaves enredadas por militares iranianos, novo cartaz gigante em Teerão afirma que o estreito de Ormuz vai permanecer fechado até acordo.Foto: EPA/ABEDIN TAHERKENAREH

Presidente do Irão diz que o país enfrenta "guerra total". Reabertura de Ormuz só quando EUA aceitar condições

“A minha principal preocupação é a situação económica e as condições de vida da população", disse o líder do país.
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O Presidente iraniano reconheceu que o Irão enfrenta uma “guerra total” e apontou a subida dos preços. As condições de vida e a situação económica são as principais preocupações do Governo, apontou.

“A minha principal preocupação é a situação económica e as condições de vida da população. Empenhamo-nos ao máximo, tanto antes como depois da guerra, para resolver os problemas económicos e de subsistência da população”, declarou Masoud Pezeshkian, durante uma conferência de imprensa com os meios de comunicação locais este sábado, 08 de agosto.

Para o Presidente do Irão, o aumento dos preços é “absolutamente inaceitável”, indicando que quando assumiu o cargo, a 30 de julho de 2024, o país já enfrentava um novo problema todos os dias, embora a situação se tenha agravado com a guerra, que começou a 28 de fevereiro, quando Israel e os Estados Unidos começaram a bombardear o país.

Na lista de preocupações de Masoud Pezeshkian também estão os desequilíbrios existentes em setores como a água, a eletricidade, o gás, o petróleo, o ambiente, a administração e o sistema bancário.

O presidente do Irão afirmou que os Estados Unidos e o regime israelita pensaram que com os desequilíbrios existentes no país seria mais fácil atacar e “derrubar a República Islâmica", defendendo a necessidade de preservar a coesão interna face à guerra que já provocou mais de 3.400 mortos, danificou infraestruturas militares e civis, indústrias e várias instalações petroquímicas, segundo a agência de notícias espanhola EFE.

"Já não se pode subjugar um país e obrigá-lo a aceitar certas exigências através da guerra e dos mísseis, mas isso pode ser conseguido através de divergências, divisões e conflitos internos”, alertou Masoud Pezeshkian. O líder iraniano pediu ainda aos meios de comunicação social que ajudem a evitar um aprofundamento das divisões sociais e políticas no país, seis meses após os protestos antigovernamentais de janeiro, que exigiram o fim da República Islâmica.

Os protestos antigovernamentais de janeiro foram travados pelas autoridades, numa operação que, segundo dados do Governo, causou 3.117 mortos, mas de acordo com organizações de defesa dos direitos humanos, como a organização Ativistas de Direitos Humanos no Irão (também conhecida como HRAI e HRA, sigla em inglês), morreram mais de 7.000 pessoas.

Acordo

Mais cedo, a Guarda Revolucionária iraniana afirmou que a reabertura do estreito de Ormuz dependerá de os Estados Unidos aceitarem plenamente as condições de Teerão. A reabertura acontecerá também quando os norte-americanos deixarem de interferir no processo de negociações regionais, numa referência às conversações entre o Irão e Omã sobre a navegação naquela estratégica passagem marítima.

"A reabertura do estreito de Ormuz depende de os Estados Unidos aceitarem plenamente as condições do Irão e deixarem de interferir no processo de negociações regionais", declarou o porta-voz da Guarda Revolucionária, general Hosein Mohebi, à agência Tasnim, durante uma visita à província meridional de Hormozgan, nas proximidades de Ormuz.

O porta-voz militar, que não especificou a que condições se referia, afirmou que a decisão sobre a reabertura da estratégica passagem marítima responde exclusivamente aos mecanismos e condições estabelecidos pela República Islâmica e que a questão não está relacionada com as negociações entre Teerão e Mascate.

"No momento em que os Estados Unidos aceitarem as condições do Irão, o estreito de Ormuz será reaberto, sem dúvida", acrescentou.

O alto responsável militar sublinhou a relevância do estreito para a República Islâmica, indicando que Ormuz não representa apenas uma rota de importância económica, mas também um elemento de poder geográfico e estratégico para o Irão.

Segundo as autoridades iranianas, o país chegou nos últimos dias a um acordo com Omã sobre as características geográficas de uma nova rota de navegação no estreito de Ormuz e encontra-se na fase final de elaboração de uma declaração conjunta sobre esse entendimento.

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