Mesmo durante o frágil cessar-fogo na guerra do Irão, os custos do conflito continuam a subir. Segundo o subsecretário da Defesa dos EUA e diretor financeiro do Pentágono, Jules Hurst, o conflito já custou 29 mil milhões de dólares (cerca de 24,7 mil milhões de euros). A 29 de abril, o Pentágono tinha dito que o custo estava nos 25 mil milhões de dólares (21,3 mil milhões de euros), o que significa que em duas semanas - e apesar do cessar-fogo - foram gastos quatro mil milhões de dólares (3,4 mil milhões de euros). Hurst justificou os gastos com “reparação e substituição de equipamentos” e “custos operacionais gerais”. Mas há quem questione o valor, acreditando que a guerra já custou muito mais dinheiro aos cofres norte-americanos. O responsável foi ouvido numa audiência no Congresso para avaliar o pedido da Administração para um orçamento de 1,5 biliões de dólares (1,3 biliões de euros) para o Departamento da Defesa para 2027.O problema não são só os custos da guerra, a seis meses das eleições intercalares onde o custo de vida é um dos principais temas. E esta terça-feira (12 de maio) foi revelado que a inflação chegou aos 3,8% nos EUA. Há ainda notícias sobre o facto de o arsenal de munições norte-americano poder estar a esgotar-se. “Mesmo com um poder de fogo esmagador, o lado que ficar sem munições ou defesa aérea primeiro perde”, disse o congressista republicano Hal Rogers. “Estamos seguros nesse aspeto?”, questionou. O secretário da Defesa (autointitulado secretário da Guerra), Pete Hegseth, também ouvido por uma comissão no Senado, contestou repetidamente as afirmações dos congressistas de que os stocks de armas dos EUA estavam “esgotados”, apesar da utilização de milhares de munições para atacar mais de 13 mil alvos durante a campanha no Irão. E disse que os stocks do Pentágono estão “absolutamente” seguros e que os EUA estão a “vencer em todos os aspetos do conflito”Com o cessar-fogo por um fio, Hegseth não afastou a hipótese de uma nova escalada do conflito. “Temos um plano para intensificar as ações, se necessário; temos um plano para recuar, se necessário. Temos um plano para realocar ativos”, afirmou, não querendo dar mais pormenores numa audiência que é transmitida em direto. Declarações que surgiram depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, dizer na véspera que o cessar-fogo está “ligado às máquinas” e rejeitar a última proposta do Irão. O deputado iraniano Ebrahim Rezaei, porta-voz da comissão parlamentar de Segurança Nacional e Política Externa, avisou ontem que o seu país poderá resolver enriquecer urânio a 90% (o valor necessário para uma arma) caso seja atacado de novo. “Uma das opções do Irão em caso de outro ataque poderia ser o enriquecimento a 90%. Vamos analisar isso no parlamento”, escreveu no X. O destino dos 400 quilos de urânio enriquecido a 60% que o país tinha continua a não ser claro, apesar de Trump insistir que Teerão aceitou entregar o “pó nuclear” aos EUA.Para os países da região, a diplomacia continua a ser a única solução. “O Qatar e a Turquia apoiam conjuntamente os esforços empreendidos pela nossa nação irmã, o Paquistão, para encontrar uma solução para esta guerra, alcançar um acordo de cessar-fogo, pôr fim à guerra o mais rapidamente possível, reabrir o Estreito de Ormuz e permitir que a liberdade de navegação volte ao normal”, disse o primeiro-ministro e chefe da diplomacia do Qatar, Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, em Doha, após uma reunião com o ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Hakan Fidan.O líder qatari alertou ainda o Irão contra o uso do Estreito de Ormuz como uma “arma” para “chantagear” os países do Golfo. “Trata-se de um corredor marítimo internacional que deve ser sempre protegido e salvaguardado”, afirmou Al Thani. “O estado atual do estreito e o que lá se passa nunca se deve repetir”, disse..Cessar-fogo está “ligado à máquina”, mas Trump continua a crer num acordo