Polícia investiga alegações de que Epstein traficava mulheres através de aeroportos britânicos
CRISTOBAL HERRERA-ULASHKEVICH / EPA

Polícia investiga alegações de que Epstein traficava mulheres através de aeroportos britânicos

Antigo primeiro-ministro Gordon Brown alertou que os ficheiros do criminoso sexual mostravam como Epstein conseguiu usar Stansted para “trazer meninas da Letónia, Lituânia e Rússia”.
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A polícia de Essex está a avaliar informações sobre voos privados de e para o aeroporto de Stansted, nos arredores de Londres, que poderão ter sido usados por Jeffrey Epstein para o tráfico de mulheres. Esta informação, confirmada na terça-feira, 17 de fevereiro, pelas autoridades, surge uma semana depois do antigo primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, ter afirmado que os ficheiros do criminoso sexual, divulgados pela justiça dos Estados Unidos, mostravam como o norte-americano conseguiu usar o referido aeroporto para “trazer meninas da Letónia, Lituânia e Rússia”. Brown pediu ainda que a polícia reexaminasse “urgentemente” se as vítimas de Epstein foram traficadas dentro e fora do Reino Unido.

“Estamos a avaliar as informações que surgiram em relação aos voos privados que chegam e partem do Aeroporto de Stansted, após a publicação dos arquivos Epstein do Departamento de Justiça dos EUA”, disse uma fonte da polícia de Essex, que tem a jurisdição deste aeroporto. Já a direção de Stansted explicou, em comunicado, que “todas as aeronaves privadas em Londres Stansted operam através de operadores de base fixa independentes, que tratam de todos os aspetos da aviação privada e corporativa, em conformidade com os requisitos regulamentares”, acrescentando que estes terminais são independentes e que “nenhum passageiro de jatos privados entra no terminal principal do aeroporto”.

Em dezembro, uma investigação da BBC descobriu que 87 voos ligados ao criminoso sexual chegaram ou partiram de aeroportos do Reino Unido entre o início da década de 1990 e 2018, um ano antes da sua morte. A televisão britânica revelou ainda que “mulheres” não identificadas foram listadas nos registos dos voos entre os passageiros que entraram e saíram do Reino Unido e que 15 dos voos do país realizaram-se após a primeira condenação de Epstein, em 2008, por solicitação de sexo a uma menor, o que, segundo a BBC, deveria ter levantado questões por parte dos funcionários da imigração. 

A investigação da BBC mostra também que Jeffrey Epstein usava voos comerciais, fretados e os seus aviões particulares nas suas viagens para o Reino Unido e na organização de viagens para outras pessoas, incluindo alegadas vítimas de tráfico. Entre estes, mais de meia centena de voos foram feitos pelas suas aeronaves particulares, usando principalmente o aeroporto de Luton, também nos arredores de Londres, havendo ainda registo de vários voos no aeroporto internacional de Birmingham e uma chegada e partida cada um na base aérea militar de Marham e no aeroporto de Edimburgo. 

De acordo com a televisão pública britânica, existem ainda registos limitados de voos comerciais e fretados nos quais Epstein foi passageiro, ou pagou as viagens, principalmente através de Heathrow, mas também Stansted, agora na mira das autoridades, e Gatwick, todos aeroportos que servem Londres. 

Além da polícia de Essex, outras forças policiais do país estão envolvidas em investigações relacionadas com os ficheiros Epstein – as autoridades de Thames Valley estão a avaliar duas queixas separadas contra Andrew Mountbatten-Windsor, um dos irmãos do rei Carlos III, e a polícia de Surrey, que está a avaliar outra alegação contra o antigo príncipe, que nega todas as acusações. 

Já a Polícia Metropolitana está a investigar se Peter Mandelson, embaixador do Reino Unido dos Estados Unidos entre fevereiro e setembro do ano passado e afastado pelas suas ligações ao criminoso sexual , terá passado informações privilegiadas a Jeffrey Epstein quando esteve no governo, entre junho de 2009 e maio de 2010, altura em que Gordon Brown era primeiro-ministro. 

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