O petroleiro russo Anatoly Kolodkin, carregado com cerca de 730 mil barris, chegou esta segunda-feira (30 de março) ao porto de Matanzas, a uma centena de quilómetros de Havana. É o primeiro petróleo que chega a Cuba nos últimos três meses, depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter declarado no início do ano o bloqueio à ilha de forma a forçar uma mudança de regime. Moscovo, que negociou com a Casa Branca a chegada do petroleiro, assegura que vai continuar a oferecer a ajuda a Havana. “Não nos importamos que alguém envie um navio cheio, porque eles precisam... têm de sobreviver”, disse Trump aos jornalistas a bordo do Air Force One, quando regressou a Washington no domingo (29 de março) à noite. E explicou que não havia problema em o petróleo em causa ser enviado pelos russos. “Se um país quiser enviar petróleo para Cuba agora, não tenho problema nenhum em que seja a Rússia ou não”, referiu. O Anatoly Kolodkin tinha deixado o porto russo de Primorsk a 9 de março, segundo a agência EFE, sendo alvo de sanções dos EUA, da União Europeia e do Reino Unido por causa da guerra na Ucrânia. As cem mil toneladas de petróleo deverão ser suficientes para satisfazer as necessidades de Cuba durante vários meses, depois de apagões que deixaram a ilha vários dias às escuras. “É claro que a Rússia considera que é seu dever não ficar de braços cruzados e oferecer a assistência necessária aos nossos amigos cubanos”, reiterou o porta-voz do Kremlin, na conferência de imprensa diária. “A situação desesperada em que o povo cubano se encontra não nos pode, obviamente, deixar indiferentes, pelo que continuaremos a trabalhar nesta questão”, acrescentou Dmitry Peskov. Segundo o Financial Times, um segundo petroleiro - o Sea Horse - já vai a caminho com mais 27 mil toneladas de combustível.O último petróleo russo tinha chegado à ilha em fevereiro de 2025, sendo a Venezuela o maior fornecedor dos cubanos. A operação militar dos EUA que levou à queda do presidente Nicolás Maduro, a 3 de janeiro, mudou esse cenário. Não só Caracas cortou nos envios, como Trump ameaçou sancionar países terceiros que fornecessem a ilha.As dificuldades, que já existiam antes, agravaram-se, com cortes diários de energia e pelo menos dois cortes totais a afetar os dez milhões de habitantes que paralisaram quase toda a economia. As autoridades cubanas dizem estar entretanto a dialogar com Washington, com Trump a dizer acreditar que terá a “honra de tomar Cuba”..Trump ameaça “tomar” Cuba em pleno apagão e Rússia mostra-se solidária com a “ilha da liberdade”.“Cuba sempre precisou de aliados externos para sobreviver. Hoje não tem mais nenhum"