Partido está na província de Uíge há dois dias em agendas políticas.
Partido está na província de Uíge há dois dias em agendas políticas.Foto: Facebook Adalberto Costa Júnior

Pelo menos 31 feridos após intervenção policial junto à sede da UNITA em Angola

Os incidentes ocorreram quando a Polícia Nacional cercou a sede provincial do partido.
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Pelo menos 31 pessoas ficaram feridas, dez com gravidade, na sequência da intervenção da polícia junto à sede da UNITA no Uíge, no sábado, disse hoje à Lusa o secretário-geral da JURA, organização juvenil do partido, Nelito Ekuikui.

Os incidentes ocorreram quando a Polícia Nacional cercou a sede provincial do partido, para impedir um ato político no âmbito da IV Reunião Ordinária do Comité Nacional da JURA, para assinalar o 92.º aniversário do fundador da UNITA, Jonas Savimbi.

O secretário-geral da JURA, o braço juvenil da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), afirmou que os feridos com gravidade continuam internados, enquanto os que sofreram ferimentos ligeiros tiveram alta ao longo da noite de sábado.

Segundo Ekuikui, entre os feridos há uma mulher com ferimentos profundos no rosto na sequência de uma queda, mas também casos provocados por disparos, tendo o dirigente referido o uso de munições “de caçadeira".

O responsável relatou que os militantes se encontravam em frente ao secretariado provincial da UNITA quando a polícia começou a disparar gás lacrimogéneo, obrigando-os a refugiar-se no interior da sede.

Descreveu ainda que as forças policiais criaram "várias barreiras" e interditaram os acessos, tendo desmobilizado por volta das 21:00 de sábado.

O dirigente adiantou que a direção da UNITA está a regressar a Luanda e que, durante o dia de sábado, o governador provincial do Uíge e o comandante provincial da polícia permaneceram incontactáveis.

Ekuikui referiu que, hoje de manhã, o Comando Provincial da polícia enviou uma escolta para acompanhar a caravana da direção da UNITA, mas que o partido a dispensou por considerá-la desnecessária.

O presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, acusou as autoridades locais de criarem um "estado de guerra" no Uíge e adiou o ato central, criticando a intolerância política.

A Polícia Nacional justificou a intervenção com a tentativa da UNITA de realizar uma atividade partidária em "local impróprio", junto ao tribunal da comarca, considerando também reprovável o fecho de ruas para atos políticos.

"Um dos partidos políticos queria realizar o ato defronte aos órgãos de soberania (…). Automaticamente, acionaram-se as forças para que se impedisse a realização desse ato nesse local", afirmou à Televisão Pública de Angola o chefe do departamento de comunicação institucional da polícia no Uíge, superintendente-chefe Luís Freitas Jamba.

O Bloco Democrático e o PRA JÁ Servir Angola, antigos parceiros da UNITA na Frente Patriótica Unida (FPU), repudiaram a atuação policial, exigindo esclarecimentos e a responsabilização dos autores.

Angola aproxima-se de um novo ciclo eleitoral, antecedido, em dezembro, pelo congresso que vai eleger o novo presidente do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), no poder, e tem eleições gerais previstas para 2027. O escrutínio de 2022 foi ganho pelo MPLA, com cerca de 51% dos votos, num resultado contestado pela UNITA, que obteve o melhor resultado de sempre.

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